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Lula e a “Mídia Golpista” (PARTE 1)

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Nos últimos meses a Internet tem se transformado em um grande campo de batalha ideológica entre os defensores incondicionais do Presidente Lula e seus os críticos. Na verdade, este é um processo que vem ocorrendo em menor grau desde o escândalo do Mensalão, mas que arrefeceu após as eleições de 2006. Recentemente a batalha recomeçou devido principalmente a cinco graves erros políticos do Governo Lula.

Erro nº 1: o eterno palanque

O presidente, desde que assumiu o governo, nunca desceu do palanque. Em todas as oportunidades que teve de falar em público, procurou sempre se apoderar de todos os méritos pelo bom momento econômico que vive o país, fazendo comparações descontextualizadas em relação ao governo anterior, apesar de não mudar uma vírgula das políticas “neoliberais” herdadas e, paradoxalmente, tão criticadas quando oposição.

Os discursos embalados pelo famoso “nunca na história deste país” surtiram efeito e a popularidade do presidente foi ainda mais acentuada com a unificação e ampliação dos programas sociais implantados pelo governo anterior, rebatizado agora de Bolsa Família.

Claro que uma parcela menor da população percebeu tais manobras políticas do presidente, principalmente entre os jornalistas. Surgia então o embrião do que os partidários do presidente viriam a chamar mais adiante de “Mídia Golpista”.

Erro nº 2: o desejo expresso de presidente de controlar a imprensa

Já nas primeiras críticas ao seu governo, o presidente Lula fez questão de expressar seu desejo de criar “algum mecanismo de controle externo da mídia”. O presidente já mostrava, ainda no seu primeiro mandato, sua simpatia pelo autoritarismo que começava a ser implantado na Venezuela de Hugo Chaves.

O assunto, claro, repercutiu muito mal na imprensa traumatizada com as duas décadas de regime militar. O embrião da “Mídia Golpista” se desenvolveu mais um pouco.

Erro nº 3: a antecipação da campanha

Os primeiros indícios da antecipação da campanha eleitoral foram as sucessivas manobras em direção ao terceiro mandato. Derrotada a proposta, o Governo partiu para o plano B: o lançamento da ministra Dilma Roussef como candidata à sucessão. O palanque foi ainda mais ampliando, tanto com a presença da candidata, quanto pelo badalado Plano de Aceleração do Crescimento. Surgia então a “mãe do PAC”.

Se o Bolsa Família encantou as massas, o PAC encantou os prefeitos e governadores, que viram nos bilhões anunciados pelo Governo a oportunidade de reforçarem suas “realizações” e, de quebra, seus votos nas eleições municipais.  Todo mundo queria pousar na foto ao lado do presidente. No encontro de prefeitos em Brasília, por exemplo, foi disponibilizado até um estúdio de fotografias para criar montagens de candidatos ao lado de Lula. Mais uma vez a tática funcionou e o presidente atingiu os seus comemorados 80% de aprovação.

Claro que uma parcela da população continuou a perceber tais manobras. As seções de comentários dos grandes colunistas políticos começaram a receber cada vez mais comentários de cidadãos cada vez mais críticos, endossando os artigos cada vez mais contundentes sobre os excessos do presidente.

Erro nº 4: a relação promíscua com o PMDB

O fortalecimento do PMDB nas eleições municipais de 2008 levou também o partido “amigo do poder” a aumentar seu número de ministérios, além de cargos importantes nas estatais e no Congresso. O presidente, no auge dos seus “80%”, cedeu tudo que o ressurgido das cinzas Renan Calheiros pediu. Em troca, claro, o partidão dava-lhe o apoio incondicional ao projeto de perpetuação no poder do Governo Lula.

Claro que uma parcela da população percebia tais manobras e já não conseguia calar diante de tantas aberrações políticas. E aí veio a gota d’água: a interferência do presidente Lula na eleição do candidato José Sarney à presidência do Senado, preterindo, inclusive, o candidato do seu próprio partido.

A esta altura, alguns colunistas importantes já havia assumido definitivamente uma posição de oposição ao governo, como Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, por exemplo. Em contraposição, alguns colunistas financiados pelo Governo, como Paulo Henrique Amorim, Nassif e Azenha, por exemplo, escancararam de vez a campanha política pró endeusamento de Lula e, de quebra, da candidata Dilma.

rro nº 5: apoio incondicional a Sarney

A crise no Senado já se arrastava há anos, tendo inclusive dois presidentes consecutivos (Jáder Barbalho e Renan Calheiros – ambos do PMDB) renunciado em meio a uma sucessão de escândalos. A eleição da Sarney foi apenas mais um episódio da crise, agravada com as manobras do presidente Lula para elegê-lo e com a sua indisfarçável vaidade ao fingir que não queria ser candidato, repetindo a velha retórica coronelista de que foi “convocado” pela vontade da maioria para assumir o cargo.

Ferido, o PT recolheu-se a posição de coadjuvante no jogo político do Senado. E aí começaram a surgir as primeiras de uma sucessão interminável de denúncias contra o velho coronel (comenta-se nos bastidores que as primeiras denúncias teriam vindo do próprio PT descontente com a manobra para eleger Sarney).

Como na retórica coronelista a melhor defesa é o ataque, Sarney atribuiu as denúncias a uma terrível “campanha midiática”. Lula, confiante nos seus 80% de popularidade, fez coro ao presidente do STF, Gilmar Mendes, na crítica ao “denuncismo” da imprensa e fez questão de diferenciar Sarney do cidadão comum, tendo chegado a aconselhar o Procurador Geral da República a ter cuidado com as “biografias” dos investigados (falando inclusive de uma possível “castração de poder” do Ministério Público).

