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Um retrocesso na nossa democracia

novembro 1, 2010

Lula fazendo campanha para Dilma

Finalmente terminou a eleição mais longa, mais chata, mais superficial, mais radicalizada, mais debochada, mais manipulada, mais previsível, mais “religiosa” e mais baixa da história do Brasil. Difícil entender como, em meio a tanto progresso nos últimos anos, conseguimos retroceder naquela que é a nossa principal conquista das últimas décadas: a democracia.

E como chegamos a tal ponto? Pra começar, a campanha foi antecipada para o ano seguinte às eleições de 2006 com o lançamento do espalhafatoso PAC e, de quebra, da “mãe do PAC”: Dilma Roussef. Quem não lembra do Lula levantando a mão da candidata ainda desconhecida nos vários comícios que fez por todo o país a partir de 2007, anunciando as obras do PAC?

Um ano depois, Lula sedimentou o apoio a sua candidata no famoso encontro de prefeitos em Brasília, financiado com R$ 2,4 milhões dos cofres públicos. A principal moeda de troca: as obras do PAC.

Paralelamente, o cabo eleitoral Lula costurou o apoio da maioria dos partidos, principalmente o PMDB, a grande prostituta da política nacional, que rendeu a maioria do tempo de TV para a candidata governista. O preço pago foi alto, pois Lula teve que defender o indefensável Sarney na crise do Senado, colocando-o, inclusive, acima da lei. Mas como o PT aderiu há muito tempo ao princípio maquiavélico de que “os fins justificam os meios”, Lula conseguiu colocar uma cortina de fumaça sobre a crise do Senado com o anúncio do Pré-sal e com a compra dos caças franceses, cuja conta, como já havia previsto aqui, vai passar para a sucessora.

Na TV, as estatais deram uma força à campanha da Dilma, sempre difundindo a imagem do Brasil potência. Nos comícios, o presidente / cabo eleitoral debochou da legislação e das instituições, dividiu o país, atacou a imprensa, ameaçou o Ministério Público. Nos pronunciamentos oficiais, idem. No guia eleitoral, mentira e dissimulação, como antes nunca visto na história deste país.

E a oposição? Perdida em todo este tempo. A começar pela equivocada crítica a “marolinha” do presidente. Ora, todo mundo sabia que a crise era grave e que o presidente estava fazendo o seu papel que era acalmar a população, já que parte da crise, pelo menos nos primeiros três meses, teve um forte combustível psicológico. A crise passou e a oposição ficou com a pecha de torcer pelo “quanto pior melhor”, uma especialidade do PT quando oposição.

Em seguida, veio a demora em decidir qual o candidato da oposição, erro repetido na decisão do vice, escolhido em meio a uma crise entre PSDB e DEM, praticamente às vésperas do registro dos candidatos no TSE.

A escolha de Serra como candidato foi mais uma bola fora da oposição. Claro que ele tinha maiores índices nas pesquisas que o Aécio, mas já era sabido também que os 42% de intenções de votos em Serra eram o teto máximo do candidato. Dificilmente conseguiria ampliar sua votação, ainda mais com dois problemas tão graves a serem explorados pelos governistas: o fato do candidato não cumprir sua palavra registrada em cartório e as irregularidades na licitação do rodoanel (e recentemente o escândalo do Paulo Preto).

Também não acredito que o Aécio tivesse condições de vencer estas eleições. Mas sua candidatura certamente o tornaria muito mais conhecido em todo o Brasil, o que serviria para alavancar sua campanha em 2014. Além de ter um maior potencial de crescimento que Serra, o mineiro poderia explorar no guia a tentativa do presidente Lula de cooptá-lo para ser seu sucessor. Isto não só diminuiria a transferência de votos para Dilma (já que isto a colocaria na condição de plano B de Lula), como salientaria o compromisso do Aécio com os ideais tucanos, contestados por Lula na oposição, porém agora defendidos pelo PT da situação.

Outro ponto a favor de Aécio seria o apoio declarado de Ciro Gomes que, na época, quando ostentava ainda consideráveis 18% nas pesquisas, chegou a prometer desistir da disputa caso o candidato tucano fosse o Aécio.

Por último, Aécio enfraqueceria o teor de comparações entre os governos Lula e FHC, uma vez que o mineiro não teve uma participação tão efetiva no governo quanto Serra.

Voltando a Serra, como explicar a fatídica tentativa do candidato da oposição em pousar ao lado do nosso populista presidente? E como explicar a tentativa de esconder FHC da campanha? E como explicar a incompetência em combater as comparações descontextualizadas da campanha governista? E como explicar a contradição entre o discurso de austeridade com as promessas eleitoreiras de aumentar o mínimo e aposentadorias?

E o DEM? Infelizmente, apesar do esforço das novas lideranças para mudar a imagem deste decadente partido, o DEM mostrou o estrago que ainda é capaz de fazer se tiver uma oportunidade de chegar ao poder. O Arruda que o diga.

Enfim, a oposição foi vítima do populismo de Lula, mas também dos próprios erros, entre os quais o mais grave, na minha opinião, foi não defender o legado de FHC nos oito anos de Lula e, de quebra, desistir de combater o mito Lula, forjado em mentiras e meias verdades.

Diante de tal quadro, considero uma vitória da oposição não apenas ter chegado ao segundo turno (graças a Marina, vale salientar), como também perder por uma margem de apenas 12 pontos percentuais.

Com uma derrota tão iminente, o PSDB poderia aproveitar muito bem o espaço do guia eleitoral para desmistificar Lula, mostrando as mentiras da publicidade oficial e alertando a população para os verdadeiros problemas do país, os quais foram completamente relegados da campanha devido à disputa de promessas dos candidatos na qual foi transformada esta eleição pelos marketeiros.

À oposição resta, portanto, juntar os cacos do que sobrou (principalmente do aparente mal estar entre Serra e Aécio) e iniciar um trabalho de desmistificação de Lula, sem o qual continuará sem a menor chance também em 2014. Pessoalmente acho que faltou empenho do Aécio na campanha de Serra, mas certamente isto foi consequência da complicada preferência do PSDB que preteriu Aécio e jogou Minas Gerais no colo da Dilma. Certamente São Paulo não receberia melhor a escolha de Aécio do que Minas recebeu a escolha de Serra, afinal Aécio tinha uma aprovação muito mais expressiva do seu governo.

Enfim, demos um passo para trás na nossa democracia. Não apenas por termos perdido a oportunidade de fazer valer um dos princípios elementares da democracia que é a alternância do poder, principalmente em um momento em que nosso presidente populista merecia um sonoro não da população. Mas, e principalmente, por termos dado o aval ao plebiscito em que foi transformada esta eleição. E o grande responsável por este retrocesso é o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente que teve todas as condições políticas e apoio popular para melhorar de fato a nossa política, mas que, infelizmente, colocou seus projetos pessoais acima dos interesses do país e repetiu a velha política do toma-la-dá-cá, um dos vícios da nossa política que mais criticou quando oposição, porém, no poder, não apenas repetiu como o tornou uma coisa absolutamente “normal”.

