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Os desafios do pós-Lula (investimentos)

outubro 17, 2010

Lula e a carga tributária

Dando sequência a série de três artigos sobre os desafios do próximo Governo, traçamos aqui mais um diagnóstico em diversas áreas que necessitam de investimentos urgentes para que o país continue a crescer pelo menos no mesmo ritmo atual, na casa dos 7, sem dúvida um bom ritmo, porém ainda muito abaixo da média dos demais emergentes.

Se não leu o primeiro artigo desta série, clique aqui.

Educação

Apesar do Governo Lula ampliar substancialmente o número de vagas nas universidades e nas escolas técnicas, o Brasil não tem nenhuma universidade entre as 200 melhores do mundo (nossa melhor colocação é a PUC/SP na humilhante 235ª posição). Este dado revela um dos problemas crônicos da nossa educação: a baixa qualidade. E é justamente aqui onde encontra-se um dos grandes gargalos para o crescimento da nossa economia, pois nossas empresas já começam a ter dificuldades para contratar mão-de-obra qualificada, o que, por sua vez, reduz nossa competitividade em um mundo onde a inovação tornou-se uma necessidade e quando nossa indústria perde competitividade com o Real sobrevalorizado.

Outro dado que mostra a nossa deficiência nesta área é o fato de continuarmos no mesmo patamar de registro de patentes que tínhamos no início da década. No mesmo período, a China, que estava no mesmo patamar do Brasil, multiplicou seu número de patentes por 17, enquanto que a Índia multiplicou por 7.

O próximo Governo, portanto, tem a missão de reverter este quadro tanto para o ensino superior e técnico, como também (e principalmente) para o ensino fundamental, que ficou em segundo plano no governo atual.

Saúde

Esta é uma das áreas que menos avançaram nos últimos anos. Continuamos vendo as cenas de hospitais super lotados, transformando corredores em ambulatórios. E olha que os planos de saúde duplicaram o número de clientes nos últimos anos, o que teoricamente significaria uma diminuição na procura pelas emergências públicas. Pior: o atendimento dos planos de saúde tem piorado a cada dia (aproximando-se muito do deficiente atendimento da rede pública), devido à grande procura e a ineficiência da ANS, a exemplo de todas as demais agências reguladoras aparelhadas por conveniências políticas.

Saneamento

Metade da população brasileira não tem rede de esgoto e água tratada. Este quadro tem uma relação direta com os demais indicadores de saúde, que colocam o Brasil ainda muito aquém até mesmo em relação aos nossos vizinhos latino-americanos. O mais curioso nesta área é que o Governo, ao invés de facilitar os investimentos na ampliação da rede de esgotos e água tratada, aumentou o PIS e o Cofins sobre saneamento de 3% para 7%, trazendo para os cofres públicos mais de R$ 2 bilhões, dinheiro que deveria ser investido nesta área tão carente.

Segurança

Contrastando com o bom momento da nossa economia, a violência continua sendo uma mancha na nossa reputação. O Brasil aparece na modesta 83ª posição no ranking dos países mais pacíficos do mundo, em uma lista de 121 nações, encabeçada pela Noruega. O combate ao crime organizado, portanto, é um dos nossos maiores desafios, principalmente quando o país se prepara para sediar os dois principais eventos esportivos do mundo. Certamente, o Governo Federal terá que tomar a frente na guerra contra o tráfico, o principal financiador da violência do Brasil, além de combater a corrupção nas polícias estaduais.

Portos

Este é um dos maiores “gargalos” para o crescimento da nossa economia. O próprio Ministério da Agricultura estima que 20% da safra de grãos (cerca de 20 milhões de toneladas) estão sendo embarcados em portos bem mais distantes de qualquer programação logística. Um exemplo disso é que grande parte da produção de soja do Centro-Oeste e do Nordeste estão percorrendo milhares de quilômetros via terrestre, até serem embarcadas pelo congestionado porto de Santos. Como resultado desta anomalia logística, o preço da saca de soja sobe de R$ 3 a R$ 4, o que torna inviável sua exportação para alguns países. Como se não bastasse, esta é uma das áreas mais burocratizadas do país, além de uma das mais “aparelhadas” por sindicalistas.

Aeroportos

É visível o colapso dos aeroportos brasileiros, tanto para o transporte de passageiros quanto para o transporte de cargas. Em 2008, por exemplo, o aeroporto com maior vocação para transporte de cargas do país (Viracopos – SP) já operava em 140% de sua capacidade de importação. Em exportação, Confins (MG) atingiu 130% e Salvador, 113%. Daí uma das razões para os cada vez mais freqüentes atrasos. Assim como nos portos, falta espaço de armazenagem, câmaras frigoríficas e pessoal para liberar as cargas em tempo razoável. É, sem dúvida, uma das maiores preocupações para a Copa de 2014.

Estradas

1/3 dos 76,4 mil quilômetros de estradas sob a gestão pública estão em estado ruim ou péssimo. Eis aqui mais um fator que aumenta o famoso “custo Brasil” que deverá receber pesados investimentos nos próximos anos, pressão esta que será ainda maior com o aumento expressivo de veículos que deverá continuar batendo recordes sucessivos. O problema é que tanto o governo tucano quanto do PT tem cedido a tentação de repassar tais investimentos para a iniciativa privada, o que representa mais pedágios para o contribuinte.

Ferrovias

O PAC 2 prevê, até 2014, R$ 71 bilhões de investimentos público e privado nas ferrovias. O problema é que este valor é 270% superior a tudo que foi investido na área 2004 a 2008. E aí fica a interrogação: será possível?

Pré-sal

Só o tempo vai dizer se o modelo de partilha implantado pelo PT será melhor ou pior que o modelo atual, responsável pela triplicação da produção da Petrobrás. Até aqui, no entanto, os resultados não têm sido positivos, pois mesmo com toda expectativa de ganhos futuros do Pré-sal e com a maior capitalização da história, as ações da Petrobrás caíram mais de 20% desde que o Governo iniciou os esforços para sua capitalização. Aliás, a empresa já vem dando sinais negativos há algum tempo. Desde a crise de 2008 o Governo concedeu vários empréstimos à empresa, além do já gigantesco orçamento de R$ 80 bilhões previsto para 2010 (valor 1,5 vezes superior ao orçamento da saúde, vale salientar).

De concreto até aqui só a certeza do alto custo (e de riscos) da exploração do petróleo do Pré-sal e a necessidade de mais recursos. O próximo Governo, portanto, terá aqui mais uma imensa responsabilidade. Se o Pré-sal vingar de fato, teremos aqui um grande reforço nas receitas do Governo. Caso contrário, a Petrobrás poderá perder mais alguns bilhões em ações, o que pode contaminar diversos indicadores econômicos do país.

Copa do mundo

Dados oficiais da Fifa mostram que o custo de realização da Copa foi multiplicado por 11 entre 2004 e 2010. Como resultado, a copa da África do Sul foi a mais cara da história, assim como a do Brasil deverá bater um novo recorde. Segundo ONGs sul-africanas, o dinheiro gasto no mundial seria suficiente para construir 12 milhões de casas (algo como 12 programas “Minha Casa, Minha vida”). Por outro lado, a Fifa arrecadou US$ 3,2 bilhões em renda com o evento e sem pagar um centavo sequer em impostos a África do Sul.

Claro que existe um ganho de imagem para o país que não está computado aqui, mas certamente este ganho só será computado no futuro. No presente, no entanto, o que temos é mais um grande desafio para o próximo governo, pois até agora, três anos após o anúncio do Brasil como sede, quase nada foi feito. Das promessas de construção de estádios pela iniciativa privada, até agora nada foi firmado, de forma que todo o investimento vai terminar caindo nos cofres públicos, o que, por sua vez, vai significar mais dívida para o futuro.

Olimpíadas

Assim como a copa, o próximo governo terá aqui também mais uma enorme pressão para o aumento do endividamento. A julgar pela experiência do Pan do Rio, que teve os gastos previstos multiplicados por dez, certamente teremos nas olimpíadas também gastos muito acima dos R$ 27 bilhões programados inicialmente. E tudo isso em nome de mais publicidade para o Brasil, objetivo este já alcançado de forma mais eficiente com a copa (já que terá várias sedes), há apenas 2 anos antes.

PAC / PAC 2

O governo Lula vai terminar com pouco mais da metade do PAC 1 concluído, mas já lançou o PAC 2, com um orçamento três vezes superior ao primeiro, uma bagatela de R$ 1,6 trilhão, o equivalente a dívida interna atual. A julgar pela experiência do primeiro, que teve várias outras obras anexadas, além de orçamentos aumentados ao longo dos últimos três anos, é de se esperar que o PAC 2 atinja os R$ 2 trilhões no final. De onde virá tanto dinheiro e em que governo será concluído é um mistério.

Setor energético

Um dos maiores empecilhos para o nosso crescimento é a geração de energia. Nos oito anos de Governo Lula a capacidade instalada foi de 32 mil MW, número superior aos 24 mil MW instalados na era FHC. O problema é que percentualmente em relação ao PIB, o Governo Lula investiu 39% (FHC investiu 43%). Ou seja, se no Governo FHC uma seca prolongada foi capaz de nos levar ao apagão, hoje este risco é ainda maior.

