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Desabando novamente

novembro 7, 2009 7 comentários

desabafo

Iniciei este blog com um desabafo, expressando meu desencantamento político, mais especificamente sobre crise do Senado, agravada com as infelizes declarações do Presidente Lula diferenciando os cidadãos de primeira classe (no caso Sarney e, por extensão, ele próprio) e o resto (nós, o povão, os “zés ninguéns”).

Quatro meses depois, tudo continua como antes. Sarney continua exibindo seu bigodão e cara de paisagem na presidência do Senado; o Agaciel, depois de alguns meses de férias, já está de volta ao “trabalho”; os poucos atos secretos anulados voltaram a valer; a “reestruturação” capenga do Senado encomendada à FGV não deu em nada; a Comissão de “Ética” chapa-branca repleta de suplentes absolveu todo mundo e apenas o jornal Estado de São Paulo foi punido com a censura.

Mais uma vez, Lula, o ilusionista, o mestre da política, elevado por Chaves à categoria de divindade, deu nó em pingo d’água e deixou a já raquítica oposição a ver navios. Assim como no escândalo do Mensalão, que o presidente enterrou com o factóide do pagamento antecipado da dívida do FMI (que na verdade foi uma troca de títulos da dívida externa, com juros de 4%, por títulos da dívida interna, com juros entre 8% e 12%!), agora o “expert” em abafar crises, com know-how testado e aprovado, conseguiu mais uma vez colocar uma cortina de fumaça sobre tudo com a sua carta na manga guardada a sete chaves para a campanha eleitoral: o famoso Pré-sal.

Seu discurso “histórico”, na véspera do 7 de setembro, sob o manto do nacionalismo oportunista, trouxe de brinde mais um factóide: o suposto “pagamento da dívida externa”, que até hoje não foi contestado por ninguém de expressão nacional, nem pela imprensa, nem pela oposição.

E por falar em oposição, cadê a oposição? Lula faz tudo ao contrário do que alardeava quando oposição e o máximo que se ouve é um ou outro pronunciamento, geralmente do DEM, pois a maioria dos tucanos foge de Lula como o diabo foge da cruz. E por que todo este medo? Será que faltam argumentos?

Certamente não, pois tudo no Governo Lula está superestimado, supervalorizado pelo contexto histórico favorável e pela manipulação de dados e, infelizmente, a oposição não tem competência para mostrar isso ao público. Vejam o exemplo da dívida, o Governo FHC teve motivos concretos para aumentar a dívida interna, pois herdou grandes “esqueletos” do passado que vieram à tona com a queda da inflação. Lula não teve motivos para se endividar. Aliás, era para baixar a dívida pela metade com o superávit primário que ficou definido em lei e, no entanto, só a fez aumentar e camuflá-la com o excesso de dólares no mercado. A população não sabe disso. E por que não sabe? Por que a oposição não esclarece. É difícil falar de economia para a população? Então por que não fazer uma cartilha para leigos?

O mínimo que se poderia esperar da oposição era que ironizasse as ações do Governo sempre defendidas pelo PSDB e combatidas pelo PT oposição. Agora tudo se inverteu e a oposição se cala. A internet está repleta de vídeos mostrando as contradições do Lula de antes e de hoje. Em um deles, o presidente chega a chamar de imbecis aqueles que criticam o Bolsa Família (http://www.youtube.com/watch?v=83WUqpvddq8). Logo após aparece o então candidato Lula criticando os mesmos programas do PSDB que ele unificou e mudou de nome, já que seu Fome Zero não saiu do zero. Mas quantas pessoas vêem isso? Cadê a oposição para mostrar isso ao povo?

Até entendo que o PSDB não queira repetir a oposição irresponsável do PT, mas daí baixar a cabeça a tudo que Lula diz e faz é demais. Trata-se de uma questão ética. Se o presidente mudou de opinião sobre várias questões que antes criticava, deve, no mínimo, reconhecer publicamente que estava errado. Enquanto não reconhecer, a oposição tem que martelar a questão.

Lula, ao contrário, não só se apoderou de todos os méritos dos governos anteriores, como ainda tem a cara-de-pau de semear o ódio contra os seus opositores, principalmente nos comícios que já se tornaram rotina, sob a complacência da justiça eleitoral.

