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Lula e a “Mídia Golpista” (PARTE 3)

imprensa

Terminamos o segundo post desta série com uma pergunta: a quem interessa uma imprensa desmoralizada? A resposta é óbvia: a todos os corruptos do país, especialmente os corruptos políticos.

Neste contexto, o atual Governo presta um grande desserviço a nossa democracia, pois, ao usar sua popularidade para colocar a sociedade contra a imprensa, Lula coloca a faca e o queijo nas mãos dos congressistas para que estes elaborem uma nova lei de imprensa, de acordo com seus interesses.

Um mau prenúncio

O projeto de lei do Dep. Paulo Maluf que limita os poderes do Ministério Público na investigação de políticos é uma mostra do que pode vir a ocorrer num futuro com uma nova lei de imprensa criada por um Congresso em conflito com a mídia. Este mesmo projeto (já aprovado na Câmara e atualmente em tramitação no Senado) foi usado pelo próprio presidente Lula para “alertar” o Ministério Público com uma possível “castração de poderes”, caso o novo procurador geral da república não tivesse cuidado com as “biografias” dos investigados (no caso, Sarney). Para quem não sabe, o tal projeto proíbe a atuação do Ministério Público de investigar parlamentares quando “existirem motivações políticas” nas iniciativas dos procuradores. O problema é que os políticos usam a desculpa da “perseguição política” para se defenderem de quaisquer acusações. Logo, a atuação do Ministério Público, uma das poucas instituições de respeito do país, pode ficar de mãos atadas para investigar os políticos, caso tal projeto seja aprovado.

O verdadeiro golpe

Desde o fim da ditadura militar, parlamentares e jornalistas travam uma verdadeira batalha nos debates sobre para a criação de uma nova lei de imprensa. Em 1992, o Senado chegou até a votar uma lei que previa, entre outras coisas, a volta de um dos mais autoritários dispositivos da lei da instituída no período militar, que previa a prisão de jornalistas como punição para supostos delitos de imprensa. Para punir e principalmente inibir os meios de comunicação, os senadores ainda instituíram multas entre 10 e 20% do faturamento anual das empresas, valores que poderiam ser acrescidos em até 50% em caso de reincidência!!!

Felizmente o tal projeto de lei não foi sancionado e as discussões prosseguiram ao longo dos anos, chegando ao absurdo de termos hoje uma lei revogada e um projeto ainda em tramitação.  Ou seja, o Brasil é hoje o único país do mundo que não tem uma lei de imprensa.

Tal situação possibilita que Sarney, por exemplo, use dispositivos correlatos existentes nos códigos Civil e Penal (editados em plena ditadura Vargas) para censurar o jornal Estadão e veículos de comunicação do Maranhão e do Amapá.

Também usando os mesmos artifícios, a Igreja Universal do bispo Edir Macedo tem também minado os grandes jornais paulistas com milhares de processos em diversas comarcas espalhadas em todas as regiões do país. O “bispo”, aliás, tem engrossado o coro governista na guerra contra a “mídia golpista”, especialmente em relação à Rede Globo, hoje último obstáculo para a ascensão da sua Rede Record ao topo da audiência.

Em outra frente de combate a “mídia golpista”, os blogueiros a serviço do Lulismo (PHA e Azenha, por exemplo) aproveitam a ainda livre blogosfera para denegrir e promover o boicote dos seus “fiéis” leitores aos veículos de comunicação incluídos na lista negra do “PIG”, sigla de “Partido da Imprensa Golpista”, termo inventado pelo deputado petista Fernando Ferro e   popularizado por Paulo Henrique Amorim.

Se hoje existe uma grita geral nos três poderes contra a divulgação da imprensa de gravações e documentos obtidos de forma “ilegal”, no futuro certamente teremos na nova lei de imprensa proibindo tais reportagens classificadas por Lula como “denuncistas”.  Ou seja, será o fim das reportagens investigativas, pois os veículos de comunicação terão que ficar excessivamente cautelosos. E aí teremos uma autêntica “democracia autoritária”, bem nos moldes venezuelanos, onde veículos de comunicação de oposição ao governo são fechados e os jornalistas que continuam na ativa se sentem cada vez mais policiados ideologicamente.