Modernização das forças armadas

O anúncio da compra dos caças, que ajudou a desviar as atenções da mídia durante a crise do Senado, ficou só no anúncio. Vai ficar para o próximo governo mais um compromisso já capitalizado politicamente por Lula, uma bagatela de US$ 4 bilhões. Como se não bastasse, o anúncio da modernização da frota da Aeronáutica chamou a atenção para a necessidade de modernização também do Exército e da Marinha, mais uma pressão por gastos no próximo governo.

Minha Casa, Minha vida

Das 1 milhão de casas prometidas no lançamento do programa, o Governo Lula vai entregar 150 mil. Ou seja, o próximo Governo terá que dar conta das outras 600 mil cujos contratos já estão encaminhados, além dos novos que ainda serão aprovados.

Agenda ambiental

A agenda ambiental entrou de vez na campanha presidencial e certamente vai exigir do próximo presidente algumas ações mais efetivas nesta área. A mudança é boa, mas tem um custo financeiro considerável que vai exigir do próximo governo muita habilidade para contornar as pressões dos setores ruralistas.

CONCLUSÃO

Assim como na macroeconomia, o Governo Lula foi pródigo em repassar para o sucessor grandes responsabilidades de execução de projetos já lançados e capitalizados politicamente. Além de dificultar a reforma tributária, já que a demanda por gastos públicos será ainda mais elevada, Lula coloca o próximo presidente numa camisa de força, pois, seja qual for o novo ocupante do Palácio do Planalto, dificilmente conseguirá atender todas as expectativas criadas, o que reforçará o mito Lula na campanha presidencial de 2014.

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  1. Ricardo carvalho
    outubro 17, 2010 às 7:03 am

    Analise isenta e bem intencionada, sem os pendores políticos de outras que vejo dioturnamente na rede.
    Por isso a assino.
    Parabéns

  2. Dan
    outubro 18, 2010 às 9:01 pm

    Amiltom Aquino, a origem a inflação que corroeu a renda das famílias brasileira até a metade da decada de 90 foram os altos gastos no governo militar no chamado milagre brasileiro né?
    Te pergunto: a longo prazo esses gastos elevados do governo nos chamados PACs podem nos fazer voltar ao processo inflacionário?

    • outubro 18, 2010 às 11:06 pm

      Olha Dan,

      Não só o endividamento via PAC, como também o endividamento recorde do Banco Central que não está sendo contabilizado como dívida. A confirmação desta suspeita tive hoje através da sugestão de um link de um leitor, embora já tivesse lançado a questão em debate no sétimo post da série sobre a dívida pública. Esta é uma bomba ainda maior que poderá ter graves conseqüências, não só aqui como em outros países do mundo que repetem as operações de maquiagem das contas públicas através dos títulos em poder do BC, a bagatela de R$ 669 bilhões que não estão sendo computados como dívida. Sugiro que leia primeiro o post 7 neste blog e depois um artigo de um PHD norte-americano sobre as falsificações dos BCs: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=593.

  3. aliancaliberal
    outubro 19, 2010 às 8:27 pm

    Feliz por vc retornar a postar eu vi seu blog e tinha como ultimo post janeiro,(seu blog e um dos melhores que ja vi no meu humilde conhecimento),e estava lendo o conteudo mas triste pela dada antiga.
    Mises,ayn rand e visãopanoramica livrando o mundo do obscurantismo.

    • outubro 19, 2010 às 10:14 pm

      Obrigado pelos elogios. Abraço!

  4. outubro 20, 2010 às 1:28 am

    Olá, Amilton.
    Li quase todo seu blog. Parabéns! Nunca tinha visto uma comparação entre Lula e FHC que não fosse pela propaganda do governo petista. Sempre soube que Lula é um cara de pau como “nunca antes na história desse país”. Agora, me explique uma coisa: por que tanta gente, aparentemente madura e inteligente (economistas, artistas, etc.) caem no “conto do ex-operário”, como dizia Brizola?
    Será que estão apenas enganados pela propaganda petista? Ou será que, mesmo conscientes das mentiras do PT, eles continuam a votar nele por mero desprezo à Direita que, como sabemos, não é flor que se cheire?
    Como você bem disse, é difícil lutar contra o “deus” Lula. É como dar murro em ponta de faca.

    P.S. Outra interrogação: Por que FHC aparece tão pouco na mídia para defender seu governo e ajudar a desconstruir a imagem do governo “espetacular” do Lula?

    • outubro 20, 2010 às 8:48 am

      Olá Gilx,

      Suas perguntas já trazem a resposta. Em uma campanha tão polarizada é natural que existam intelectuais e artistas de ambos os lados, pois o dilema é escolher entre o menos pior. Veja que nestas eleições a Marina ficou com a maioria dos artistas e intelectuais justamente por se apresentar como uma alternativa aos dois pólos da disputa. No segundo turno não tem jeito.

      O que mais me espanta é ver que ainda hoje existam intelectuais e artistas altamente engajados nesta disputa ridícula. Digo ridícula porque não deveríamos mais engolir esta velha retórica que divide esquerda e direita, até porque do discurso do PT da oposição só sobrou a defesa dos mais pobres (e mesmo assim de forma eleitoreira), pois na prática se mostrou muito mais parecido com tudo o que criticava, inclusive na corrupção.

      Quanto a FHC, o PSDB errou muito tanto no governo quanto na oposição. No governo não soube explicar a população o porquê do alto endividamento, além de não informar sobre a importância para o futuro de algumas de suas realizações. Na oposição, o PSDB praticamente abandonou FHC, deixando Lula totalmente à vontade para desconstruir sua imagem. Só agora no final da campanha é que Serra tem sido um pouco mais enfático na defesa do legado de FHC, mas ainda assim de forma muito incompetente.

      É incrível que nos debates ele deixe a Dilma fazer aquelas ridículas comparações descontextualizadas. Ele quebraria tais bravatas com apenas cinco argumentos:

      1) Apesar da inflação, a arrecadação do governo aumentou 10 vezes nos últimos 16 anos, enquanto que a população aumentou apenas 23%. Ou seja, o governo tem hoje incomparavelmente mais dinheiro para investir. Portanto, não faz mais que sua obrigação.

      2) Durante todo o governo FHC o PIB mundial aumentou de US$ 30 para US$ 33 trilhões, enquanto apenas nos seis primeiros anos da era Lula pulou para US$ 60 trilhões, sendo que houve um descolamento dos investimentos dos países do primeiro mundo para os emergentes. Ou seja, qualquer que fosse o governo herdaria tal cenário.

      3) Lula é o primeiro presidente desde o final do regime militar que assume o governo sem ter como principal desafio o combate a inflação e com uma política econômica já definida. Ou seja, pôde se dedicar exclusivamente a ações mais propositivas, como investimentos, ações estas, diga-se de passagem, dão muito mais popularidade que as ações de saneamento da economia implementadas por FHC.

      4) Apesar de todo este cenário positivo, o governo atual continuou aumentando a dívida interna em uma proporção superior a era FHC, época caracterizada pela luta constante contra a inflação e com o dólar valorizado, em meio a uma sucessão de crises internacionais e a necessidade urgente de reformas na nossa economia. Resultado: pagamos hoje 35% do nosso orçamento em juros o com a rolagem da dívida.

      5) Apesar da urgência de reformas, o governo Lula vai terminar o segundo mandato sem colocar em prática nenhuma das seis grandes reformas prometidas no discurso de posse do primeiro mandato, mesmo o presidente contando com um popularidade recorde e com o apoio do maior partido do país, o PMDB.

      É por essas e outras que não podemos mergulhar fundo em nenhuma destas campanhas, pois se de um lado temos um governo populista, que faz tudo parecer muito melhor do que realmente é, do outro temos uma oposição incompetente, que permitiu que as mentiras de Lula fossem repetidas durante todos estes anos, a exemplo do suposto pagamento da dívida externa. Aliás, esta era para ser uma das mentiras mais combatidas neste segundo turno. No entanto, o que temos? Um povão que acredita que a dívida externa foi paga (quando o que foi pago foi uma ínfima parcela do FMI e do Clube de Paris). Aliás, a dívida externa nunca esteve tão alta (hoje mais de US$ 300 bilhões). E cadê a oposição?

      É por estas e outras que não me envolvo na campanha do Serra, mesmo tendo um viés para votar nele, já que luto contra o pupulismo de Lula. Voto, mas voto consciente de que terei que criticá-lo muito, se for eleito, pois até agora não conseguiu enxergar o óbvio.