Sua tática é clara: quando faltam argumentos, desqualifica-se o adversário. Agora mesmo temos um exemplo disso nas críticas que FHC fez a Lula. A resposta dos governistas, como sempre, foi atribuir tais críticas à inveja do sociólogo ao ex-torneiro mecânico. Pronto. Está resolvida a questão. O mérito das críticas passou para o décimo plano. A questão ficou exatamente como Lula quer, na superficialidade. Na briga do “eles contra nós” Lula triunfa absoluto, pois aposta na ignorância da maioria da população que, além da memória curta, não sabe diferenciar o que é mérito do governante e o que é fruto de um contexto histórico.

A minoria da população que sabe fazer esta diferenciação está isolada na Internet, sendo agora combatida pelo exército de fanáticos recrutado pelo garoto propagandas do PT, Paulo Henrique Amorim, o qual censura os comentários que podem provocar “dúvidas” nos seus comandados. Incrível como tais “jornalistas” abandonaram completamente a compostura jornalística entregando-se de forma tão descarada a uma campanha política ininterrupta. Tudo agora gira em torno das eleições. Em tudo tem conspiração, tudo agora é culpa do “PIG”. Não basta a máquina governamental, que torra bilhões em publicidade e alicia MST, sindicatos e até o “movimento” estudantil, o Governo quer mais. Quer a unanimidade, quer todos os meios de comunicação aos seus pés, dóceis, vangloriando o “grande timoneiro”. Se criticar, é logo tachado de “PIG”, direitista, tucanalha, etc.

Nesta guerra, os assuntos realmente relevantes são ofuscados por questiúnculas. As contas do governo, que deveriam ser acompanhadas de perto por toda sociedade, ficam desfocadas pelas intrigas políticas, pelos cada vez mais comuns casos de corrupção, fatos isolados que logo são esquecidos com o aparecimento dos novos casos.

Enfim, passaram-se quatro meses onde mais uma vez prevaleceu o toma-lá-dá-cá, os conchavos, as bravatas e caras-de-pau. Durante este tempo dediquei uma parte de um tempo do qual não disponho para tentar chamar a reflexão pelo menos uma ínfima parte da população hipnotizada do Brasil.

Muita pretensão minha, sim, pois achei que poderia convencer algumas pessoas a não cometerem os mesmos erros que cometi no passado quando me envolvi cegamente, principalmente nas campanhas presidenciais do PT. Sempre fui idealista e em nome das idéias e das pessoas em quem acreditava já discuti acirradamente com muita gente, desde a adolescência quando acreditava no comunismo, passando pela faculdade, quando tive que atrasar meu curso por me envolver demais com política estudantil, até mais recentemente nas eleições de 2002, quando cheguei a brigar feio com familiares, esposa, cunhada e até com a sogra defendendo então candidato Lula.

Hoje vocês devem imaginar o meu desconforto ao tocar neste assunto com estas pessoas. Pior, algumas dessas pessoas que antes detestavam Lula agora o idolatram, sendo que uma delas já chegou até a se desculpar comigo pelas brigas do passado, admitindo que estava errado sobre o agora “melhor presidente do Brasil”!

Mais desconfortável ainda me sinto quando vejo a indiferença dos jovens de hoje em relação à política (tenho dois adolescentes em casa), principalmente num momento crucial como o que estamos vivendo, quando temos um presidente populista que não mede esforços em acirrar os ânimos da sociedade contra seus poucos opositores, escondendo-se por trás do manto sagrado do nacionalismo e reeditando o velho bordão da ditadura militar que tentava enquadrar os opositores do regime com o famoso “ame-o ou deixe-o”. Vejam que ironia: agora sou tachado de “anti-nacionalista”, partidário do “quanto pior melhor” e até “urubólogo”, justamente pelos petistas mais radicais, aqueles que viviam torcendo para o Brasil quebrar na era FHC para então chegar ao poder.

Tão grave quanto à indiferença é o fanatismo “neo-esquerdista” que agora se apodera dos poucos jovens que se julgam “politizados”. Achando-se os “donos da verdade”, repetem como papagaios todo o “bê-á-bá” do “nunca na história deste país”, sempre endeusando o ídolo Lula e satanizando FHC (e por extensão o Serra). Por aqui, por exemplo, já chegaram vários, sempre com o discursos prontinhos, a maioria tão frágeis que não resistem mais de duas ou três réplicas (podem conferir nos comentários postados em cada um dos posts e verão do que estou falando).