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  1. Leandro Maciel
    novembro 1, 2010 às 6:37 am

    Pois e, deu o q todo mundo ja sabia… eu confesso q nao tinha mais esperanças mas como ela e a ultima q morre tentei ate onde foi possivel…

    infelizmente acredito q o pais deu um passo para tras em tudo… analisando questoes economicas, tem muita divida rolada para agora e nao acredito q esta idiota tera condicoes de manter tudo na linha…. pelo menos ainda resta a esperanca (olha esta maldita de novo..rs…) de q ainda existam competentes dentro do PT pra tentarem garantir q estes populistas nao estraguem o q o pais custou a conquistar… ainda bem q intelectuais passaram antes e garantiram uma economia forte e saudavel, pena q nao totalmente isenta de burradas futuras…

    como em 2006, me despeço desta campanha muito chateado com nossa casa, ainda mais ao confirmar mais uma vez q brasileiro só gosta de olhar para o proprio umbigo… sendo incapaz de pensar ate no futuro dos filhos…

    aproveito para lembrar a todos os q votaram no “socialismo” “nepotista” q vcs deram continuidade a tudo de ruim q ja estava acontecendo… vamos torcer pro lado “mulher” da individua sobresair e ela mudar de postura e conduta daqui pra frente… mesmo assim é lamentavel q seremos governados por alguem q nunca tinha sido eleito pra nada… só aqui mesmo pra acontecer isto… 😦

    e puxando a religao pra politica: QUE DEUS NOS AJUDE… ;(

    • novembro 1, 2010 às 8:20 am

      Olá Leandro,

      Acho que qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento de economia está ciente dos desafios da Dilma. Certamente o Palloci vai dar uma arrumada na casa. Pode ter certeza de que se chegamos a tal ponto de irresponsabilidade com as contas públicas (e por extensão com nosso futuro) foi por conta do interminável plebiscito criado por Lula pouco tempo depois de ter sido eleito para o segundo mandato. Se Lula não tivesse esta obsessão por estas eleições, certamente teria avançado em alguns dos pontos que citamos na série “Os desafios do Pós-Lula”.

      Sinceramente, torço para que a Dilma se descole de Lula e do PT e que demonstre a qualidade que diferencia os grandes estadistas dos populistas que é capacidade de pensar mais no futuro do país do que nas próximas eleições.

      Apesar de chegar ao poder da forma que chegou não a acho um “poste”. Acho que, para alguém que nunca disputou uma eleição, se saiu muito bem. Continuo não simpatizando com sua figura, mas espero que isto seja só uma impressão minha.

  2. Leandro Maciel
    novembro 1, 2010 às 8:33 am

    é… pode ate ser… eu confesso q meu desanimo ja vem desde 2006, e nao mudou com isto tudo…

    de bom mesmo nestas eleiçoes so vejo o fato de q mesmo interferindo no proximo governo, acredito q nao vamos mais ver a cara de pau do molusco constantemente na midia…

    • novembro 1, 2010 às 8:46 am

      Verdade. Além disso, destaco também que observo uma maior conscientização da população em relação às mentiras de Lula. Observe que, com exceção do Nordeste, transformado agora em curral eleitoral do petismo, a disputa foi surpreendentemente acirrada em todo o Brasil. Se a oposição tentasse passar para a população alguns dos argumentos que postamos aqui para desmistificar Lula, certamente as chances de vitória nestas eleições aumentariam. Portanto, vamos continuar exercendo nosso papel de cidadãos, que é policiar o governo e tentar esclarecer aqueles que ainda não despertaram para as mentiras de Lula.

  3. Leandro Maciel
    novembro 1, 2010 às 9:46 am

    ontem eu analisei os dados mostrados no tse e deu pra ver claramente:

    – do sudeste pra baixo, era todo serra, e de minas pra cima todo dilma.
    – 21,5% de Abstenção (29.194.356 de brasileiros q nao se importam com o pais)

    logico q no nordeste tem pessoas esclarecidas, pq se nao fosse assim ela teria 100% de votos la, mas é uma minoria e provavelmente os q geraram este votos, ou sao alienados do mundo, ou nem devem ter condicoes de ver tv e radio, sendo assim o q chegar por boato falado, sera a verdade absoluta..

    como vc mesmo constuma comentar, o q mais me deixa indignado é a cara de pau, de pessoas sem moral, em fazer isto so pra se darem bem, e foi por isto q me afastei e tomei raiva do PT tb…

    eu costumo comparar com educação familiar… se aprendi q roubar, matar, etc sao coisas ruins, se eu me deparo com tais possibilidades me sinto mal… ou seja, meu coração me manda nao fazer aquilo… ja estes politicos atuais são pessoas tao ruins q nem isto ocorre com eles… os caras tem coragem de super faturar ambulancias… meu deus… é o mesmo q um padre ou pastor pegar o dinheiro de dizimos e ir se divertir num bordeu… pura falta de temor a Deus…

    bom, nos resta fazer como vc, nos levantar contra e continuar tentando abrir os olhos do povo…

    eu ainda acho q se o voto nao fosse obrigatorio, seria tudo diferente, pq somente pessoas como vc eu e varios q eu vi postando aqui, é q votariam e as coisas seriam mais serias… sinceramente q eu acredito nisto.

    pode contar comigo Amilton… vc tem um amigo pra te ajudar nesta empreitada.

    ps: ah, procure fazer muitos backups do conteudo q vc tem neste blog, pois os bandidos nao farao esforços em sabota-lo, caso tenha a repercussao q eu espero e desejo q tenha.

    • novembro 1, 2010 às 9:55 am

      Leandro,

      Se isto serve de consolo, o número dos governadores oposicionistas tem aumentado nas nas últimas três eleições, principalmente entre os estados mais importantes.

      Obrigado pela sugestão. Vou fazer backups regularmente.

  4. novembro 1, 2010 às 1:56 pm

    Olá, Amilton.
    Fico também triste pelo nosso país. De um lado, um presidente megalomaníaco que só pensou em eleger seu sucessor, acima dos interesses da nação. Do outro, Serra, com sua antipatia natural exalada pela sua visão ectomórfica. O cara parece aquele personagem dos Simpsons. O mais incrível é que Serra sorrindo parece ser mais artificial do que Dilma, mesmo com aquelas plásticas e voz de sargento. Além disso, o tucano se recusava a desmitificar idiotices petistas, tais como o de que “privatizar é entregar o país aos estrangeiros”.
    Foi um uma eleição populista de ambas as partes, em parecia que os eleitores eram somente aqueles que recebiam o Bolsa família.

    P.S. Amilton, porque vc considera um equívoco privatizações de rodovias? Que outros setores da União não poderiam ser privatizados?