  5. Sandro
    outubro 20, 2010 às 11:44 am

    Aquino,
    Ótima resposta, como sempre!
    Apenas um comentário sobre a tua colocação:

    “É incrível que nos debates ele deixe a Dilma fazer aquelas ridículas comparações descontextualizadas. Ele quebraria tais bravatas com apenas cinco argumentos”

    No meu ver, seria muito difícil a oposição fazer isso num debate televisivo, pois, além da restrição de tempo, é praticamente impossível converter esse raciocínio numa linguagem que o nosso povo iletrado entendesse, no sentido de ser lesado por este governo!
    Também, quanto aos intelectuais que apóiam este governo, tenho minhas dúvidas sobre os conhecimentos de economia de alguns deles e, de outros, sobre suas pretensões políticas, como cargos em uma “nova” administração!
    Abs
    Sandro

    • outubro 20, 2010 às 1:16 pm

      Olá Sandro,

      Não precisava falar tudo de uma vez. Ele poderia dar uma ou outra pincelada neste e outros ítens sempre que houvesse uma comparação descontextualizada. Isto serviria não só para diminuir o mito Lula, como também para questionar a ética daqueles que fazem tais comparações.

      Para tornar mais claro, Serra também poderia fazer uma analogia com um pai de família que sustentava uma família com 4 pessoas com um salário de mil Reais e, 16 anos depois, tem seu salário elevado a 10 mil, sendo que sua família ganhou apenas mais um membro e mesmo assim continua comprometendo a maior parte do salário com o cartão de crédito. Ou seja, temos aqui um péssimo administrador.

      Abraço

      • Sandro
        novembro 5, 2010 às 8:36 am

        Nas palavras do Demétrio Magnoli no Roda Viva 16/09:

        “Grande parte do eleitorado vive naquilo que eu chamo de esfera da necessidade, ta certo, e a esfera da necessidade faz com que determinados temas institucionais, políticos, relativos à democracia, extremamente importantes, gravíssimos, pareçam um tanto temas esotérico, quando voce tem que terminar o mês com aquela grana. Eu não acho que isso é incompreensível, eu acho que isso é racional também, e acho que isso é uma parte da fotografia do Brasil!”

  6. Dan
    outubro 20, 2010 às 1:33 pm

    Amilton, concordo com o Sandro. Acho que a maior dificuldade é fazer com que a maioria da população entenda, em muito pouco tempo, o que realmente aconteceu em, termos conjunturais, na economia mundial nos dois governos.

    • outubro 20, 2010 às 1:39 pm

      Olá Dan,

      Também acho que agora é um pouco tarde para isso. Mas preferia ver o Serra sendo mais verdadeiro. Poderia até perder, mas que usasse tal espaço para combater a mentira.

  7. Sandro
    outubro 20, 2010 às 3:27 pm

    Amilton,

    O problema é que verdade é um conceito muito relativo! para ti e para mim, que tivemos acesso a educação, a “verdade” é uma, para a grande maioria da população é outra!
    Fazendo uma comparação com a disciplina de marketing: hoje temos que ter um produto para cada público, praticamente não tem mais como se fazer um que agrade a todos, pois as pessoas são diferentes e tem maneiras diferentes de suprir suas necessidades/desejos , assim como os eleitores, que tem diferentes graus de entendimento. E, nós, infelizmente, somos a minoria dos eleitores!

  8. Dan
    outubro 20, 2010 às 10:35 pm

    Caro Amiltom, sugiro a leitura desse post de Reinaldo Azevedo sobre privatizações.
    Trata de um pedido de plebicito para reestatização da Vale e veja o que o relator, o deputado José Guimarães do PT, diz sobre a proposta.

    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-que-o-pt-esconde-o-pt-fez-a-mais-entusiasmada-defesa-da-privatizacao-da-vale-e-provou-o-bem-que-a-decisao-dos-tucanos-fez-ao-pais/#comments

    • outubro 20, 2010 às 11:05 pm

      Olá Dan,

      Obrigado pela contribuição. É aquilo que vemos o tempo todo. No discurso, o PT critica as privatizações. Na prática, no entanto, a coisa é bem diferente.

  9. outubro 21, 2010 às 5:12 am

    Olá, Amilton.
    Conversando com um petista sobre o tal pagamento da dívida ao FMI, Ele disse ser economista e me falou que eu estava equivocado. Disse que a dívida externa não foi paga. O que o PT fez, segundo ele, foi ter reservas de dólares superiores ao valor da dívida interna. Ou seja, se o governo quiser (segundo ele) pode quitar a dívida a qualquer momento. Só que se ele quitar, fica sem nada no caixa, ou seja, não é vantajoso para o governo quitar a dívida externa.

    Quando usei dados do seu blog, de que o que aconteceu de fato foi uma troca de títulos da dívida externa, com juros de 4%, por títulos da dívida interna, com juros entre 8% e 12%, ele me disse que eu não sabia o que era dívida interna. Falou que os dados que levei em consideração são referentes a toda a dívida interna tanto do governo, quanto das empresas privadas. Ou seja, grande parte do aumento não foi graças ao governo e sim graças às empresas privadas.

    Segundo ele, é normal a dívida aumentar conforme aumenta a taxa de inflação. O que é preocupante é ela aumentar em porcentagem em comparação ao PIB. Ele concluiu:”Já que tivemos inflação desde 2002, é lógico que a dívida aumentou. Estranho seria se não aumentasse. Porém, o PIB cresceu a uma taxa maior, o que mostra que do ponto de vista econômico o governo Lula foi muito bom, ao contrário de FHC que vendeu várias empresas e ainda assim aumentou a porcentagem da dívida em relação ao PIB”.Quando FHC deixou a presidência a dívida interna do setor público estava em 44,56% do PIB. Em agosto de 2010 ela está em 50,96%. Ou seja, o aumento foi claramente menor que o aumento do PIB, o que mostra uma economia “saudável”. Esses dados, segundo ele, são do IPEADATA.

    Ele não me convenceu de que era um economista, mas um simples petista militante. Como sou leigo em economia, indiquei-lhe o seu blog. Espero que ele leia este post, pois você está bem mais credenciado para rebater esses malabarismos com os números que os petistas tanto fazem.

    • outubro 21, 2010 às 10:26 am

      Olá Gilx,

      Esta suposição de que o Brasil poderia quitar a dívida com as reservas é uma balela. Vou publicar aqui um pequeno trecho sobre as reservas no primeiro post da minha última série:

      “Ao contrário do que muita gente pensa, as reservas cambiais não são uma “poupança” como o Governo tenta vender a idéia. Se fosse, certamente o Governo usaria pelo menos 1/3 dos atuais cerca de US$ 275 bilhões para quitar uma parte de dívida interna, que é hoje um dos principais entraves para o nosso crescimento sustentável.

      Elas são o resultado das transações de bens e serviços realizadas pelos brasileiros com o exterior, assim como o fluxo de capitais entre o país e o exterior (empréstimos, financiamentos, aplicações, investimentos diretos, etc), além do acúmulo de dólares comprados pelo BC, operação esta cada vez mais freqüente uma vez que o excesso de dólar no mercado valoriza o Real e dificulta nossas exportações.

      O problema é que existe um custo para manter as reservas (hoje estimado pelo Bradesco em US$ 27 bilhões anuais) e o Brasil já ultrapassou em quase 1/3 o valor considerado ideal pelos especialistas. Ou seja, o Governo vai ter que encontrar outras formas de valorizar o dólar, pois o custo das reservas já se tornou um grande problema, tanto que alguns economistas já começa a chamar nossas reservas de “dívida invisível”.

      Sobre a parte da dívida externa referente às empresas privadas, ela sempre existiu. Ela é hoje de US$ US$ 80,916 bilhões, valor bem inferior aos US$ 228,6 da união. Logo, a dívida externa continua batendo recordes, chegando em agosto a US$ 309,510 bilhões.

      Sobre o percentual da dívida em relação ao PIB esta é mais uma cortina de fumaça para esconder o problema da dívida. O governo calcula o percentual com a dívida líquida, que é puxada para baixo pela enxurrada de dólares que invadiu o país a partir de 2006. Se considerar a dívida bruta, o percentual de endividamento sobe de 41% para 65% do PIB. E olha que estou falando segundo a nova contabilidade da dívida instituída a partir de 2007. Se utilizássemos a mesma metodologia da era FHC, só a dívida interna hoje já estaria beirando os R$ 2,5 trilhão (números disponíveis no BC). Se somarmos a isto o valor da dívida externa, sem as deduções das reservas, claro, este percentual chega próximo aos 82% do PIB.

      Mas o pior é perceber que o Governo Lula continuou aumentando dívida bruta em um percentual bem acima do ritmo da era FHC, época em que o governo teve que assumir um valor equivalente a metade da dívida deixada por estados e municípios. Em economia, nos momentos de bonança, o governo deve aproveitar para reduzir o endividamento e aumentar a poupança interna (que é bem diferente de “reservas”), algo que o governo Lula passou muito longe. Agora já começamos a sentir os efeitos da irresponsabilidade com o problema do câmbio.