Enfim, vou ficando por aqui neste muro de lamentações. Vou dar uma parada nos posts por três meses para me dedicar a um projeto pessoal. Durante este tempo vou continuar respondendo os comentários e publicando alguma coisa no Twitter. Se meu projeto der realmente certo, volto a me dedicar a este hobby que é repassar um pouco da minha experiência, principalmente aos mais jovens. Caso contrário, deixo aqui a minha pequena contribuição a quem interessar.

Agradeço a todos os amigos que ajudaram a divulgar nosso blog, em especial aos tuiteiros @veluca, @tom_ssa, @carlabeatriz, @drmarcosobreira, @carolzanette, @ alvarodias_ , @SandraMBS, @MarcosPontes, @sukarno_cruz, @ruminamentos, @inconfidente , @sandrasimi @BeteFOMattos e tantos outros amigos que fiz aqui.

Abraço e até logo.

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Lula e a “Mídia Golpista” (PARTE 1)

imprensa

Nos últimos meses a Internet tem se transformado em um grande campo de batalha ideológica entre os defensores incondicionais do Presidente Lula e seus os críticos. Na verdade, este é um processo que vem ocorrendo em menor grau desde o escândalo do Mensalão, mas que arrefeceu após as eleições de 2006. Recentemente a batalha recomeçou devido principalmente a cinco graves erros políticos do Governo Lula.

Erro nº 1: o eterno palanque

O presidente, desde que assumiu o governo, nunca desceu do palanque. Em todas as oportunidades que teve de falar em público, procurou sempre se apoderar de todos os méritos pelo bom momento econômico que vive o país, fazendo comparações descontextualizadas em relação ao governo anterior, apesar de não mudar uma vírgula das políticas “neoliberais” herdadas e, paradoxalmente, tão criticadas quando oposição.

Os discursos embalados pelo famoso “nunca na história deste país” surtiram efeito e a popularidade do presidente foi ainda mais acentuada com a unificação e ampliação dos programas sociais implantados pelo governo anterior, rebatizado agora de Bolsa Família.

Claro que uma parcela menor da população percebeu tais manobras políticas do presidente, principalmente entre os jornalistas. Surgia então o embrião do que os partidários do presidente viriam a chamar mais adiante de “Mídia Golpista”.

Erro nº 2: o desejo expresso de presidente de controlar a imprensa

Já nas primeiras críticas ao seu governo, o presidente Lula fez questão de expressar seu desejo de criar “algum mecanismo de controle externo da mídia”. O presidente já mostrava, ainda no seu primeiro mandato, sua simpatia pelo autoritarismo que começava a ser implantado na Venezuela de Hugo Chaves.

O assunto, claro, repercutiu muito mal na imprensa traumatizada com as duas décadas de regime militar. O embrião da “Mídia Golpista” se desenvolveu mais um pouco.

Erro nº 3: a antecipação da campanha

Os primeiros indícios da antecipação da campanha eleitoral foram as sucessivas manobras em direção ao terceiro mandato. Derrotada a proposta, o Governo partiu para o plano B: o lançamento da ministra Dilma Roussef como candidata à sucessão. O palanque foi ainda mais ampliando, tanto com a presença da candidata, quanto pelo badalado Plano de Aceleração do Crescimento. Surgia então a “mãe do PAC”.

Se o Bolsa Família encantou as massas, o PAC encantou os prefeitos e governadores, que viram nos bilhões anunciados pelo Governo a oportunidade de reforçarem suas “realizações” e, de quebra, seus votos nas eleições municipais.  Todo mundo queria pousar na foto ao lado do presidente. No encontro de prefeitos em Brasília, por exemplo, foi disponibilizado até um estúdio de fotografias para criar montagens de candidatos ao lado de Lula. Mais uma vez a tática funcionou e o presidente atingiu os seus comemorados 80% de aprovação.

Claro que uma parcela da população continuou a perceber tais manobras. As seções de comentários dos grandes colunistas políticos começaram a receber cada vez mais comentários de cidadãos cada vez mais críticos, endossando os artigos cada vez mais contundentes sobre os excessos do presidente.