    • novembro 1, 2010 às 3:08 pm

      Olá Gilx,

      De fato, acho que o pior erro da oposição foi deixar Lula livre para mentir. Ora, todo mundo sabia que as chances da oposição eram remotas. Portanto, devia entrar nesta eleição com o objetivo de esclarecer a população, chamar a reflexão, combater a mentira de Lula e assim preparar uma base mais sólida para a próxima eleição. Da forma em que os dois candidatos se lançaram nas baixarias e nas promessas, sem discutir temas impopulares, porém relevantes para o nosso futuro, ficou a sensação de que o povo teve que escolher entre o ruim e o péssimo.

      Quanto à privatização de estradas sou contra porque já pagamos uma das mais caras cargas tributárias do mundo. Pagar pedágio é, portanto, pagar mais uma vez.

      Acho que alguns setores estratégicos como o energético, por exemplo, o governo deve ter uma participação grande nas ações da empresa, pois estas não devem ter como finalidade única o lucro.

  5. André Santos
    novembro 1, 2010 às 2:31 pm

    Olá boa tarde a todos e em especial ao Amilton, pois tenho lido e pesquisado muitas das coisas que ele posta aqui e de fato são fontes sérias. Sou nordestino de Pernambuco, prá ser mais preciso do Recife, não levo a cabo aqui se sou do Norte ou do Sul, antes de mais nada sou brasileiro…Eu não só, não voltei na Dilma, como não votarei mais no PT…Votei consciente no Serra, por achar que ele seria mais capaz, e confesso que muita gente boa por aqui também votou nele. Discordo do Leandro quanto ao voto não ser obrigatório, isso seria ruim para a democracia, o voto obrigatório ainda é um remédio para o cidadão se antepor às decisões só das elites, contudo, ainda tem muita gente que vota sem levar a sério o processo eletivo, a exemplo do TIRIRICA, e olhem que o Lula, criticou o que estao fazendodo com ele, pois o congresso não é pior e nem melhor que o povo, e ele o TIRIRICA, é a cara do povo…fala sério Lula, vai ser político assim lá na china, o que ele quis com essa declaração foi somar os 1,3 milhões de voto para a pupila dele, mas, tudo bem , voltando ao que falei, seria mais importante uma reforma política,isso sim… Quanto ao voto obrigatório ele ainda é uma forma de fazer o povo criar uma consciência de cidadania e consequentemente o dispertar para um amadurecimento político,coisa que ainda está longe, mas, que um dia virá, só temos 121 anos de república e não podemos ficar nos comparando com repúblicas mais velhas…Bem, essa é a minha opinião e foi também a de Rui Barbosa.
    Quanto a eleição deste ano, informo aos camaradas que outras virão, o Brasil é maior que isso tudo que aí está, eles passam ,nós passamos o Brasil fica.

    • novembro 1, 2010 às 3:13 pm

      Verdade André Santos. Se serve como consolo, acho que vai ser até divertido ver o PT defendendo uma reforma da previdência, por exemplo. Se o PT fosse para oposição, iria fazer demagogia com o assunto. Lula fugiu das reformas, mas a Dilma dificilmente poderá continuar empurrando as reformas com a barriga.

  6. novembro 1, 2010 às 2:48 pm

    Complementando, Amilton:
    Vc disse que torçe para que Dilma se descole de Lula e do PT.
    Sinceramente, vc acredita mesmo que Dilma será será capaz de deixar o populismo do PT (sua marca registrada) e ter ideiais de um estadista? Não acha que é pedir demais? O máximo que ela fará, na minha singela opinião, é manter a economia deixada por FHC através de Meirelles e talvez a volta de Palocci, um dos poucos petistas que ainda merecem algum crédito nessa turma. O resto seguirá como antes: gastanças, muito marketing e o pensamento firme nas próximas eleições (de 2014).

    • novembro 1, 2010 às 3:25 pm

      Gilx,

      Quando eu digo “descolar” significa que torço para que ela não se deixe conduzir pelo PT, que ela não seja um mero preposto para manipulação de Lula. No mais, não acredito que ela poderá continuar o modelo de Lula, pois já deu declarações falando da necessidade de conter os gastos públicos e aumentar a idade das aposentadorias. Em algum momento a realidade vêm à tona, amigo. Lula empurrou com a barriga o quanto pôde e o saldo é aquela lista enorme de pendências que postamos na série “Os desafios do Pós-Lula”. Certamente Dilma terá que fazer algumas reformas se quiser que o PT continue no poder. Caso contrário, vai cavar a própria cova.

      Obrigado pela correção. Tenho um amigo que o nome tem o “r”. 😉

      Ah, finalmente dei um olhada no teu blog. Parabéns! Certamente vou recorrer a vc em alguns momentos para usar algumas das suas charges.

      Para quem ainda não viu, segue o link: humorgilx.blogspot.com

      • novembro 1, 2010 às 8:08 pm

        Amilton,
        Obrigado por visitar meu blog:humorgilx.blogspot.com
        Você nem precisa me pedir autorização para postar algum trabalho meu. Fique à vontade para postar o que quiser do meu blog.
        Se precisar que eu faça alguma charge pro seu blog, farei com maior prazer sem cobrar nada. Basta me avisar por e-mail com antecedência.

        • novembro 1, 2010 às 10:55 pm

          Obrigado antecipadamente, Gilx!

          Abraço!

  7. Sandro
    novembro 1, 2010 às 4:25 pm

    Aquino,

    Sugiro incluires os dados contextualizados do blog Governo Brasil no texto COMPARANDO FHC X LULA. o Blog foi atualizado com novos dados. Também, não deixe de complementar com as tuas excelentes análises. abs

    http://governobrasil.blogspot.com/

    • novembro 1, 2010 às 10:53 pm

      Olá Sandro,

      Estava atualizando no sábado, mas percebi que a tarefa vai ser bem mais árdua do que imaginei a princípio, pois tenho que checar todos os dados nas fontes antes de postar. Como o governo Lula não terminou e os últimos dados ainda referem-se ao mês de agosto, preferi esperar um pouco mais para fazer uma comparação com os números finais.

      Abraço,

  8. Sandro
    novembro 2, 2010 às 4:50 am

    Aécio ataca estratégia de disputa comparando governos FHC e Lula:

    “Aécio Neves (PSDB) voltou a criticar ontem o que chamou de eleição presidencial plebiscitária, com a retórica centrada na comparação entre os desempenhos dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. “Acho que o caminho do PSDB é olhar para o futuro, apresentar algo novo, onde todos os avanços e as conquistas que tivemos até aqui sejam a base para fazermos o que não foi feito até aqui”, disse. Aécio prosseguiu chamando de “gincana” uma disputa pautada nesse tipo de comparação: “Isso é muito mais adequado e importante para as pessoas do que essa eleição plebiscitária, na qual alguns querem apostar, que vai ficar quase como numa gincana, fazer uma disputa de quem fez mais, se foi FHC ou se foi Lula””
    http://bit.ly/cvozo8

    Por outro lado…

    “(…)há três métodos possíveis (para comparar governos). Politicamente, o mais adequado seria o contraste entre o plano de governo e os resultados obtidos na administração. Mas nem sempre é possível fazer esse tipo de exercício. Na disputa entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), nenhum dos dois apresentou programas detalhados de governo. Eles fizeram promessas avulsas em palanques, mas não estabeleceram compromissos formais.”