  10. aliancaliberal
    outubro 21, 2010 às 3:26 pm

    Um cliente chega ea coversa vai pra politica.
    -Eu vou votar na dilma pq ela pagou a divida externa
    -A divida externa não foi paga ,o brasil ainda deve uns 300bilhões.
    -Quem te disse isso.
    -o banco central.
    -ta errado
    -como assim eo banco central que fala isso não eu.
    -o lula disse que pagou a divida externa
    -não foi a divida externa foi o debito com o FMI o resto ainda continua devendo.
    -quem disse?
    -o banco central
    -eles estão enganados então.
    nesta hora desisti fazer o que EU TENTEI ,mudando o ditado contra burrice(força) não ha argumento.

  11. Dan
    outubro 21, 2010 às 11:39 pm

    Caro Amilton, passo o link de uma análise Rodrigo Constantino sobre a bomba que o atual governo armou na economia brasileira. Acho que a análise dele bate muito com a sua.

    Recomento a todos participantes do blog.

    • outubro 22, 2010 às 12:34 am

      Obrigado Dan por mais esta contribuição. É o que dizemos aqui o tempo todo: o governo Lula é imediatista. Está mais preocupado em criar números fantásticos agora, mesmo que este números não sejam sustentáveis a médio e longo prazo. Vamos torcer para que a Dilma ou o Serra consigam reverter este processo. O pior é ter que aguentar ele (Lula) nos bastidores gabando-se pelo fato do sucessor (seja Dilma ou seja Serra) não conseguir continuar aumentando o mínimo no mesmo ritmo, etc. etc. Só mesmo a educação para salvar a população desse tipo de político, mais empenhado na autoglorificação do que com o bem do país.

  12. Ana Paula
    outubro 25, 2010 às 8:57 am

    Prezado Aquino,

    Seria muito sensato da sua parte, trazer as fontes de dados de seus argumentos toda vez que trouxer informações ao leitor..é muito fácil falar de números sem comprová-los. Vou trazer aqui várias contra-argumentações de muita coisa que voce afirmou em seu blog (mas note, todas com fontes confiáveis, viu). Abraços.

    • outubro 25, 2010 às 9:05 am

      Prezada Ana Paula,

      Para checar os dados que posto aqui basta copiar a parte que vc tem dúvida e colar na busca do Google. Pesquise também, vai ser bom para vc. Minha intenção aqui é informar e não enganar. Se vc tem contestações, faça-as.

  13. Ana Paula
    outubro 25, 2010 às 9:15 am

    Tópico 1: Não é verdade que houve “aparelhamento da máquina administrativa” na Era Lula;

    Você já deve ter ouvido por aí, tantas vezes, que o PT e o governo Lula “aparelharam o Estado”, usando dos cargos em comissão para empregar amigos, apaniguados e militantes, certo?

    Pois bem, então lhe perguntamos: quantos são esses cargos em comissão no Poder Executivo federal? São 200 mil, 80 mil, 20 mil? Você faz ideia de qual é esse número preciso?

    Primeiramente, acesse este documento aqui: o Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, última edição, de julho deste ano.

    Vejamos: na página 33, você pode ver que há hoje, no Executivo federal, um total de 570 mil servidores civis na ativa.

    Os ocupantes de DAS (cargos de direção e assessoramento superior) são 21,6 mil (página 107).

    Porém, os de recrutamento amplo, ou seja, aqueles que foram nomeados sem concurso, sem vínculo prévio com a administração, são quase 6 mil (página 109), ou pouco mais de 1% do total de servidores civis. Se você considerar apenas os cargos que são efetivamente de chefia (DAS 4, 5 e 6), não chegam a mil e quinhentos.

    Parece bem menos do que se diz por aí, não é mesmo? Agora vamos lá: para que servem esses cargos? Não custa dizer o óbvio: em democracias contemporâneas, o grupo que ganha o poder via eleições imprime ao Estado as suas orientações políticas. Em alguns países, o número de comissionados é maior (caso dos EUA); em outros, menor (como na Inglaterra). É natural que seja assim.

    O que dizem os estudos internacionais sérios sobre a máquina administrativa brasileira? Vá aqui e baixe um estudo da OCDE sobre o tema. No Sumário Executivo, você verá que o Brasil não tem servidores públicos em excesso, embora o contingente de servidores esteja em expansão e ficando mais caro; que há necessidade de servidores sim, para atender às crescentes demandas sociais; que uma boa gestão de RH é essencial para que isso se concretize; e que o governo federal deve ser elogiado pelos seus esforços em construir um funcionalismo pautado pelo mérito.

    Vamos então falar de meritocracia? O que importa é que o governo Lula perseguiu uma política de realização de concursos e de valorização do servidor público concursado sem precedentes. Basicamente, com os novos concursos, a força de trabalho no serviço público federal retomou o mesmo patamar quantitativo de 1997. A maior parte dos cargos criados pelo PT, porém, foi para a área de educação: para as universidades e institutos técnicos já existentes ou que foram criados. Volte no Boletim Estatístico e veja a página 90, sobre as novas contratações em educação. Houve muitos concursos para Polícia Federal e advocacia pública, além de outras áreas essenciais para o bom funcionamento do Estado.

    O governo Lula regulamentou os concursos na área federal (veja os arts.10 a 19 deste Decreto), recompôs as carreiras do ciclo de gestão, dotou as agências reguladoras de técnicos concursados (veja a página 92 do Boletim Estatístico), sendo que nos tempos de Fernando Henrique, elas estavam ocupadas por servidores ilegalmente nomeados.

    • outubro 26, 2010 às 12:49 am

      Ana Paula,

      Quando vc questionou as fontes, pensei que vc se referia aos itens deste post. Só depois percebi que vc fez um apanhado geral de outras postagens, o que prova que vc tem lido nosso blog. Obrigado então pela audiência. É sempre bom ter opiniões contrárias por aqui, pois isso só enriquece o debate.

      O problema é que vc postou tudo de uma só vez justamente numa semana em que vou estar muito ocupado com o vestibular do IME. Portanto, vou ter que ser mais sucinto do que de costume.

      Sobre o aparelhamento da máquina, isso é visível na troca de cargos por apoio políticos nas estatais, ministérios e todas as esferas da administração pública. Concordo com seus argumentos sobre a necessidade de ampliar os quadro do serviço público, especialmente na educação, o que de fato ocorreu. O problema é que estes dados tem subido proporcionalmente acima do PIB. No início do governo o funcionalismo público representava 14% do orçamento do governo, agora são 18%. Se aumentou a proporção para o pagamento do funcionalismo então significa que diminuiu para outros setores. E aí então entramos em outra discussão: o tamanho do Estado e suas conseqüências para o futuro. Hoje, por exemplo, os 10% dos aposentados do setor público representam mais da metade do déficit da previdência. Isto acontece por dois motivos: 1) Os aposentados do setor público têm aposentadorias bem maiores que a média geral da população; 2) A contribuição previdenciária do setor público é de apenas 11%, enquanto que do setor privado a contribuição ultrapassa os 30% (o funcionário contribui com 11% e as empresas com 20%).

      Portanto, este quadro de expansão dos gastos fixos (que são difíceis de cortar em um momento de crise, por exemplo), comprometem o nosso futuro, aliás, como já está acontecendo em vários países europeus.

      Além do mais, existem dados oficiais que apontam sim este inchaço. Por exemplo, quando assumiu, estavam lotados na Presidência 2.133 servidores. Ao se encerrar o primeiro mandato de Lula, já eram 3.346, número duas vezes maior que os servidores de Obama.

      Na Casa Civil quase triplicou o número de funcionários, entre outros vários exemplos. Para ver a matéria publicada no estadão, clique aqui.

      Enfim, este aumento de gastos explica o porquê do governo atual mesmo tendo as receitas aumentadas em 1000%, quando comparado ao primeiro orçamento de FHC (enquanto que a população cresceu apenas 25%, com inflação de 90%, no mesmo período) ainda continuar fazendo malabarismos contábeis para fechar as contas.

  14. Abbud
    outubro 25, 2010 às 9:17 am

    Amilton, este site é para ajudar a comprovar o que voce muito bem comprovou em seus posts mas ainda nem todos conseguem enxergar.

    É um resumo de indicadores aonde o mais importante é o ultimo, o IDH, com FHC o IDH do Brasil subiu muito mais do que com o fanfarrão LULA, e o IDH é o indicador mais completo e abrangente de desenvolvimento que temos, o que prova que o plano real foi muito mais eficiente no desenvolvimento do que qualquer outra açao populista ou assistencialista de LULA.

    Abraços

    • outubro 25, 2010 às 9:39 am

      Abbud,

      Já vi esta página. Ainda nesta semana estarei publicando uma nova versão da comparação com alguns desses dados e de outros que recebi via email. Abraço

  15. Ana Paula
    outubro 25, 2010 às 9:19 am

    Tópico 2: Não é verdade que “houve mais corrupção no governo Lula do que no FHC”; Pelo contrário, os últimos 8 anos foram marcados por um combate inédito a esse mal;

    Muitos eleitores revelam a sua insatisfação com o governo Lula enumerando casos como o mensalão, as sanguessugas, Erenice Guerra, Waldomiro Diniz, Correios. Porém, uma memória que não seja curta pode se lembrar de casos como SUDAM, SUDENE, Anões do Orçamento, mensalão da reeleição, SIVAM, etc, para ponderar que mais do que exclusividade deste ou daquele governo, escândalos de corrupção são um mal da nossa cultura política.