Rasgando o diploma de jornalista

O acirramento das disputas políticas na Internet alterou também a forma de fazer jornalismo. A responsabilidade em mostrar ambos os lados da notícia deixou de ser uma preocupação. A parcialidade de ambos os lados fica cada dia mais evidente. Entre os críticos do Governo, há uma grande preocupação com a liberdade de imprensa, cada vez mais suprimida na Venezuela de Hugo Chaves, o grande representante do “neo-socialismo” do século XXI, linha ideológica defendida por Lula. Do lado governista, as “conspirações da direita golpista” seriam as reais razões da crise do Senado e da CPI da Petrobrás.

Para fazer frente à maioria dos colunistas de oposição, os colunistas governistas acirraram os discursos a tal ponto que a os títulos das boas notícias da área econômica são sempre acompanhados agora de um inacreditável “Bye, bye Serra!”.

Os apelidos e termos pejorativos tornaram-se cada vez mais comuns. Os lulistas são chamados agora de “petralhas”, enquanto que os anti-lula são chamados de “demotucanos”, “tucanalhas”, etc.

A imaginação de conspirações também chegou às raias da loucura. Paulo Henrique Amorim, por exemplo, chegou a alardear em seu blog a seguinte “conspiração”: “TIRAR SARNEY É O GOLPE DE ESTADO DE DIREITA”. Segundo agora “blogueiro”, o PIG (Partido da Imprensa Golpista) quer derrubar Lula. Se Lula cair, assume o vice. Se o vice morrer, assume Temer. Se Temer recusar(?), assumiria Perillo (já contando que Sarney tivesse renunciado por causa da “campanha midiática” em curso – mais um “se”) e então, o mentor de tudo isso, o impopular Gilmar Mendes (que o PHA quer a todo custo jogar para a oposição, quando, na verdade, suas idéias estão em plena sintonia com as de Lula e do Sarney, no que concerne a diferenciação de indivíduos com ou sem “biografia”), assumiria por pelo menos 48 horas!!! Neste pequeno intervalo de tempo Gilmar Mendes teria então uma lista de “tarefas urgentes”, entre as quais a principal seria a privatização da Petrobrás e a venda do Pré-sal!  (Se duvidarem, está aqui o link http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=14876)

E o mais surreal disso tudo é que existem mais 100 comentários de leitores “alarmados” com a iminência de tamanho “golpe”. Tentei postar alguns comentários lá, mas todos foram censurados. Ao procurar o email do “jornalista” para lhe dirigir uma crítica direta me defrontei com sua apresentação em “Quem Somos”, onde PHA se diz um representante de um novo jornalismo “colaboralivo” e “DEMOCRÁTICO”!

Para ver a segunda parte deste artigo, clique aqui.

Desabafando

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Decidi criar este blog depois de ver hoje o discurso constrangedor do senador Aluísio Mercadante, fazendo um incrível exercício verborrágico para defender e justificar o injustificável. Ou seja, o apoio do PT a Sarney!

Fiquei surpreso comigo mesmo quando, num aparte do senador Agripino Maia, me peguei torcendo por este senador, fazendo minhas suas palavras, quando tentava enquadrar o agora fantoche Mercadante. E pensar que algum dia eu, que já fui militante do PT, que tinha o Mercadente como um exemplo e que tinha náusea quando via qualquer político do PDS/PFL falar, e agora me flagrar torcendo pelo Agripino. Ufa! Não mudei de lado, mas é que a coisa no PT ficou tão feia que o DEM está parecendo agora até mais palatável. Que tristeza!

O que aconteceu com a ética? A “governabilidade” alegada por Mercadante justifica esta absurda situação de ver agora Lula definir quem preside ou não o Congresso e colocar a ética na lata do lixo de forma tão descarada? Para que serve então o Senado? Para vermos Renan Calheiros reinar absoluto nos bastidores barganhando os votos da grande prostituta da política brasileira (o PMDB) com cargos e mais cargos no governo? Para ver a triste figura do ex-presidente Collor voltar à cena política, agora como capacho de Renan? E o que dizer da farra do Agaciel, colocado no Senado pelo então presidente Sarney, que agora jura de pés juntos que não tem nada a ver com a crise do senado? E o nosso presidente, agora usando seu “know-how” em abafar escândalos para blindar Sarney com sua popularidade de 80%, colocando-o literalmente acima da lei? (Certamente porque também se acha acima da lei). E a chamada “bancada ética”, também incluída na lista dos beneficiados dos atos secretos do Agaciel?

No meio desse terremoto, a oposição segue perdida como cego em tiroteio, sem poder falar muito alto, uma vez que o DEM presidiu a mesa diretora e, certamente, sabia tudo que acontecia.

A coisa chegou a tal ponto que os senadores (e deputados, por extensão) nem mais se preocupam em esconder as trocas de cargos por votos. Ou seja, a natureza do que está sendo votado passou para segundo plano. O governo decide o que deve ser votado e a bancada de apoio vota em bloco, pois os votos são previamente “negociados”.

Se o Senado, e por extensão o Congresso, serve apenas para barganhar cargos no governo e nas estatais, então não tem razão para existir. Aliás, seria uma grande economia para o Brasil extingui-lo, pois assim economizaríamos mais R$ 3 bilhões por ano.