    Já que os candidatos não apresentaram um plano de governo formal…

    ‘O segundo método possível de avaliação é comparar indicadores de diferentes períodos em que os candidatos ou seus partidos exerceram o poder. Ao desconsiderar os exageros típicos das promessas, esse método oferece um panorama mais realista de avanços e retrocessos.”
    http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI176275-15223,00.html
    Abs

    • novembro 2, 2010 às 9:27 am

      Sandro,

      O Aécio parece que resolveu realmente tomar de fato o papel de opositor, algo que Serra deveria ter feito. Até entendo o lado de Serra, pois ele estava mais preocupado em fazer um bom governo. Como senador, Aécio certamente terá uma atuação muito mais ativa. Resta agora saber se o PSDB vai conseguir superar as picuinhas entre as duas correntes.
      Muito boa a matéria da Isto é. Será muito útil na nova versão da comparação que vamos fazer. Ficaria muito melhor se cada gráfico fosse contextualizado. Vai ser bem trabalhoso, mas vamos fazendo aos poucos.

      Mais uma vez obrigado pela contribuição.

  9. novembro 2, 2010 às 5:02 am

    A “revolução cultural” gramsciana .
    .
    Quando os socialistas usam a frase “subversão ideológica”,
    o que querem dizer.?
    …..
    O que significa basicamente é mudar a percepção da realidade de todo brasileiro a tal ponto que apesar da abundância de informação ninguém é capaz de chegar a conclusões razoáveis no interesse de defender a si mesmos, suas famílias, sua comunidade e seu país. É um grande processo de lavagem cerebral que anda bem devagar e o sucesso da “revolução cultural” gramsciana é avassalador .
    ………
    A desmoralização(1). Leva 15 a 20 anos para se desmoralizar uma nação. Por que este número de anos?. Porque este é o número mínimo de anos necessário para educar uma geração de estudantes no país exposta à ideologia do marxismo. Em outras palavras, ideologia socialista está sendo injetada nas cabeças moles de pelo menos três gerações de estudantes sem ser contestada ou contrabalanceada pelos valores básicos do brasileiro etica, patriotismo, família, religião.
    …..
    O resultado o resultado você pode ver. A maioria das pessoas que se formaram nos anos 60 desistentes ou intelectuais de miolo mole estão agora ocupando as posições de poder no governo, funcionalismo, negócios, mídia de massa, sistema educacional.
    ….
    Nós estamos atolados com eles, nós não conseguimos nos livrar deles. Eles estão contaminados, estão programados para pensar e reagir a certos estímulos, a um certo padrão. Você não consegue mudar suas idéias, mesmo se você os expuser a informação autêntica, mesmo que você prove que branco é branco e preto é preto você não consegue mudar a percepção básica e lógica de comportamento deles. Em outras palavras o processo de desmoralização é completo e irreversível. Para livrar a sociedade dessa gente, você precisa de outros 20 ou 15 anos para educar uma nova geração de gente de mente patriótica e bom senso que agiriam em favor de e pelos interesses da sociedade brasileira.
    …..
    O processo de desmoralização do Brasil já está basicamente completo.
    ….
    Como mencionei antes a exposição a informação verdadeira não importa mais. Uma pessoa que foi desmoralizada é incapaz de avaliar informação verdadeira. Os fatos não lhe dizem nada. Mesmo que eu o bombardeie com informação, com provas autênticas, com documento, com fotos. Mesmo que eu o leve à força e o mostre um campo de concentração ele se recusará acreditar até ele levar um chute em seu traseiro gordo. Quando uma bota militar arrebentar seu rabo aí ele entenderá, mas não antes.

    (1) A moralidade é um código de valores que guia as escolhas, decisões e ações dos homens, e, assim, determina o propósito e o curso de sua vida. É um código através do qual ele julga o que é certo ou errado, bom ou mal

    • novembro 2, 2010 às 9:28 am

      Aliancaliberal,

      De fato existe na América Latina uma guinada à esquerda. A contradição, no entanto, é que tais governos são herdeiros dos benefícios da globalização que tanto combatiam.

      Apesar dos equívocos da esquerda, respeito muito os ideais de um mundo mais justo (os quais ainda compartilho). No entanto, o que me assusta hoje é este processo de lavagem cerebral em curso que vc bem descreveu. Os “militantes” estão fechados para qualquer argumento contrário ao triunfalismo aparente do PT.

      Acho que precisamos analisar muito bem o processo histórico das últimas décadas para extrair os méritos de cada um dos pólos desta disputa ideológica. Já tenho na pauta uma série de artigos sobre este assunto.

      Abraço

  10. novembro 2, 2010 às 12:30 pm

    Não chegaria a afirmar com toda a convicção de que a “decepção com Dilma será inevitável”, como afirma o The Guardian, endossado em parte pelo Financial Times, até porque acho que os problemas macroeconômicos (decorrentes da falta de coragem de Lula em assumir ônus em promover reformas) são contornáveis. Mas, de um modo geral (relativizando os méritos de Lula no combate a pobreza, já que tal redução tem mais a ver com a evolução da economia do que com as ações efetivas do governo), concordo com tudo que foi afirmado. Segue o link da matéria: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,decepcao-com-dilma-sera-inevitavel-diz-the-guardian,633603,0.htm

    Para entender o pessimismo, sugiro a leitura da série “Os desafios do Pós-Lula”: https://visaopanoramica.wordpress.com/2010/10/10/os-desafios-do-pos-lula-macroeconomia/

    Mas a nova presidente já acena para algumas mudanças de rumo: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101102/not_imp633495,0.php

    Ou seja, a nova equipe, mesmo sem querer, admite aquilo que afirmamos aqui o tempo todo: Lula governou para a torcida, empurrando problemas para o sucessor.