Erro nº 4: a relação promíscua com o PMDB

O fortalecimento do PMDB nas eleições municipais de 2008 levou também o partido “amigo do poder” a aumentar seu número de ministérios, além de cargos importantes nas estatais e no Congresso. O presidente, no auge dos seus “80%”, cedeu tudo que o ressurgido das cinzas Renan Calheiros pediu. Em troca, claro, o partidão dava-lhe o apoio incondicional ao projeto de perpetuação no poder do Governo Lula.

Claro que uma parcela da população percebia tais manobras e já não conseguia calar diante de tantas aberrações políticas. E aí veio a gota d’água: a interferência do presidente Lula na eleição do candidato José Sarney à presidência do Senado, preterindo, inclusive, o candidato do seu próprio partido.

A esta altura, alguns colunistas importantes já havia assumido definitivamente uma posição de oposição ao governo, como Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, por exemplo. Em contraposição, alguns colunistas financiados pelo Governo, como Paulo Henrique Amorim, Nassif e Azenha, por exemplo, escancararam de vez a campanha política pró endeusamento de Lula e, de quebra, da candidata Dilma.

rro nº 5: apoio incondicional a Sarney

A crise no Senado já se arrastava há anos, tendo inclusive dois presidentes consecutivos (Jáder Barbalho e Renan Calheiros – ambos do PMDB) renunciado em meio a uma sucessão de escândalos. A eleição da Sarney foi apenas mais um episódio da crise, agravada com as manobras do presidente Lula para elegê-lo e com a sua indisfarçável vaidade ao fingir que não queria ser candidato, repetindo a velha retórica coronelista de que foi “convocado” pela vontade da maioria para assumir o cargo.

Ferido, o PT recolheu-se a posição de coadjuvante no jogo político do Senado. E aí começaram a surgir as primeiras de uma sucessão interminável de denúncias contra o velho coronel (comenta-se nos bastidores que as primeiras denúncias teriam vindo do próprio PT descontente com a manobra para eleger Sarney).

Como na retórica coronelista a melhor defesa é o ataque, Sarney atribuiu as denúncias a uma terrível “campanha midiática”. Lula, confiante nos seus 80% de popularidade, fez coro ao presidente do STF, Gilmar Mendes, na crítica ao “denuncismo” da imprensa e fez questão de diferenciar Sarney do cidadão comum, tendo chegado a aconselhar o Procurador Geral da República a ter cuidado com as “biografias” dos investigados (falando inclusive de uma possível “castração de poder” do Ministério Público).

Rasgando o diploma de jornalista

O acirramento das disputas políticas na Internet alterou também a forma de fazer jornalismo. A responsabilidade em mostrar ambos os lados da notícia deixou de ser uma preocupação. A parcialidade de ambos os lados fica cada dia mais evidente. Entre os críticos do Governo, há uma grande preocupação com a liberdade de imprensa, cada vez mais suprimida na Venezuela de Hugo Chaves, o grande representante do “neo-socialismo” do século XXI, linha ideológica defendida por Lula. Do lado governista, as “conspirações da direita golpista” seriam as reais razões da crise do Senado e da CPI da Petrobrás.

Para fazer frente à maioria dos colunistas de oposição, os colunistas governistas acirraram os discursos a tal ponto que a os títulos das boas notícias da área econômica são sempre acompanhados agora de um inacreditável “Bye, bye Serra!”.

Os apelidos e termos pejorativos tornaram-se cada vez mais comuns. Os lulistas são chamados agora de “petralhas”, enquanto que os anti-lula são chamados de “demotucanos”, “tucanalhas”, etc.