    Cientistas sociais sabem que é muito difícil “medir” a corrupção. Como a maior parte dela nunca vem à tona, não chega a ser descoberta, noticiada e investigada, nunca se tem uma noção clara do quanto um governo é realmente corrupto. O que importa, então, é o que um governo faz para combater essa corrupção. E nisso, o governo Lula fica muito bem na fita.

    Vamos começar pela Polícia Federal. Logo no início do governo, foi feita uma limpeza no órgão (até a revista Veja chegou a publicar uma elogiosa reportagem de capa). Desde então, foram realizados uma série de megaoperações contra corruptos, traficantes de drogas, máfias de lavagem de dinheiro, criminosos da Internet e do colarinho branco (veja uma relação dessas operações aqui). Só em 2009, foram 281 operações e 2,6 mil presos. Desde 2003, foram quase dois mil servidores públicos corruptos presos. Quem compara os números não pode negar que a PF de FHC não agia, e que a PF de Lula tem uma atuação exemplar.

    • outubro 26, 2010 às 12:50 am

      Ana Paula,

      É perceptível a melhora na Polícia Federal. Mas isso não é apenas fruto dos investimentos e concursos realizados. Hoje a tecnologia é muito superior, o que torna as operações da PF muito mais eficazes. Ou seja, não foi só aqui que esta melhora ocorreu. Tanto que o índice de corrupção do país não tem melhorado, ficando estagnado nos 3,5 pontos em uma escala de 0 a 10, encabeçada pela Dinamarca, que conseguiu a nota de 9,2. Aliás, temos até caído em posições nos últimos anos, apesar de do índice permanecer o mesmo, o que significa que outros países estão avançando mais que nós nesta área. Por exemplo, em 2006, o Brasil aparecia na 70ª posição na lista dos países mais corruptos do mundo, segundo a ONG Transparency International. Em 2007, subiu para a 72ª posição e em 2008 para a 80ª posição.

  16. Ana Paula
    outubro 25, 2010 às 9:19 am

    continuação tópico 2…

    E a Controladoria-Geral da União? Inicialmente, FHC criou a tímida Corregedoria-Geral da União. Foi Lula que, a partir de 2003, realizou concursos públicos para o órgão e expandiu sua atuação. Hoje, a CGU é peça-chave no combate à corrupção. Graças ao seu trabalho, quase 3 mil servidores corruptos já foram expulsos. A CGU contribuiu no combate ao nepotismo e zela pelo emprego das verbas federais via sorteios de fiscalização. E o Portal da Transparência, você conhece? Aquele “escândalo” do mau uso dos cartões corporativos só apareceu na imprensa porque todos os gastos das autoridades estavam acessíveis a um clique do mouse na Internet.

    Vamos ficar nesses casos, mas poderíamos citar muitos outros: o fortalecimento do TCU como órgão de controle, um Procurador-Geral da República que não tem medo de peitar o governo (o do FHC era chamado de “engavetador-geral da República”, lembra-se?), o Decreto contra o nepotismo no Executivo Federal. Numa expressão, foi o governo Lula quem “abriu a tampa do esgoto”.

    Se uma pessoa acreditar menos numa mídia que é claramente parcial, e mais nas evidências, a frase “o governo Lula foi o mais republicano da nossa história” deixará de parecer absurda. Que tal abrir a cabeça para isso?

    • outubro 26, 2010 às 12:50 am

      Como vc mesmo falou, FHC criou a Corregedoria-Geral da União. Naturalmente criar um órgão é muito mais difícil, já que exige investimentos em infra-estrutura (prédios, carros, mobília, projeto, estatuto, etc.). Portanto, Lula não fez mais que sua obrigação ao contratar mais gente e melhorar as condições de trabalho. Méritos para ele, méritos para FHC. Agora o que não podemos é ficar comparando números entre tais governos como se estes fossem estáticos, como se o PIB da era Lula fosse o mesmo da era FHC.

      Os sites que mostram os gastos do governo, assim como do poder legislativo são uma evolução natural da tecnologia que a cada dia torna-se mais accessível. Estranho seria se o governo negasse este recurso a população.

      Agora, dizer que Lula é republicano, aí é demais, amiga. Se tivesse um pingo dessa qualidade não faria um décimo das barbaridades que tem feito nesta campanha, por exemplo.

  17. Ana Paula
    outubro 25, 2010 às 9:20 am

    Tópico 3: Não é verdade que “a economia foi bem no governo Lula só porque este não mudou a política econômica de FHC”;

    Quando se fala em política macroeconômica implantada por FHC, refere-se geralmente ao tripé câmbio flutuante, regime de metas de inflação e superávit primário. Vamos poupar o leitor do economês: basicamente, o preço do real em relação ao dólar não é fixo, flutuando livremente; o Banco Central administra os juros para manter a inflação dentro de um patamar; e busca-se bons resultados nas transações com o exterior para pagar as contas do governo.

    Nem sempre foi assim, nem mesmo no governo FHC: até 1998, o câmbio era fixo. Todo mundo se lembra que, em janeiro de 1999, o dólar, que valia pouco mais de um real, valorizou subitamente para quatro reais. Talvez não se lembre que isso ocorreu porque FHC tinha mantido artificialmente o câmbio fixo durante 1998, para ganhar a sua reeleição – que teve um custo altíssimo para o país – e logo depois, vitorioso, mudou o regime cambial (no que ficou conhecido como “populismo cambial”). O regime de metas de inflação foi adotado só depois disso. Ou seja, FHC não só não adotou uma mesma política macroeconômica o tempo em que esteve no Planalto, como também deu um “cavalo-de-pau” na economia, que jogou o Brasil nos braços do FMI, para ser reeleito.

    Que política macroeconômica de FHC então é essa, tão “genial”, que o Lula teria mantido? A estabilidade foi mantida, sim, e a implementação do Plano Real pode ser atribuída ao governo FHC (embora Itamar Franco, hoje apoiador de Serra, discorde disso).

    • outubro 26, 2010 às 12:52 am

      Ana,

      Esta é uma das maiores falácias do PT. Antes do Plano Real, sete outros planos haviam derrotado a inflação nos primeiros meses, mas nenhum deles sobreviveu. Ou seja, derrubar a inflação com uma engenharia econômica qualquer é a parte mais fácil. Todos os outros funcionaram nesta primeira parte. O mais difícil sempre foi resolver os problemas advindos desta brusca mudança e eliminar a memória inflacionária que permaneceu anos e anos no subconsciente coletivo, colocando em xeque o Real a cada nova notícia ruim da economia. Neste cenário, desvalorizar o Real seria o mesmo que jogar lenha na fogueira. Ou seja, o país não estava ainda preparado para adotar o câmbio flutuante. Antes de desvalorizar o Real, o Governo precisava antes desindexar a economia o máximo possível, eliminando os chamados “gatilhos salariais”, dando tempo necessário para contratos indexados expirarem e, principalmente, provando à população desconfiada (e ao PT que jogava no time do quanto pior melhor) que este não seria mais um plano fracassado.

      Quando estourou a crise asiática, em 1997, aí é que ficou ainda mais complicada a desvalorização, pois naturalmente todos os indicadores foram afetados por esta crise. Desvalorizar o Real neste cenário poderia ser a pá de cal que faltava para sepultar mais uma tentativa de estabilização. Depois veio a crise da Argentina e da Rússia, até que finalmente o Governo se convenceu que não dava mais para esperar e então mudou o regime cambial para o que vigora até hoje.

      Lógico que se o Governo tivesse uma bola de cristal para saber que em 1997 seria iniciada uma série de crises que perduraria até 2001 teria feito a desvalorização gradativa antes deste período, mesmo correndo o risco de colocar lenha na fogueira. Mas, infelizmente, este não foi o caso e tivemos realmente que pagar juros altíssimos para segurar os investidores.

      Hoje é fácil dizer que seria melhor fazer isso ou aquilo, mas o fato é que o Brasil resistiu à onda de quebradeira que contaminou vários países candidatos a emergentes. Chegamos bem perto de quebrar também, mas não quebramos.
      Portanto, este discursinho fácil de que o cambio fixo foi uma manobra eleitoreira é mais uma calúnia do PT. Aliás, FHC não precisava de nenhuma manobra para se reeleger, tanto que ganhou no primeiro turno. E aqui para nós, teria sido um desastre se Lula tivesse assumido em 1998. Teria pegado aquela sequencia de crises e FHC teria voltado em 2003 facilmente. Talvez até hoje estivesse ainda no poder.