  11. Sandro
    novembro 2, 2010 às 3:22 pm

    02/11/2010 – 12h02

    Para poupar Dilma, Lula deve antecipar corte de gastos e medidas de ajuste fiscal
    Entre as medidas impopulares que presidente pode adotar estão reajuste menor para servidores do Judiciário

    Balizado em alto índice de aprovação, Lula quer que equipe econômica apresente diagnóstico à assessoria da sucessora

    Ricardo Stuckert/Efe

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabeniza Dilma, domingo à noite, no Palácio da Alvorada, no primeiro encontro dos dois depois que ela foi eleita

    KENNEDY ALENCAR
    DE BRASÍLIA

    O presidente Lula deverá antecipar medidas econômicas duras e impopulares para evitar que a sucessora, Dilma Rousseff, tenha de adotá-las no início de seu governo.
    Amanhã e quinta-feira, as pastas da Fazenda e do Planejamento deverão finalizar estudos de medidas de ajuste que acham necessárias para o novo governo. O diagnóstico será transmitido à equipe de transição de Dilma.
    A Folha apurou que Lula já se dispôs, se Dilma quiser, a implementar medidas duras. A ideia é aproveitar a alta popularidade de Lula para tomar decisões que possam ser desagradáveis a setores do funcionalismo público e da sociedade como um todo.
    Apesar de ter negado durante a campanha, Dilma e Lula já discutiram medidas de ajuste fiscal e até monetária. Será um ajuste menor que o feito por Lula em 2003, quando havia uma situação econômica mais crítica.
    Governo e a equipe de transição discutem a adoção de novas medidas para conter a valorização do real.
    No segundo turno, assessores econômicos de Dilma consideraram “marginais” as ações do Ministério da Fazenda para reduzir a entrada de capital especulativo.
    Uma das medidas que podem ser tomadas é a desonerações para compensar setores que estão sofrendo mais com a sobrevalorização do real em relação ao dólar.
    Para evitar alta dos juros em 2011 para combater a inflação, a equipe econômica e assessores de Dilma avaliam que são necessárias medidas fiscais pontuais para reduzir o gasto público. Com juros menores, há também menor tendência de valorização do real em relação ao dólar.

    REAJUSTE DO JUDICIÁRIO
    Outra medida: Lula deverá negar o pedido do Judiciário para que seja concedido um reajuste de 56% ao funcionalismo público dessas categorias. Há projeto no Congresso tramitando nesse sentido.
    O atual presidente pode assumir o desgaste de bancar um reajuste menor, concedendo a inflação no período.
    Cálculos da equipe econômica mostram que o reajuste de 56% teria um impacto extra de R$ 7,2 bilhões ao ano na folha de pagamento do Judiciário e de R$ 800 milhões na do Ministério Público.
    As medidas em análise se concentram na área fiscal. A intenção de Dilma é criar as condições para que os juros básicos da economia possam cair mais consistentemente durante o seu governo.
    A Folha apurou que uma medida será reduzir a política de reajuste salarial para o funcionalismo público. Isso não significa que não haverá reajustes, mas que eles serão mais parcimoniosos no início do novo governo.
    Lula também está disposto a negociar com o Congresso um Orçamento mais draconiano para 2011.
    Criticado por ter estimulado gastos públicos em seus mandatos, Lula se despediria com medidas de austeridade, o que angariaria simpatia de setores conservadores, como o empresariado e o mercado financeiro.
    A adoção de medidas econômicas duras não significará cortar verbas de programas sociais e de obras do PAC. Auxiliares dizem que Dilma aumentará aos poucos investimentos em saúde, educação e segurança.

    SALÁRIO MÍNIMO
    Pela lei, o governo tem de autorizar um novo salário mínimo para entrar em vigor em 1º de janeiro.
    A ideia de Lula é negociar um valor com Dilma, deixando que ela fature politicamente um reajuste maior que os R$ 540 previstos pela atual equipe econômica.
    Mas o governo não está disposto a aumentar o mínimo para R$ 600, como prometeu o candidato derrotado José Serra (PSDB-SP).
    Como confirmou ontem um dos coordenadores da campanha de Dilma, o ex-ministro Antonio Palocci, há estudo para redução na meta de inflação. Hoje, o centro da meta é de 4,5%, com variação de dois pontos percentuais para cima e para baixo.
    A ideia é fixar para 2012 uma meta na casa de 4%.

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po0211201008.htm
    Colei a reportagem inteira por que é fechada para assinantes folha e uol

    • novembro 2, 2010 às 3:54 pm

      Olha aí, mais uma comprovação do que dizemos aqui o tempo todo. Acho que vamos ter que repetir muito esta constatação por aqui nos próximos anos. Ehehheheeh!

      Há três anos que o governo relega ações de saneamento das contas públicas como estas única e exclusivamente por causa das eleições. Agora que sua candidata faturou a disputa, e ele agora quer “dividir o ônus” de algumas medidas impopulares já no apagar das luzes do governo. Muito altruísta nosso presidente, não?

      Ah, esqueci de comentar os cortes no PAC. Segue trecho de matéria publicada no Estadão:
      “Paralelamente, há estudos para reduzir os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que podem ser abatidos da meta de superávit primário. Hoje, a margem para o abatimento é muito grande, e para reduzi-la o governo pode fazer uma “limpeza” dos projetos.”

      E olha que estão falando do PAC 1. Agora imagina o PAC 2, que teria um orçamento três vezes maior!

      É por essas e outras que prego sempre a alternância de poder. O PT está entranhado na máquina pública e vai fazer de tudo para não largar o osso.

  12. novembro 2, 2010 às 5:34 pm

    Eu ja tinha me perguntado, se esta faltando proficionais pq não ouve um aumento salarial real?a resposta.

    Num otimo artigo do mises.org.br (como sempre) declara que os salarios do setor privado estão estagnados desde 2002 .

    Dai vcs veem a imcompetencia da oposição não jogar isso na campanha politica.(outra eas 14 universidades so de papel)
    Alguns trechos

    O rendimento médio real dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada está atualmente em um nível menor que o de agosto de 2002!
    ….
    http://bit.ly/aREMhw esta tabela fornecida pelo IBGE mostra os dados.
    ….
    Isso explica o aumento do número de postos de trabalho com carteira assinada. Os salários reais estão estagnados há oito anos, o que de fato estimula a demanda por mão de obra e, consequentemente, o emprego.
    …..
    Ao contrário do que ativistas políticos pensam, a prosperidade não pode ser obtida por meio de discursos demagógicos e de ataques à imprensa. Um alto padrão de vida só pode ser obtido por meio de um aumento da PRODUÇÃO. Apenas quando há uma abundância de bens e serviços — cuja grande oferta faz com que seus preços sejam baixos —, é que o padrão de vida será maior.
    ….
    A política fiscal do governo — de gastos crescentes, déficits constantes, alta carga tributária e inúmeros encargos sociais e trabalhistas — simplesmente impediu qualquer progresso no valor real dos trabalhadores do setor privado. E isso de acordo com os dados do próprio IBGE.
    ….
    A única coisa que a inflação e o crédito fazem é provocar uma realocação de recursos, favorecendo aqueles que recebem esse dinheiro antes de todo o resto da população, e prejudicando aqueles que recebem esse dinheiro por último(aumentando a desigualdade social).

    Durante esse período de realocação dos fatores de produção dentro da economia —período esse que estamos vivendo agora e que é confundido com crescimento econômico genuíno —, as pessoas erroneamente creem que estão vivendo um período de bonança, quando na verdade estão vivendo um período de desperdício de recursos. Bens de capital estão sendo empregados em projetos que serão insustentáveis no longo prazo.
    ……
    MAIS GOVERNO MENOS SALARIO.