A imaginação de conspirações também chegou às raias da loucura. Paulo Henrique Amorim, por exemplo, chegou a alardear em seu blog a seguinte “conspiração”: “TIRAR SARNEY É O GOLPE DE ESTADO DE DIREITA”. Segundo agora “blogueiro”, o PIG (Partido da Imprensa Golpista) quer derrubar Lula. Se Lula cair, assume o vice. Se o vice morrer, assume Temer. Se Temer recusar(?), assumiria Perillo (já contando que Sarney tivesse renunciado por causa da “campanha midiática” em curso – mais um “se”) e então, o mentor de tudo isso, o impopular Gilmar Mendes (que o PHA quer a todo custo jogar para a oposição, quando, na verdade, suas idéias estão em plena sintonia com as de Lula e do Sarney, no que concerne a diferenciação de indivíduos com ou sem “biografia”), assumiria por pelo menos 48 horas!!! Neste pequeno intervalo de tempo Gilmar Mendes teria então uma lista de “tarefas urgentes”, entre as quais a principal seria a privatização da Petrobrás e a venda do Pré-sal!  (Se duvidarem, está aqui o link http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=14876)

E o mais surreal disso tudo é que existem mais 100 comentários de leitores “alarmados” com a iminência de tamanho “golpe”. Tentei postar alguns comentários lá, mas todos foram censurados. Ao procurar o email do “jornalista” para lhe dirigir uma crítica direta me defrontei com sua apresentação em “Quem Somos”, onde PHA se diz um representante de um novo jornalismo “colaboralivo” e “DEMOCRÁTICO”!

Para ver a segunda parte deste artigo, clique aqui.

As infelizes declarações do Presidente Lula

lula_defendendo_sarney

Neste post eu havia programado para iniciar uma série de comparações entre os governos do PT e os anteriores. Mas, diante das infelizes declarações do presidente Lula nesta semana, resolvi mudar um pouco o roteiro e repercutir um pouco mais estes novos eventos.

Embora as emissoras de TV tenham focado nas gravações que comprovam as ligações de Sarney com o Agaciel Maia (desmentindo-o, já que ele jurou no plenário que não sabia o que eram os “atos secretos” assinados pelo seu apadrinhado Agaciel), as declarações do presidente Lula na posse do novo procurador, Roberto Gurgel, repercutiram muito mais entre os analistas políticos, devido a três grandes absurdos proferidos pelo presidente:

Absurdo 1:
Mesmo depois de toda repercussão negativa de suas declarações em favor de Sarney, diferenciando os cidadãos comuns dos políticos perante a lei, o presidente não só reafirmou as declarações anteriores, como “aconselhou” os procuradores a “ter cuidado com as ‘biografias’ dos investigados”.

Absurdo 2:
O presidente tentou intimidar os procuradores lembrando que existe no Senado um projeto que pode “castrar” poderes do Ministério Público. Lula se refere ao projeto do Dep. Paulo Maluf (já aprovado na Câmara) que impede o MP de investigar casos em que haja “perseguição política”. Como qualquer acusação feita aos políticos são atribuídas à perseguições políticas, na prática, o projeto praticamente impede o MP de investigar as vossas “excelências”.

Absurdo 3:
Esquecendo mais uma vez o seu passado, o presidente voltou a criticar eventuais “pirotecnias” que venham a ocorrer nas investigações do Ministério Público. A observação de Lula endossa as afirmações do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, o qual usou o mesmo termo para criticar a operação da Polícia Federal que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, libertando-o duas vezes em 48 horas, num episódio provocou grande indignação da sociedade por diferenciar ricos e pobres perante à lei.

As declarações do presidente cada vez mais enfáticas em relação ao presidente do Senado José Sarney mostram o quanto ele está inflado por sua popularidade. Certamente ele calcula que tal apoio a Sarney vai lhe custar um ou dois pontos a menos de popularidade, porém nada que atrapalhe seu projeto de eleger sua sucessora em 2010 e voltar em 2014 ainda mais poderoso. O presidente, aliás, já adquiriu “know-how” em colocar panos quentes em escândalos. Desde o episódio do Mensalão, quando demonstrou ficar bastante abatido nos primeiros momentos, o presidente reforçou seus comícios entre as classes menos informadas e nunca mais esboçou um só gesto de remorso ou tristeza diante dos descalabros da política (sobretudo do seu partido e familiares).
Em outras palavras, o presidente está se lixando para a opinião pública, pois sabe que conta com o apoio incondicional dos milhões de assistidos pelo Bolsa Família, dos movimentos sociais que recebem recursos do governo, como o MST e o MSLT, além de setores corporativos do serviço público (que ganharam expressivos aumentos nos últimos meses) e até entre uma parcela dos estudantes representados pela UNE, que também recebem recursos do Governo Federal.