      A mesma crítica, inclusive, pode ser feita ao Governo Lula, pois passou todo o primeiro governo com a mesma média de juros de FHC no período pré Crise Lula, de 18%. Os juros só começaram a baixar lentamente a partir de 2006 quando chegou uma enxurrada de dólares na nossa bolsa, aumentando nossas reservas e turbinando todos os demais indicadores econômicos. E, ao contrário das outras crises, na crise de 2008 o Governo Lula foi obrigado a acelerar a baixa dos juros para atenuar os efeitos da recessão. E se não fosse a crise, portanto, Lula iria terminar o governo com a Selic na cãs dos 14 ou 15%. Ou seja, Lula teria baixado em oito ano 3 ou no máximo 4 pontos percentuais em relação ao período FHC antes da “Crise Lula”.

      Os demais posts respondo no decorrer da semana, pois como vc pode ver, a hora já está bem avançada.

      Abraço

  18. Ana Paula
    outubro 25, 2010 às 9:35 am

    Agora entendi pq não estou conseguindo postar direito no seu blog:
    É que sempre que cito um dado eu coloco um link com a fonte da informação e o sistema do blog não reconhece e simlesmente retira todos os links mencionados…mas enfim, vou continuar postando sem as fontes, mas se precisar de qualquer uma delas me avise que lhe envio ok… abraços
    Continuação tópico 3:
    Mas Lula fez muito mais do que isso. A inflação não voltou: as taxas de inflação foram mantidas, entre 2003 e 2008, num patamar inferior ao do governo anterior< E com uma diferença: a estagnação econômica foi substituída por taxas de crescimento econômico bem maiores<, com redução da dívida pública< A alta do preço das commodities no mercado externo< favoreceu esse quadro (reduzindo a inflação de custos), mas não foi tudo. O crescimento da economia também foi favorecido pelo crescente acesso ao crédito: em 2003, foi criado o crédito consignado, para o consumo de massa de pessoas físicas – e deu certo, puxando o crescimento do PIB o BNDES se tornou um agente importantíssimo na concessão de crédito de longo prazo induzindo outros bancos a paulatinamente fazerem o mesmo

    Os aumentos reais do salário mínimo e os benefícios do Bolsa Família foram decisivos para uma queda da desigualdade social igual não se via há mais de 40 anos: foi a ascensão da classe C.

    Isso tudo é inovação em relação à política econômica de FHC.

    E quando bateu a crise? Aí o governo Lula foi exemplar. Ao aumentar as reservas em dólar desde o princípio do governo, dotou o país de um colchão de resistência essencial. Os aumentos reais do salário mínimo e o bolsa família possibilitaram que o consumo não se retraísse e a economia não parasse – o mercado interno segurou as pontas enquanto a crise batia lá foraE, seguindo o receituário keynesiano – num momento em que os economistas tucanos sugeriam o contrário – aumentou os gastos do governo como forma de conter o ciclo de crise. Deu certo. E a receita do nosso país virou motivo de admiração lá fora
    No meio da pior crise global desde a de 1929, o Brasil conseguiu criar milhões de empregos formais. Provamos que é possível crescer, num momento de crise, respeitando direitos trabalhistas, sendo que a agenda do PSDB era flexibilizá-los para, supostamente, crescer

    • outubro 26, 2010 às 10:28 pm

      Ana Paula,

      Quando falamos que a política econômica de Lula é a mesma de FHC é porque a base é a mesma, porque em nenhum momento o Governo Lula precisou lançar nenhum pacote econômico; porque Lula é o primeiro presidente desde o final da ditadura que não teve como principal objetivo de governo derrotar a inflação.

      E não me venha com aquela conversa mole de que a inflação estava descontrolada no final do governo FHC, porque o que houve foi um repique inflacionário, assim como a piora dos demais indicadores, como conseqüência do medo do mercado de que Lula alterasse a política econômica. Bastou ele assinar a famosa carta aos brasileiros e tudo voltou ao normal. Isto é fato.

      Das poucas mudanças que ocorreram na política econômica na era Lula (e deveriam ocorrer muito mais, vale salientar, basta ver o post “Os desafios do Pós-Lula”), algumas como o aumento das reservas, por exemplo, foi iniciada a partir do aumento dos preços das commodities. Ou seja, não tem nada a ver com o governo. Quando o dólar começou então a cair (também não tem nada a ver com o governo), o BC aproveitou o momento para iniciar a troca de dívida externa por dívida interna. Quando então a partir de 2006 comeram a chegar bilhões e bilhões via bolsa e tesouro aí então a coisa ficou ainda mais fácil.

      A expansão do crédito é um mérito da equipe econômica, mas é também uma conseqüência natural da evolução da nossa economia, assim como o aumento das reservas, a redução do risco país, entre outros indicadores. Assim como é difícil assoviar e chupar cana, é igualmente difícil reduzir a liquidez do mercado para conter e inflação e ao mesmo tempo aumentar a moeda em circulação via crédito. Na era FHC não foi possível, pois o ambiente econômico foi muito turbulento. A partir de 2003 o mundo experimentou seis anos e meio de crescimento ininterrupto, sem crises. Como diz o provérbio, tudo tem seu tempo.

      Os aumentos reais do salário mínimo foram iniciados na era FHC e continuados na era Lula. Méritos para os dois. Se Lula aumentou mais é porque a nossa economia ganhou mais musculatura, afinal existe um efeito cumulativo. Não fez mais que sua obrigação.

      Quando bateu a crise, claro que o Brasil estava muito melhor. Afinal, ao contrário de FHC que nunca passou mais de dois anos sem se defrontar com crises, Lula só veio enfrentar sua primeira crise no final do governo. Claro que as reservas foram importantes (e elas só foram possíveis devido a bolha da economia global que fez o PIB mundial duplicar em apenas sete anos, além da gradativa desvalorização do dólar), mas dessa vez o Brasil, ao contrário de vários países fortemente atingidos pela crise, contava agora com um sistema financeiro sólido, saneado no governo anterior. E vale salientar que a origem da crise foi justamente na desconfiança do mercado em relação ao sistema financeiro, o que transformou o Brasil em um dos principais destinos para os apavorados investidores europeus e americanos, desconfiados com a saúde dos seus bancos. Ou seja, a crise, que a princípio parecia um desastre para nós (e de fato foi nos três primeiros meses), terminou por se transformar em um fator positivo para o país, pois nos colocou em evidência no cenário mundial também pela saúde do nosso sistema financeiro.

      E eis que Lula, como sempre, aproveitou para fazer suas tradicionais bravatas para defender seu modelo ideal de Estado grande, deturpando as teorias anticíclicas de Keynes para justificar sua sede gastar cada vez mais.

      Ora, em todos os países atingidos pela crise os governos agiram em cinco frentes:

      1) Socorro ao sistema financeiro, a origem do problema.
      O Brasil, no entanto, não precisou se preocupar com isso, pois o único reflexo que chegou aqui desta crise foi o respingar da AIG no Unibanco, algo que foi facilmente contornado com sua compra pelo Itaú;

      2) Socorro a grandes empresas.
      Com exceção da Petrobrás, que inexplicavelmente sofreu mais que a Vale na Crise, o Governo também não precisou desembolsar grandes quantias para socorrer empresas, nem mesmo com a Sadia que perdeu bastante dinheiro com a disparada do dólar nos meses iniciais.

      3) Redução de juros
      Bem menos que o primeiro mundo, mas seguimos o que todos estavam fazendo e baixamos finalmente 5 pontos da Selic. Ou seja, aqui a crise também foi benéfica para o Brasil, pois evitamos pagar alguns bilhões de juros com esta redução;

      4) Concessão de crédito.
      Também aqui o governo brasileiro também acompanhou as medidas adotadas em vários países. Não inventou nada;

      5) Redução de impostos.
      Também nenhuma novidade já que esta também foi uma medida fartamente usada em todo mundo.

      E eis que Lula surge citando Keynes! Puxa, o “cara” que fala na TV o tempo “voltar pra trás” conhece as teorias anticíclicas de Keynes! Das duas uma: ou ele não é tão desaculturado quanto tenta parecer ou então ouviu alguém falar e repetiu o discurso bonitinho. Em qualquer das hipóteses a única certeza é que ele é um personagem, que é interessante para manter sua popularidade estes traços característicos das camadas mais populares, nem que para isto tenha que falar errado em pleno guia eleitoral.

      Amanhã concluo as respostas aos seus demais comentários.

      Abraço!

  19. Ana Paula
    outubro 25, 2010 às 9:36 am

    Você ainda acha que tucanos são ótimos de economia e petistas são meros imitões?

    Então vamos ao argumento mais poderoso: imagens valem como mil palavras.

    Dedique alguns minutos ao vídeo abaixo, e depois veja se você estaria feliz se Serra fosse presidente quando a crise de 2008/2009 tomou o Brasil de assalto:

    http://www.youtube.com/watch?v=Ig9pE6qwzxw&amp;

    • outubro 26, 2010 às 10:30 pm

      Ana Paula,

      A oposição (e especialmente o DEM) errou feio em ficar tirando onda da marolinha. A crise de fato era grave e o governo fez bem seu papel de tentar tranqüilizar o máximo a população. Eu mesmo cheguei a mandar um email para o site do DEM criticando aquela publicidade ridícula na TV, pois via naquela atitude a mesma atitude que o PT teve quando o Plano Real foi lançado e tantas outras iniciativas do PSDB. Este é apenas mais um lamentável exemplo de oportunismo das oposições, de jogar no time do contra. O PT foi especialista nisso e, pode ter certeza, que se voltar à oposição vai continuar fazendo, lamentavelmente. O PSDB infelizmente parece que andou aprendendo também alguns vícios do PT.