    • novembro 2, 2010 às 6:13 pm

      Liberal,

      De fato nossa oposição mostrou tamanha incompetência nesta campanha que não só justificou a derrota, como me deixou inseguro (acho que outras pessoas também) sobre a capacidade da oposição de corrigir os erros que criticamos aqui.

      A oposição não só ignorou as questões que vc citou, como também não explorou as declarações do coordenador da campanha da Dilma no segundo turno, o Ciro Gomes, atestando a maior competência de Serra, além de falar da crise a que corremos o risco nos próximos anos por pura irresponsabilidade de Lula.

      A oposição vai ter que melhorar muito para chegar ao poder.

    • Sandro
      novembro 2, 2010 às 10:13 pm

      Liberal,
      Sobre o salário mínimo, favor dar uma olhada no excelente Blog Governo Brasil no ítem Economia: http://governobrasil.blogspot.com/p/economia.html

      O aumento proporcional no valor total do salário mínimo foi, como pode-se perceber, maior durante o governo Fernando Henrique que durante o governo Lula. Já o ganho do salário mínimo em valores deflacionados foi consideravelmente maior durante o governo Lula que durante o governo FHC.

  13. Sandro
    novembro 2, 2010 às 10:32 pm

    Amilton,

    queria deixar o link para dois videos do youtube aqui. Um do Hélio Bicudo sobre a mexicanização da política brasileira: http://www.youtube.com/watch?v=B6zLuPMd_LU

    e o outro uma discussão entre o Mario Vargas Llosa e o Octavio Paz (1990), ambos premios Nobel de literatura, sobre a “ditadura perfeita” ou “hegemonia de partido único” ocorrida no méxico a qual Hélio Bicudo se refere: http://www.youtube.com/watch?v=kPsVVWg-E38

    • novembro 2, 2010 às 10:53 pm

      Quando um dos fundadores do PT vêm a público declarar o voto no Serra é porque a coisa no PT ficou muito feia. Já tinha visto esta e outras declarações de Hélio Bicudo em defesa da nossa democracia. O risco do PT ficar no poder por décadas e repetir o fenômeno PRI do México é realmente é iminente. Nossa esperança é a educação e a Internet, amigo.

  14. Sandro
    novembro 3, 2010 às 1:08 am

    Amilton,

    Duas perguntas: considerando que a nova presidente teve 41,48% do total de votos (universo de 135 milhões de eleitores) e que Serra somado aos brancos e nulos totalizaram 58,51%, isso não compromete a representatividade da nova representante?

    E, até que ponto a oposição poderia explorar esse “descrédito” de quase 60% de eleitores insatisfeitos?!

    Abs

    • novembro 3, 2010 às 8:31 am

      Ola Sandro,

      A votação da Dilma foi menor que a de Lula em 2006, eleição em que Lula estava em baixa devido ao escândalo do mensalão. Se considerarmos que 1/4 dos votos da Dilma são de eleitores reticentes (conquistados neste segundo turno) e que nossa população continua crescendo e, portanto, o número de eleitores aptos a votar, chegamos então a conclusão que vc chegou: 58,1% dos nossos eleitores não engoliram a Dilma.

      No entanto, como sempre acontece, nestes dois meses de exposição intensiva na mídia, a presidente eleita vai conquistar ainda muita simpatia, não só dos eleitores, como também da própria imprensa, como sempre acontece. É o período da babação ou da lua-de-mel dos presidentes que pode ser estendida ou não, de acordo com os rumos da nossa economia.

      Se por um lado a Dilma não têm hoje uma boa representatividade, a oposição também não pode se gabar de muita coisa. Caso contrário, receberia os votos destes descontentes. E por que não recebeu? Pelos motivos citados aqui, entre outros.

      Apesar do fanatismo de boa parte dos eleitores da Dilma e do populismo lulista, acredito que hoje existe uma boa parcela da sociedade que tem a intuição de que os méritos do presidente estão inflacionados pela publicidade oficial. A tarefa da oposição é abrir os olhos desta parcela da sociedade. Por isso que insisto tanto que para derrotar o PT antes é necessário desmitificar Lula. Ele tem que ser julgado pelo que realmente fez e não pelos bons resultados da nossa economia. Aliás, a oposição tem que assumir agora um compromisso com a verdade, seja para admitir os méritos do governo Lula como para criticá-lo. Portanto, a oposição deve ficar alerta para cada movimento da economia e procurar apontar as correlações das dificuldades que a Dilma vai enfrentar com os erros cometidos por Lula.

      Mesmo que a oposição faça tudo certo ainda assim será muito difícil combater o lulismo nos próximos anos. As perspectivas para o Brasil, apesar de Lula, ainda são muito boas. Se a Dilma conseguir reduzir o endividamento e, por tabela, reduzir os juros, o país vai continuar crescendo a pelo menos 5 ou 6%, o que certamente vai garantir a permanência do PT no poder.

      Portanto, acho que mais importante para a oposição é fazer um trabalho de longo prazo, um trabalho de educação dos nossos eleitores, sempre pautado na ética e na verdade. O perigo é a oposição se aproximar ainda mais da direita mais radical. Tais votos são necessários, mas os argumentos dos radicais de direita não devem aparecer. O PT não vai perder uma chance de continuar cultivando a imagem de defensores dos pobres e jogando o rótulo de elitista para a oposição.

  15. Sandro
    novembro 3, 2010 às 1:14 am

    Amilton,
    Segue trecho de interessantíssima entrevista com FHC publicada na Folha/UOL e que vai exatamente ao encontro do que se fala aqui e, principalmente, ao encontro do seu texto acima, a começar pelo título: FHC diz não endossar mais PSDB que não defenda a sua história

    Sobre a democracia no Brasil, o sr. escreveu, recentemente, que é uma maquinaria institucional em andamento, mas que lhe falta o “espírito”: “a convicção na igualdade perante a lei, a busca do interesse público e de um caminho para maior igualdade social”. Sinais desse espírito no processo eleitoral que se encerrou?

    Francamente não vejo. O presidente Lula desrespeitou a lei abundantemente. Do ponto de vista da cultura política, nós regredimos. Não digo do lado da mecânica institucional –a eleição foi limpa, livre. Mas na cultura política, demos um passo para trás, no caso do comportamento [de Lula] e da aceitação da transgressão, como se fosse banal.
    Houve abuso do poder político, que tem sempre um componente de poder econômico. Quantos prefeitos foram cassados aqui em São Paulo, por exemplo em Mauá, por abuso do poder econômico? Por nada, comparado com esse abuso a que assistimos agora. Não posso dizer que houve progresso da cultura democrática brasileira.
    Aqui está havendo outra confusão. Pensar que a democracia é simplesmente fazer com que as condições de vida melhorem. Ela é também, mas não se esqueça que as ditaduras fazem isso mais depressa.