Neste cenário cada dia mais radicalizado, pode sobrar para a Internet alguns “dispositivos legais” da lei de imprensa e eleitoral com o objetivo de proteger a “honra” das vossas excelências. Se isto ocorrer, espaços como este aqui certamente não terão a mesma liberdade para criticar os desmandos e abusos dos nossos ilustres representantes.

Quem perde com isso, claro, é a sociedade, pois a divulgação das falcatruas das nossas “excelências” é uma das poucas formas de punição que ainda funcionam neste país, já que bandido de colarinho branco não fica mais de um dia na cadeia (e nem sequer mais usa algemas por determinação do ilustre ministro do STF, Gilmar Mendes).

Blogs versus jornalões

Com a ascensão da Internet como meio de comunicação, existe uma tendência mundial de diminuição de importância dos grandes jornais, o que já se reflete nas reduções de tiragens e fechamento tais veículos. Nos EUA, por exemplo, todos os grandes jornais estão em crise. No Brasil, os principais jornais de alcance nacional (Folha, Estadão e O Globo) também têm reduzido suas tiragens.

No sentido inverso, os blogs políticos crescem a cada dia em importância. O blog de Noblat, por exemplo, em alguns momentos chega a ter mais audiência que os maiores portais do Brasil, entre os quais incluem-se as próprias versões on-line dos grandes jornais.

O problema desta nova realidade é que os blogs, além de terem um caráter mais opinativo, seus colunistas costumam exagerar na contundência de suas críticas, tanto ao governo quanto à oposição. Diferente de um grande jornal, por exemplo, onde as matérias são revisadas e analisadas pelos editores antes de serem publicadas, nos blogs as informações são disseminadas instantaneamente de forma direta ao público, na maioria das vezes sem o cuidado necessário na checagem das fontes.

O problema da distorção das informações nestes veículos é acentuado por dois fatores: o primeiro é a participação online dos leitores levando os pontos de vistas do colunista aos extremos (já que estes podem se apresentar com nomes e emails falsos e, portanto, se sentem no direito de falar qualquer coisa); o segundo é a censura de comentários contrários à opinião do colunista, o que provoca uma concentração de opiniões concordantes, levando aos leitores destes espaços a visões distorcidas da realidade e a um acirramento da guerra ideológica entre governistas e oposição (ver o exemplo do Paulo Henrique Amorim no primeiro artigo desta série).

Claro que em algum momento alguma coisa terá que ser feita para regulamentar a blogosfera. O problema é que qualquer iniciativa neste sentido será motivo de grande polêmica, principalmente em um ambiente de crise institucional com os três poderes em guerra com a imprensa. Coragem para enfrentar a opinião pública os congressistas já demonstraram ter no arquivamento das denúncias contra Sarney, principalmente quando contam com o apoio de um presidente com altos índices de aprovação.

Enfim, estamos caminhando para um terreno perigoso, caminho já trilhado pela Venezuela de Hugo Chaves. Nosso presidente da república, de forma consciente ou não, tem sido um dos principais vetores deste processo, ao colocar seus interesses pessoais acima dos interesses da Nação e ao tentar colocar a sociedade contra a imprensa, o principal instrumento de policiamento dos nossos políticos que dispomos hoje.

Para ver o primeiro post desta série, clique aqui.

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Lula e a “Mídia Golpista” (PARTE 1)

imprensa

Nos últimos meses a Internet tem se transformado em um grande campo de batalha ideológica entre os defensores incondicionais do Presidente Lula e seus os críticos. Na verdade, este é um processo que vem ocorrendo em menor grau desde o escândalo do Mensalão, mas que arrefeceu após as eleições de 2006. Recentemente a batalha recomeçou devido principalmente a cinco graves erros políticos do Governo Lula.

Erro nº 1: o eterno palanque

O presidente, desde que assumiu o governo, nunca desceu do palanque. Em todas as oportunidades que teve de falar em público, procurou sempre se apoderar de todos os méritos pelo bom momento econômico que vive o país, fazendo comparações descontextualizadas em relação ao governo anterior, apesar de não mudar uma vírgula das políticas “neoliberais” herdadas e, paradoxalmente, tão criticadas quando oposição.