      Agora, neste episódio vale diferenciar o que é gasto e o que é investimento. O que os economistas aconselharam, e estavam corretos, foi o corte de gastos ou, no mínimo, não elevar os gastos fixos, algo bem diferente dos financiamentos essenciais em momentos de recessão. Felizmente, como já disse no outro comentário, por aqui e em todos os demais emergentes, a crise de 2008 foi apenas um susto. Passada a fase de perplexidade inicial, tudo voltou ao normal e os emergentes voltaram a crescer forte, agora numa condição superior a da antes da crise, pois tornaram-se agora a “locomotiva” da economia mundial (puxados pela China, claro).

  20. Ana Paula
    outubro 25, 2010 às 9:39 am

    Tópico 4: Não é verdade que o governo Lula “enfraqueceu as instituições democráticas”; pelo contrário, hoje elas são muito mais vibrantes e sólidas;

    Mostramos no tópico 2 que os órgãos de controle e combate à corrupção se fortaleceram no governo Lula. Além deles, os outros Poderes continuaram sendo independentes do Executivo. O Legislativo não deixou de ser espaço de oposição ao governo (que Artur Virgílio não me deixe mentir, e lhe impôs ao menos uma derrota importante>. O Judiciário… bem, além de impor ao governo derrotas, como no caso da Lei de Anistia<, está no momento julgando o caso do mensalãoo que dispensa maiores comentários.

    E a imprensa? Ela foi silenciada, calada, em algum momento? Uma imagem vale por mil palavras –

    O que se vê, na verdade, é o oposto. Foi o Estadão, que se diz guardião da liberdade, quem censurou uma articulistapor escrever este texto, favorável ao voto em Dilma

    Neste vídeo, uma discussão sobre as verdadeiras ameaças à liberdade de expressão<http://www.youtube.com/watch?v=6wTIRvRLn84&feature=player_embedded

    • outubro 27, 2010 às 10:47 pm

      Uma das coisas que me mais me deixam abismado hoje é ver pessoas até bem informadas se comportando como torcedores apaixonados. E por que chegamos a este ponto? Porque temos um presidente populista que promoveu a radicalização, a divisão da nossa sociedade. E quando isso começou? A partir do episódio do Mensalão. Depois que percebeu que não dava mais para botar o escândalo para debaixo do tapete, Lula saiu daquele ar melancólico inicial de “eu não sabia” (chegou até a pensar em se afastar da política, lembra?) e então começou o jogo de desqualificar a imprensa, a oposição e, principalmente, FHC, como nova estratégia. Daí a coisa só vem piorando a ponto de chegarmos a ver coisas inéditas na nossa democracia recente, como, por exemplo, a censura ao Estadão (sim, Ana, ainda hoje está censurado), a censura a jornalistas, como Jabor, por exemplo; a ameaça pública do presidente da república ao Ministério Público; as tentativas de criação de mecanismos de controle da imprensa, do MP, do Judiciário; o surgimento de blogueiros alugados para fazer o trabalho sujo, como o do PHA, Azenha, Nassif e etc.; a tomada de posição de jornais e revistas; um presidente transformado em cabo eleitoral; um presidente que desrespeita as leis; um presidente que desdenha a justiça; um presidente que se coloca acima da lei, etc. etc.

      O caso citado pelo vídeo é apenas mais um capítulo deste desfile de absurdos. Compare esta campanha de 2010 com a de 2002 e perceba os passos que demos para trás.

  21. Ana Paula
    outubro 25, 2010 às 9:41 am

    Sobre democracia, é impossível não abordar um tema que foi tratado à exaustão neste ano de 2010: o terceiro Plano Nacional dos Direitos Humanos, PNDH-3.

    Muito se escreveu sobre seu caráter “autoritário”, sobre a “ameaça” que ele representaria à democracia. Pouco se escreveu sobre o fato de ele ser não uma lei, mas um Decreto do Poder Executivo incapaz, portanto, de gerar obrigações em relação a terceiros. Não se falou que se tratava de uma compilação de futuros projetos de governo, que teriam que passar pelo crivo do Poder Legislativo. Não foi mencionado que ele não partiu do governo, mas de uma Conferência Nacional, que reuniu os setores da sociedade civil ligados ao tema. E pior, a imprensa deliberadamente omitiu que seus pontos polêmicos já estavam presentes nos Planos de Direitos Humanos lançados no governo FHC.

    Duvida? Leia este texto
    http://terradedireitos.org.br/biblioteca/gazeta-do-povo-programa-de-lula-sobre-direitos-humanos-e-parecido-com-o-de-fhc/&gt; e este aqui
    http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=correio&idcorr=84&gt;.
    Ou ainda, veja com seus próprios olhos: neste link, os três PNDH’s http://www.dhnet.org.br/dados/pp/pndh/index.html

    • outubro 27, 2010 às 10:49 pm

      Ana Paula,

      Procurei rapidamente na versão do PNDH 1 alguma coisa relativa ao controle da imprensa e não encontrei nada. A única coisa que encontrei que mais se aproxima do assunto visa “garantir a imparcialidade, o contraditório e direito de resposta na veiculação de informações, de modo a assegurar a todos os cidadãos o direito de informar e ser informado”. Ou seja, nada mais democrático. Algo bem diferente daquele “ranking dos meios de comunicação que mais desrespeitam os direitos humanos” do PNDH 3.

      Se vc encontrar alguma referência a controle da imprensa no PNDH 1, por favor, poste aqui, pois isso representaria uma guinada radical de FHC na direção das esquerdas totalitárias.

  22. Ana Paula
    outubro 25, 2010 às 9:44 am

    Tópico 5: A campanha de José Serra é baseada nas fanáticas campanhas da direita norte-americana, daí o perigo de referendá-la com seu voto.

    Quem acompanhou as eleições de 2004 e 2008 para a Presidência dos Estados Unidos sabe quais golpes baixos o Partido Republicano – aquele mesmo, conservador, belicista, ultrarreligioso – utilizou para tentar desqualificar os candidatos do Partido Democrata. Em 2004, John Kerry foi pintado como o “flip flop”

    o “duas caras”. Em 2008, lançaram-se dúvidas sobre a origem de Obama: questionaram se ele era mesmo americano, ou se era muçulmano, etc
    http://argemiroferreira.wordpress.com/2008/10/31/obama-mccain-e-os-boatos-mais-sordidos
    Em comum, uma campanha marcada pelo ódio, pela boataria na Internet, pela disseminação do medo contra o suposto comunismo dos candidatos da esquerda e a ameça que representariam à democracia e aos valores cristãos http://www.idelberavelar.com/archives/2008/09/abaixo_do_pescoco_tudo_e_canela_como_os_republicanos_vencem_eleicoes.php

    Você nota aí alguma coincidência com a campanha de José Serra, a partir de meados de setembro de 2010?

    Não?

    Então vamos compilar algumas acusações, boatos e promessas que surgiram nas ruas, na internet, na televisão e nos jornais, com o objetivo de desconstruir a imagem da candidata adversária, ao mesmo tempo em que tentam atrair votos com base em mentiras e oportunismo.

    Campanha terceirizada:
    Panfletos pregados em periferias associaram a candidatura de Dilma a tudo o que, na ótica conservadora, ameaça a família e os bons costumes
    http://www.revistaforum.com.br/blog/2010/10/04/dilma-aborto-maconha-prostituicao-casamento-gay-tai-a-prova/

    Panfletos distribuídos de forma apócrifa disseram que Dilma é assassina, terrorista e bandida, com argumentos dignos da época da Guerra Fria
    http://rsurgente.opsblog.org/2010/10/10/campanha-de-serra-abraca-agenda-fascista-da-guerra-fria-e-da-ditadura-militar/&gt;;
    E você acha que isso foi iniciativa isolada de apoiadores, sem vínculo com o comando central da campanha? Sinto lhe informar, mas não é o caso: é o PSDB mesmo que financiou e fomentou esse tipo de campanha de baixo nível
    http://www.rodrigovianna.com.br/geral/exclusivo-dona-da-grafica-e-do-psdb.html

    • outubro 27, 2010 às 11:15 pm

      Incrível como vc só vê a campanha rasteira do lado de Serra. Pergunta a qualquer um dos beneficiados do Bolsa Família hoje sobre o que vai acontecer se Serra se tornar presidente. A resposta é única: vai acabar com o Bolsa Família. Poderia citar vários exemplos de “conspirações” absurdas criadas e alardeadas pelo baixo escalão da campanha de ambos os lados, o que corrobora com o que expus nos comentários anteriores.