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/824160-fhc-diz-nao-endossar-mais-psdb-que-nao-defenda-a-sua-historia.shtml

    • novembro 3, 2010 às 8:58 am

      Sandro,

      Concordo com cada palavra do ex-presidente. Incrível como a oposição, mesmo tendo alguém tão lúcido, não consegue achar um rumo. O motivo é aquele que criticamos aqui o tempo todo. A oposição escanteiou FHC por sua baixa popularidade. Acontece que sua baixa popularidade é fruto da desinformação, da falta de competência da oposição em esclarecer os méritos de FHC (inclusive da pouca preocupação que FHC demonstrou com o marketing, quando governo). Daí o porquê do PT investir tanto em publicidade. O PT percebeu muito bem isso. A desconstrução da imagem de FHC foi uma etapa no projeto de poder do PT. Por isso que insisto que a oposição tem que combater o mito Lula. Esta é a primeira etapa de um longo processo que pode ser concluído não nas próximas eleições, mas pode se estender por uma ou duas décadas. A oposição tem que trabalhar com esta perspectiva, infelizmente.

  16. Sandro
    novembro 4, 2010 às 2:51 pm

    Ratings podem subir com política fiscal de Dilma, diz Fitch:

    São Paulo – Os ratings de crédito do Brasil podem subir do mais baixo patamar do grupo de grau de investimento caso a presidente eleita, Dilma Rousseff, exerça “moderação fiscal” após assumir o cargo, em 1 de janeiro, disse a Fitch Ratings.
    Dilma deve frear o crescimento dos gastos públicos e reduzir o déficit evitando “complacência” à medida que dá sequência às políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse a Fitch em comunicado, fazendo coro aos comentários de ontem da Standard & Poor’s. As reformas fiscal e trabalhista são necessárias para aumentar o investimento o suficiente para acompanhar o ritmo do crescimento econômico, que deve superar os 7 por cento neste ano, disse a Fitch.

    “Rousseff está herdando uma economia saudável em que a receita fiscal deverá continuar crescendo a belas taxas”, disse o comunicado. “O desafio para seu governo é aproveitar essa oportunidade para moderar o atual crescimento nos gastos. Os níveis relativamente baixos de poupança e investimento limitam o potencial de crescimento econômico.”

    Em junho, a Fitch elevou sua perspectiva para o rating BBB- do Brasil para positiva, citando “dinâmicas de crescimento” e políticas “prudentes”. Os esforços para reduzir a dívida podem levar a uma “elevação mais rápida de seus ratings” e os ajustes fiscais são “muito importantes”, disse ontem Sebastian Briozzo, diretor da S&P na América Latina. A maior economia latino- americana foi elevada para grau de investimento pela Fitch e pela S&P em 2008 e pela Moody’s Investors Service no ano passado, após a disparada nas reservas cambiais do País.

    http://exame.abril.com.br/economia/brasil/noticias/ratings-podem-subir-com-politica-fiscal-de-dilma-diz-fitch

    Bom, segundo notícias anteriores, parece que ela não irá fazer nenhuma das duas reformas (fiscal e trabalhista)!

    Abs

    • novembro 4, 2010 às 4:29 pm

      Sandro,

      Se ela realmente frear o crescimento dos gastos públicos e zerar o déficit nominal (como queria Palloci ainda no primeiro mandato, ocasião em que ela foi contra) ela vai mostrar que amadureceu. Vai subir um pouco no meu conceito. É esperar para ver.

  17. Aldo
    novembro 4, 2010 às 9:01 pm

    Caro, Amilton. Vendo seu blog, constatei um erro grosseiro: vc disse que o Bolsa família tira a contra-partida do governo FHC, que era colocar as crianças na escola. Ora, qualquer um que trabalha em escolas, sabe que isso não é verdade. A contra-partida ainda continua.
    Não há como negar: o bolsa família, mesmo sendo “copiado” do governo FHC foi ampliado assombrosamente no governo Lula. Se essas pessoas se tornam “refens” do governo em tempo de eleição, isso é outra questão. Vc acha que se ainda estivéssimos no governo FHC, tantos pobres e miseráveis seriam beneficiados como foram no governo “populista” do lula?

    • novembro 4, 2010 às 10:35 pm

      Aldo,

      Vc está enganado. Quando os programas sociais foram unificados no Bolsa Família, por sugestão de um outro tucano, vale salientar, as contrapartidas foram logo “flexibilizadas”, tanto que o programa começou a ser utilizado para diversos outros fins. Como resultado, os dados oficiais do IBGE apontaram logo um retrocesso na educação fundamental, decorrente da queda na freqüência dos alunos das famílias atendidas.

      Só depois de muita crítica da imprensa e da oposição é que o Governo finalmente voltou a cobrar as contrapartidas do programa, já no final do primeiro governo Lula, como uma forma de atenuar as críticas, principalmente às vésperas das eleições. Apesar disso, os resultados continuaram pífios, tanto que já no ano seguinte, o próprio Ministério da Saúde já apontava a ausência de fiscalização em 68% das famílias beneficiadas. Tais falhas fizeram com que, por exemplo, os índices de vacinação e de nutrição entre famílias beneficiadas e não beneficiadas fossem praticamente iguais.

      Quanto ao aumento das verbas direcionadas para o programa aumentaram proporcionalmente ao crescimento do PIB. Ou seja, o governo não fez nada além que surfar na inércia do bom momento da economia.

      Concordo com vc apenas quanto ao número de famílias atendidas que, de fato, seria menor num eventual governo do PSDB, pois se as contrapartidas do programa fossem realmente fiscalizadas, como eram no governo anterior, boa parte dos benefícios seriam cancelados.

      Além do mais, o Bolsa Família passou a ser a tábua de salvação de Lula a partir do escândalo do mensalão. Daí os aumentos expressivos que tornaram Lula imbatível no Nordeste.

  18. novembro 5, 2010 às 1:26 am

    Amilton,
    Com relação à questão do Bolsa família, é realmente um assunto “delicado” tentar discuti-lo. Não sou contra o governo distribuir uma parcela de sua renda com os mais miseráveis de nosso imenso país. Sempre que debato com alguém sobre este assunto, fico meio sem jeito. FHC foi quem implantou os programas sociais (Bolsa escola, auxílio gás, Peti), mas foi Lula quem o “massificou” de forma relapsa. E foi isso que ajudou a consolidar o mito Lula.
    Quando dizemos que o BF é uma moeda eleitoral (e de fato é), somos imediatamente rotulados de insensíveis quanto à questão da fome. É claro que quem tem fome não pode esperar. E essa necessidade biológica básica e imprescindível, que é o direito a um mínimo de alimento, é usada maquiavelicamente a favor de Lula. O BF funciona em primeiro instante; a médio prazo torna-se um problema. Devemos dar o peixe, sim, mas também devemos ensinar a pescar, conforme o velho ditado.
    Cristóvam Buarque, um dos criadores do BF, viu na troca de “Bolsa Escola”, para “Bolsa Família”, algo muito além de uma simples questão de semântica. Segundo Buarque, ao retirar a palavra “escola” do programa, o governo tirou a ênfase dada à educação, princípio básico para o desenvolvimento econômico e social de pessoas carentes.