Os discursos embalados pelo famoso “nunca na história deste país” surtiram efeito e a popularidade do presidente foi ainda mais acentuada com a unificação e ampliação dos programas sociais implantados pelo governo anterior, rebatizado agora de Bolsa Família.

Claro que uma parcela menor da população percebeu tais manobras políticas do presidente, principalmente entre os jornalistas. Surgia então o embrião do que os partidários do presidente viriam a chamar mais adiante de “Mídia Golpista”.

Erro nº 2: o desejo expresso de presidente de controlar a imprensa

Já nas primeiras críticas ao seu governo, o presidente Lula fez questão de expressar seu desejo de criar “algum mecanismo de controle externo da mídia”. O presidente já mostrava, ainda no seu primeiro mandato, sua simpatia pelo autoritarismo que começava a ser implantado na Venezuela de Hugo Chaves.

O assunto, claro, repercutiu muito mal na imprensa traumatizada com as duas décadas de regime militar. O embrião da “Mídia Golpista” se desenvolveu mais um pouco.

Erro nº 3: a antecipação da campanha

Os primeiros indícios da antecipação da campanha eleitoral foram as sucessivas manobras em direção ao terceiro mandato. Derrotada a proposta, o Governo partiu para o plano B: o lançamento da ministra Dilma Roussef como candidata à sucessão. O palanque foi ainda mais ampliando, tanto com a presença da candidata, quanto pelo badalado Plano de Aceleração do Crescimento. Surgia então a “mãe do PAC”.

Se o Bolsa Família encantou as massas, o PAC encantou os prefeitos e governadores, que viram nos bilhões anunciados pelo Governo a oportunidade de reforçarem suas “realizações” e, de quebra, seus votos nas eleições municipais.  Todo mundo queria pousar na foto ao lado do presidente. No encontro de prefeitos em Brasília, por exemplo, foi disponibilizado até um estúdio de fotografias para criar montagens de candidatos ao lado de Lula. Mais uma vez a tática funcionou e o presidente atingiu os seus comemorados 80% de aprovação.

Claro que uma parcela da população continuou a perceber tais manobras. As seções de comentários dos grandes colunistas políticos começaram a receber cada vez mais comentários de cidadãos cada vez mais críticos, endossando os artigos cada vez mais contundentes sobre os excessos do presidente.

Erro nº 4: a relação promíscua com o PMDB

O fortalecimento do PMDB nas eleições municipais de 2008 levou também o partido “amigo do poder” a aumentar seu número de ministérios, além de cargos importantes nas estatais e no Congresso. O presidente, no auge dos seus “80%”, cedeu tudo que o ressurgido das cinzas Renan Calheiros pediu. Em troca, claro, o partidão dava-lhe o apoio incondicional ao projeto de perpetuação no poder do Governo Lula.

Claro que uma parcela da população percebia tais manobras e já não conseguia calar diante de tantas aberrações políticas. E aí veio a gota d’água: a interferência do presidente Lula na eleição do candidato José Sarney à presidência do Senado, preterindo, inclusive, o candidato do seu próprio partido.

A esta altura, alguns colunistas importantes já havia assumido definitivamente uma posição de oposição ao governo, como Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, por exemplo. Em contraposição, alguns colunistas financiados pelo Governo, como Paulo Henrique Amorim, Nassif e Azenha, por exemplo, escancararam de vez a campanha política pró endeusamento de Lula e, de quebra, da candidata Dilma.

rro nº 5: apoio incondicional a Sarney

A crise no Senado já se arrastava há anos, tendo inclusive dois presidentes consecutivos (Jáder Barbalho e Renan Calheiros – ambos do PMDB) renunciado em meio a uma sucessão de escândalos. A eleição da Sarney foi apenas mais um episódio da crise, agravada com as manobras do presidente Lula para elegê-lo e com a sua indisfarçável vaidade ao fingir que não queria ser candidato, repetindo a velha retórica coronelista de que foi “convocado” pela vontade da maioria para assumir o cargo.