Outra aposta do presidente é jogar uma cortina de fumaça sobre os escândalos, polarizando cada vez mais a disputa eleitoral, a exemplo de seu amigo Hugo Chaves, que quase levou a Venezuela a uma guerra civil. Atribuindo às denúncias a uma “campanha midiática”contra as chamadas “forças populares”do seu governo, o presidente inflama os ânimos dos seus eleitores que passam a defendê-lo incondicionalmente, mesmo quando pesam contra ele desvios éticos, como os apontados acima.

Alguns tentam justificar as infelizes declarações do presidente com a importância do apoio do PMDB para manter a “governabilidade” e para garantir a eleição de sua sucessora nas próximas eleições. Partindo para o contra-ataque, o bloco governista tenta mostrar casos semelhantes de corrupção no governo FHC, aumentando ainda mais a sensação de corrupção generalizada entre os eleitores um pouco mais informados.

Tal sensação, no entanto, ao invés de provocar uma indignação generalizada, tem provocado também inércia cada vez maior na sociedade, pois a conclusão mais comum disso tudo é a de que “políticos são todos corruptos” e/ou “os partidos são farinha do mesmo saco”. Daí a mais infeliz das conclusões: “corrupto por corrupto, fico com o que rouba mas faz”. A ironia da frase é que ela ficou famosa nas eleições do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, conhecido por suas mil picaretagens. Ou seja, Lula está a cada dia mais parecido com Maluf , deixando o pior legado que poderia deixar para uma nação: a desilusão política, pois a esperança que se tinha de que o PT era um partido ético se desfez.

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Para ver as primeiras declarações do Presidente sobre Sarney, clique aqui.

Para ver a matéria do Estadão sobre o assunto, clique aqui.

Desabafando

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Decidi criar este blog depois de ver hoje o discurso constrangedor do senador Aluísio Mercadante, fazendo um incrível exercício verborrágico para defender e justificar o injustificável. Ou seja, o apoio do PT a Sarney!

Fiquei surpreso comigo mesmo quando, num aparte do senador Agripino Maia, me peguei torcendo por este senador, fazendo minhas suas palavras, quando tentava enquadrar o agora fantoche Mercadante. E pensar que algum dia eu, que já fui militante do PT, que tinha o Mercadente como um exemplo e que tinha náusea quando via qualquer político do PDS/PFL falar, e agora me flagrar torcendo pelo Agripino. Ufa! Não mudei de lado, mas é que a coisa no PT ficou tão feia que o DEM está parecendo agora até mais palatável. Que tristeza!

O que aconteceu com a ética? A “governabilidade” alegada por Mercadante justifica esta absurda situação de ver agora Lula definir quem preside ou não o Congresso e colocar a ética na lata do lixo de forma tão descarada? Para que serve então o Senado? Para vermos Renan Calheiros reinar absoluto nos bastidores barganhando os votos da grande prostituta da política brasileira (o PMDB) com cargos e mais cargos no governo? Para ver a triste figura do ex-presidente Collor voltar à cena política, agora como capacho de Renan? E o que dizer da farra do Agaciel, colocado no Senado pelo então presidente Sarney, que agora jura de pés juntos que não tem nada a ver com a crise do senado? E o nosso presidente, agora usando seu “know-how” em abafar escândalos para blindar Sarney com sua popularidade de 80%, colocando-o literalmente acima da lei? (Certamente porque também se acha acima da lei). E a chamada “bancada ética”, também incluída na lista dos beneficiados dos atos secretos do Agaciel?

No meio desse terremoto, a oposição segue perdida como cego em tiroteio, sem poder falar muito alto, uma vez que o DEM presidiu a mesa diretora e, certamente, sabia tudo que acontecia.

A coisa chegou a tal ponto que os senadores (e deputados, por extensão) nem mais se preocupam em esconder as trocas de cargos por votos. Ou seja, a natureza do que está sendo votado passou para segundo plano. O governo decide o que deve ser votado e a bancada de apoio vota em bloco, pois os votos são previamente “negociados”.

Se o Senado, e por extensão o Congresso, serve apenas para barganhar cargos no governo e nas estatais, então não tem razão para existir. Aliás, seria uma grande economia para o Brasil extingui-lo, pois assim economizaríamos mais R$ 3 bilhões por ano.