    “Colaborou para isso o fato de o Lula ter tirado o nome ‘escola’ do Bolsa Escola. Quando criei esse nome, havia um objetivo: colocar na cabeça da população pobre que a escola era algo tão importante que ela ganharia dinheiro para o filho estudar. O Lula chegou e disse: ‘A pobreza é uma coisa tão preocupante que você vai ganhar um benefício por ser pobre’. Deixou de ser uma contrapartida para a ida do filho à escola. Essa contrapartida não é cobrada com a devida ênfase.”

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Bolsa_Fam%C3%ADlia#cite_note-UOL-29

    • novembro 5, 2010 às 8:16 am

      Gilx,

      Concordo com vc. Está evidente que as intenções do governo no Bolsa Família foram mais eleitoreiras que humanitárias. Aliás, como disse no comentário anterior, o programa foi a tábua de salvação de Lula depois do escândalo do mensalão. Foi ele o principal responsável pela imensa popularidade alcançada por Lula no Nordeste. Lembre que em 2002 a votação do Lula no NE não foi nada expressiva. Agora se transformou em um reduto tão forte que passou a ser um obstáculo quase intransponível para a oposição. Aliás, o discurso correto da oposição de criar portas de saída para o programa até meados do 2º mandato foi completamente abandonado, justamente para tentar contrabalançar a unanimidade alcançada por Lula entre os beneficiados.

  19. aliancaliberal
    novembro 5, 2010 às 5:26 pm

    A bolsa familia não eo maior programa de distribuição de renda do nosso país a aposentadoria rural eo LOAS (que da auxilio a maiores de 65 anos sem renda),distribuem valores bem maiores que a bolsa familia.
    A bolsa familia (não tenho certeza)tem como origem ou e orientação de um programa da onu para erradicação da miseria no mundo .

  20. André Santos
    novembro 6, 2010 às 2:27 pm

    Bem, como já postei em outra oportunidade, sou do nordeste, e não concordo de plano, com a forma de distribuição de renda do bolsa família, isso não serve de “nada”, a não ser, como forma de manipulação de massa com o voto de cabresto (O voto de cabresto é um sistema tradicional de controle de poder político através do abuso de autoridade, compra de votos ou utilização da máquina pública. É um mecanismo muito recorrente nos rincões mais pobres do Brasil como característica do coronelismo), pois na verdade, muitos dos beneficiados não tiram proveito deste benefício como deveriam tirar, passam a ser como já era de se esperar de um povo inculto, a velha e batida frase, “estou as custas do governo e isto é bom”…Diante do mau uso do bolsa família, pois, em troca do recebimento dela, os filhos dos que as recebem deveriam está na escola, mas, eu vi, não me falaram, repito EU VI, várias crianças só freqüentam a escola por causa do bolsa família e muitas delas só vão as aulas quando estão perto de perder o benefício por causa das faltas as aulas, logo, não serviu para incentivo ao estudo. Não sendo isto pouco, ainda tem a opinião preconceituosa por parte de alguns brasileiros para com o nordeste, nem preciso citar exemplos, pois acho que já está mais do que batido este tipo de assunto nos últimos dias.
    Já morei em Brasília, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e mais recentemente em Rondônia e vi todo tipo de gente e miséria, não adianta tapar o sol com a peneira, o que mais me aborrece é a forma bairrista de discussão, se um governo fez ou não, isso pouco importa, o mais importante é que este tipo de assistencialismo eleitoreiro é um desrespeito aos menos esclarecidos, que são usados sem mesmo o saberem, a distribuição de renda é muito importante, mas, não como foi feito com a libertação dos escravos, onde os negros libertos ficaram na rua da amargura sem era nem beira, depois da Lei da Abolição dos escravos. Nós do nordeste devemos expressar a nossa indignação, não apontando os erros do mau uso do dinheiro público, mas, deixando claro que não somos miseráveis em relação ao resto do Brasil e que também somos brasileiros, se há exemplos como São Paulo e Minas Gerais, pois estão na frente em progresso, isso se deveu a política do café-com-leite, pesquisem, vide a história.
    E quanto aos movimentos separatistas? Nós contra eles? Os ricos contra os pobres? De quem partiu esta frase? Não precisamos deste tipo de política, somos admirados internacionalmente pela nossa hegemonia em idioma, extensão territorial e livre de todo tipo de instabilidade interna. Por que isso agora? STOP!!
    Nas eleições deste ano, fiz questão de visitar as escolas que estudei na infância e adolescência, e pasmem, a sala de aula que estudei em 1981, continua do mesmo jeito. Tem uma placa em uma delas, mostrando que foi feita uma reforma com o dinheiro do bolsa escola, sabem de quando é esta placa? De 1978, isso mesmo, de 1978, portanto, esta história de bolsa já é bem antiga. Quanto à ajuda ao nordeste, assim como no resto do Brasil, o que precisamos não é de assistencialismo barato e imediatista e sim de: dignidade; respeito; saúde; emprego; saneamento básico; água tratada; luz etc…Nós nordestinos sempre fomos o bode expiatório das eleições, as primeiras campanhas depois da era militar era sobre a luta contra a seca, depois a corrupção, depois foi a vez das casas populares as COHAB, e agora essa tal do bolsa família e minha casa minha vida, chega a ser ridículo isso, e ainda tem brasileiro que fala do nordestino como se ele também não morasse em um País com a maior taxa de desigualdade social, sem falar que muitos que moram no sudeste ou sul do país são descendentes de nordestinos…Gente vamos parar com a hipocrisia e vamos a luta, mas, a luta do bom combate e não essa baboseira de que fulano fez mais que beltrano, coloquem uma coisa na cabeça de uma vez por todas, quem fez, não fez mais que a obrigação, pois pagamos a eles para isso, e que não fez é um vagabundo que não merecerá mais nosso voto, disso podem ter certeza, o pior é que a maioria dos eleitores só se preocupam com governo e política, quando tem eleições e não acompanham e nem cobram dos que ainda estão no poder…VIVA A CPMF!!!…CADÊ A REFORMA TRIBUTÁRIA E O IMPOSTO SOBRE AS GRANDES FURTUNAS?*
    *O Imposto sobre Grandes Fortunas tem sua previsão constitucional no artigo 153,inciso VII da Constituição Federal de 1988, mas até a presente data não está instituído em nosso ordenamento jurídico. Este imposto foi e é utilizado em alguns países com várias justificativas, entre elas o de tornar o sistema tributário justo com a incidência de um tributo que atinja os mais afortunados cidadãos. No Brasil se fala em sua inclusão jurídica, com mais destaque hoje, como formas de redistribuição de renda, o que denota o descuido técnico de sua análise.

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