Ferido, o PT recolheu-se a posição de coadjuvante no jogo político do Senado. E aí começaram a surgir as primeiras de uma sucessão interminável de denúncias contra o velho coronel (comenta-se nos bastidores que as primeiras denúncias teriam vindo do próprio PT descontente com a manobra para eleger Sarney).

Como na retórica coronelista a melhor defesa é o ataque, Sarney atribuiu as denúncias a uma terrível “campanha midiática”. Lula, confiante nos seus 80% de popularidade, fez coro ao presidente do STF, Gilmar Mendes, na crítica ao “denuncismo” da imprensa e fez questão de diferenciar Sarney do cidadão comum, tendo chegado a aconselhar o Procurador Geral da República a ter cuidado com as “biografias” dos investigados (falando inclusive de uma possível “castração de poder” do Ministério Público).

Rasgando o diploma de jornalista

O acirramento das disputas políticas na Internet alterou também a forma de fazer jornalismo. A responsabilidade em mostrar ambos os lados da notícia deixou de ser uma preocupação. A parcialidade de ambos os lados fica cada dia mais evidente. Entre os críticos do Governo, há uma grande preocupação com a liberdade de imprensa, cada vez mais suprimida na Venezuela de Hugo Chaves, o grande representante do “neo-socialismo” do século XXI, linha ideológica defendida por Lula. Do lado governista, as “conspirações da direita golpista” seriam as reais razões da crise do Senado e da CPI da Petrobrás.

Para fazer frente à maioria dos colunistas de oposição, os colunistas governistas acirraram os discursos a tal ponto que a os títulos das boas notícias da área econômica são sempre acompanhados agora de um inacreditável “Bye, bye Serra!”.

Os apelidos e termos pejorativos tornaram-se cada vez mais comuns. Os lulistas são chamados agora de “petralhas”, enquanto que os anti-lula são chamados de “demotucanos”, “tucanalhas”, etc.

A imaginação de conspirações também chegou às raias da loucura. Paulo Henrique Amorim, por exemplo, chegou a alardear em seu blog a seguinte “conspiração”: “TIRAR SARNEY É O GOLPE DE ESTADO DE DIREITA”. Segundo agora “blogueiro”, o PIG (Partido da Imprensa Golpista) quer derrubar Lula. Se Lula cair, assume o vice. Se o vice morrer, assume Temer. Se Temer recusar(?), assumiria Perillo (já contando que Sarney tivesse renunciado por causa da “campanha midiática” em curso – mais um “se”) e então, o mentor de tudo isso, o impopular Gilmar Mendes (que o PHA quer a todo custo jogar para a oposição, quando, na verdade, suas idéias estão em plena sintonia com as de Lula e do Sarney, no que concerne a diferenciação de indivíduos com ou sem “biografia”), assumiria por pelo menos 48 horas!!! Neste pequeno intervalo de tempo Gilmar Mendes teria então uma lista de “tarefas urgentes”, entre as quais a principal seria a privatização da Petrobrás e a venda do Pré-sal!  (Se duvidarem, está aqui o link http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=14876)

E o mais surreal disso tudo é que existem mais 100 comentários de leitores “alarmados” com a iminência de tamanho “golpe”. Tentei postar alguns comentários lá, mas todos foram censurados. Ao procurar o email do “jornalista” para lhe dirigir uma crítica direta me defrontei com sua apresentação em “Quem Somos”, onde PHA se diz um representante de um novo jornalismo “colaboralivo” e “DEMOCRÁTICO”!

Para ver a segunda parte deste artigo, clique aqui.

As infelizes declarações do Presidente Lula

lula_defendendo_sarney

Neste post eu havia programado para iniciar uma série de comparações entre os governos do PT e os anteriores. Mas, diante das infelizes declarações do presidente Lula nesta semana, resolvi mudar um pouco o roteiro e repercutir um pouco mais estes novos eventos.

Embora as emissoras de TV tenham focado nas gravações que comprovam as ligações de Sarney com o Agaciel Maia (desmentindo-o, já que ele jurou no plenário que não sabia o que eram os “atos secretos” assinados pelo seu apadrinhado Agaciel), as declarações do presidente Lula na posse do novo procurador, Roberto Gurgel, repercutiram muito mais entre os analistas políticos, devido a três grandes absurdos proferidos pelo presidente:

Absurdo 1:
Mesmo depois de toda repercussão negativa de suas declarações em favor de Sarney, diferenciando os cidadãos comuns dos políticos perante a lei, o presidente não só reafirmou as declarações anteriores, como “aconselhou” os procuradores a “ter cuidado com as ‘biografias’ dos investigados”.