      E o que dizer da mentira deslavada no guia eleitoral e até em discursos oficiais? A coisa chegou ao ponto de Lula dizer com todas as letras: “pagamos a dívida externa”! É aquela história: uma mentira repetida várias vezes…

      Claro que o alinhamento do PT com a turma de Chaves faz com que todos os níveis de conservadores migrem para Serra, o que não significa que este seja de direita ou que concorde com todos os argumentos que são divulgados na net em seu favor. Como o próprio Lula já falou para o jornal Valor, em um dos seus raros momentos de sinceridade, pela primeira vez temos uma eleição sem um candidato de direita.

      Agora já que vc tenta atrelar a imagem de Serra aos republicanos, vc não acha estranho o fato de Lula ter sido tão amiguinho de Bush e se afastar agora de Obama?

  23. Ana Paula
    outubro 25, 2010 às 9:54 am

    Promessas de campanha oportunistas:

    – O PSDB criticou o Bolsa Família durante boa parte do governo Lula; mas agora, José Serra propõe o 13º do Bolsa Família
    – O PSDB defende a bandeira da austeridade fiscal e da contenção dos gastos públicos – foi no governo FHC que se criou o “fator previdenciáriomas para angariar votos, Serra prometeu um salário mínimo de 600 reaise reajuste de 10% para os aposentados
    – O PSDB criticou o excesso de Ministérios criados por Lula, mas nesta campanha, Serra já falou que vai criar mais Ministérios

    – O DEM do vice de Serra ajuizou ação no STF contra o ProUni, mas agora diz que defende o programa

    – O PSDB se pintou de verde para atrair os eleitores de Marina no 1º turno, mas é justamente o partido de preferência da bancada ruralista e dos desmatadores da Amazônia

    • outubro 27, 2010 às 11:23 pm

      Pois é Ana, da mesma forma que Lula criticava o Bolsa Escola e o Bolsa Alimentação, quando era oposição. Da mesma forma que votou contra o mesmo fator previdenciário, que agora defende; da mesma forma que criticava a CPMF quando oposição e, quando governo, fez tudo para torná-la permanente, etc., etc.

      É por estes e outros exemplos que votei na Marina no primeiro turno, pois ela falava justamente destas contradições eleitoreiras. Espero sinceramente que ela continue neutra e ganhe mais musculatura para a próxima campanha, assim como espero que mais brasileiros se conscientizem de quão absurda se tornou esta disputa e rejeite esta polarização da nossa sociedade promovida pelo nosso populista presidente.

  24. Ana Paula
    outubro 25, 2010 às 10:02 am

    Bem Sr. Amilton,

    Sei que será bem difícil “contra-argumentar” diante de tantos fatos e evidências, fatos que talvez até mesmo o senhor disconheça.Espero poder ter contribuído para abrir um pouco mais seus olhos em relação a suas convicções, Sr. Amilton.

    Grande abraço,
    Ana

    • outubro 27, 2010 às 11:24 pm

      Como pode ver, contra-argumentei todos os seus comentários. De novo mesmo só esta sua afirmação de que na primeira versão do PNDH 1 teria mecanismos de controle à imprensa. Ficaria grato a vc se me mostrasse onde está este capítulo, pois realmente não encontrei.

      Obrigado por sua participação. Acho que nosso debate contribuiu para deixar as pessoas mais críticas em relação a ambos os lados dessa disputa insana.

  25. outubro 26, 2010 às 4:06 am

    Olá, Amilton.
    Sou do Piauí, um dos estados mais pobres da nação. O governo e a população costumam dizer que Lula foi mais sensível para com o Nordeste. Sinceramente, não vejo essa “sensibilidade” petista no Piauí, por exemplo. Guaribas, a cidade-símbolo do fracassado Fome Zero, se resumiu apenas em dar o bolsa Família àquele pobre município. Para completar, o governo daqui também criou naquela época o Sêde Zero, que também acabou dando em nada. E o mais curioso: Meu Estado foi governado pelo petista Wellington Dias por dois mandatos, de 2003 a 2010. Mesmo com essa “dobradinha” (governo e presidente do PT), o Piauí melhorou muito pouco. O MEC, por exemplo, considerou a educação pública estadual entre as piores do país.
    Mas o PT sempre bravata que o PSDB nunca se importou com o Nordeste, e que este estaria pior caso Serra tivesse ganho em 2002.
    Fazendo um exercício especulativo, você acha que Serra (ou outro tucano) tem mesmo essa má vontade para com o Nordeste, ou é pura retórica de palanque? O PT realmente pensa melhor nos menos favorecidos? Programas como o Bolsa Família, apenas empurram o problema com a barriga?
    Você concorda com o saudoso, polêmico e irônico economista Roberto Campos que:

    “Quem se preocupa sinceramente com os pobres deve buscar, obsessivamente, elevar a demanda de mão-de-obra através de medidas como:
    1) A privatização de empresas estatais, pois o governo falido perdeu a capacidade de investir.
    2) A eliminação de restrições ao capital estrangeiro, que geraria empregos e traria tecnologia.
    3) A diminuição dos encargos sociais e burocráticos, que oneram o custo da contratação.”
    “Os comunistas sempre souberam chacoalhar as árvores para apanhar no chão os frutos. O que não sabem é plantá-las…”

    Enfim, caso Dilma vença, você concorda que essas políticas assistencialistas (Bolsa família, Prouni,etc) não resultarão em nada a longo prazo? E que o ideal, seria o Estado mínimo, como Campos sempre defendia?

    • outubro 27, 2010 às 10:41 pm

      Olá Gilx,

      Não deu para te responder ontem, então vou tentar ser bem rápido, pois tenho várias outros comentários para comentar.
      Por objetivo eleitoreiro ou não, temos que reconhecer que o nordeste foi a região mais beneficiada nos últimos anos. Este é, de fato, um dos maiores méritos do governo Lula.

      Não acredito que num eventual governo do PSDB a região recebesse a mesma atenção, até porque o nordeste tornou-se a tábua de salvação para Lula depois do escândalo do mensalão. Sem poder mais negar o que todo mundo já sabia, ele então decidiu apostar no populismo, manipulando as populações menos favorecidas para se contrapor a “direita golpista”, que na verdade é toda a parcela da sociedade, incluindo parte da mídia, que passou a fazer a oposição ao presidente.

      Roberto Campos, tem uma certa razão, mas peca pelo extremismo. Não acredito que o Estado mínimo seja a melhor solução, como também não considero o “Estado Forte”, como quer Lula, sustentável a médio e longo prazo. O Estado deve ser liberal, mas não pode deixar o mercado agir sozinho. Deve dispor de mecanismos para regulá-lo, promover políticas anticíclicas, já que o capitalismo alterna sempre momentos de crescimento e de crise, além de promover políticas de inclusão social.

      Com relação estas últimas, acho que estas devem sim continuar. No entanto, devem ter contrapartidas como, por exemplo, o compromisso das famílias em manter as crianças na escola, algo que existia nos programas originais do PSDB e que foram suprimidos do Bolsa Família.

  26. Leandro Maciel
    outubro 30, 2010 às 1:02 pm

    Amilton, crie um partido… assim q vc o fizer eu me filio a ele…rs… algo como partido pelo brasil…rs..

    serio, vc expoe muito bem os fatos… e o mais interessante é q ao conferir os dados dá pra constatar q vc busca os mesmos em fontes mais seguras e nao somente em qq blog por ai… isto faz toda a diferenca nos seus artigos…

    gostaria de sugerir algo interessante, apesar de chato, acredito q sua missao sera melhor cumprida se vc conseguir desmistificar o assunto, ou explicá-lo de forma mais simples para os leigos… o povo q eu vejo nas ruas, e q vota no PT, nao consegue entender nada do q está escrito aqui… pior, se eu mandar alguns lerem a preguiça nao vai deixar…rs…

    entao acredito q vc conseguiria aumentar sua audiencia se o conteudo fosse mais popular, digo nao assuntos, mas a forma de abordá-los.

    ah, to ainda mais eu fã… puxa to lendo seus artigos desde as 8 hrs da manhã..rs.. e nao cansei…rs…

  27. Leandro Maciel
    outubro 30, 2010 às 1:07 pm

    esqueci de outra sugestão, pro pessoal entender q vc nao é PSDB ou PT, mas brasil:
    tente criar um artigo citando as coisas boas e ruins de cada governo, q possam ou nao ser comparadas.

    eu gostaria muito de confirmar se estou bom com assuntos atuais e historicos…rs..

    • outubro 30, 2010 às 8:47 pm

      Obrigado pela sugestão, Leandro. Vou escrever um post fazendo um balanço geral sobre o Governo Lula.

  28. Leandro Maciel
    novembro 5, 2010 às 12:29 pm

    Oi Amilton,

    segue mais um material para suas analises: http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2010/governopt/

    confesso q nao li tudo pq só de ver a cara do lula ja fico enjoado…rs… mas como brasileiro, e patriota vou tirar um tempo pra rever estes fatos… 😦

    • novembro 6, 2010 às 6:43 am

      Obrigado Sandro,

      Será muito útil.

  1. outubro 18, 2010 às 8:15 am
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