Absurdo 2:
O presidente tentou intimidar os procuradores lembrando que existe no Senado um projeto que pode “castrar” poderes do Ministério Público. Lula se refere ao projeto do Dep. Paulo Maluf (já aprovado na Câmara) que impede o MP de investigar casos em que haja “perseguição política”. Como qualquer acusação feita aos políticos são atribuídas à perseguições políticas, na prática, o projeto praticamente impede o MP de investigar as vossas “excelências”.

Absurdo 3:
Esquecendo mais uma vez o seu passado, o presidente voltou a criticar eventuais “pirotecnias” que venham a ocorrer nas investigações do Ministério Público. A observação de Lula endossa as afirmações do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, o qual usou o mesmo termo para criticar a operação da Polícia Federal que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, libertando-o duas vezes em 48 horas, num episódio provocou grande indignação da sociedade por diferenciar ricos e pobres perante à lei.

As declarações do presidente cada vez mais enfáticas em relação ao presidente do Senado José Sarney mostram o quanto ele está inflado por sua popularidade. Certamente ele calcula que tal apoio a Sarney vai lhe custar um ou dois pontos a menos de popularidade, porém nada que atrapalhe seu projeto de eleger sua sucessora em 2010 e voltar em 2014 ainda mais poderoso. O presidente, aliás, já adquiriu “know-how” em colocar panos quentes em escândalos. Desde o episódio do Mensalão, quando demonstrou ficar bastante abatido nos primeiros momentos, o presidente reforçou seus comícios entre as classes menos informadas e nunca mais esboçou um só gesto de remorso ou tristeza diante dos descalabros da política (sobretudo do seu partido e familiares).
Em outras palavras, o presidente está se lixando para a opinião pública, pois sabe que conta com o apoio incondicional dos milhões de assistidos pelo Bolsa Família, dos movimentos sociais que recebem recursos do governo, como o MST e o MSLT, além de setores corporativos do serviço público (que ganharam expressivos aumentos nos últimos meses) e até entre uma parcela dos estudantes representados pela UNE, que também recebem recursos do Governo Federal.

Outra aposta do presidente é jogar uma cortina de fumaça sobre os escândalos, polarizando cada vez mais a disputa eleitoral, a exemplo de seu amigo Hugo Chaves, que quase levou a Venezuela a uma guerra civil. Atribuindo às denúncias a uma “campanha midiática”contra as chamadas “forças populares”do seu governo, o presidente inflama os ânimos dos seus eleitores que passam a defendê-lo incondicionalmente, mesmo quando pesam contra ele desvios éticos, como os apontados acima.

Alguns tentam justificar as infelizes declarações do presidente com a importância do apoio do PMDB para manter a “governabilidade” e para garantir a eleição de sua sucessora nas próximas eleições. Partindo para o contra-ataque, o bloco governista tenta mostrar casos semelhantes de corrupção no governo FHC, aumentando ainda mais a sensação de corrupção generalizada entre os eleitores um pouco mais informados.

Tal sensação, no entanto, ao invés de provocar uma indignação generalizada, tem provocado também inércia cada vez maior na sociedade, pois a conclusão mais comum disso tudo é a de que “políticos são todos corruptos” e/ou “os partidos são farinha do mesmo saco”. Daí a mais infeliz das conclusões: “corrupto por corrupto, fico com o que rouba mas faz”. A ironia da frase é que ela ficou famosa nas eleições do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, conhecido por suas mil picaretagens. Ou seja, Lula está a cada dia mais parecido com Maluf , deixando o pior legado que poderia deixar para uma nação: a desilusão política, pois a esperança que se tinha de que o PT era um partido ético se desfez.

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Para ver as primeiras declarações do Presidente sobre Sarney, clique aqui.

Para ver a matéria do Estadão sobre o assunto, clique aqui.