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Lula e a dívida pública (final)

outubro 31, 2009

Comparativo Lula x FHC sobre o endividamento público

charge_lula_brincando_com_numerosCom este post finalizamos esta série sobre a Dívida Pública.  Confesso que aprendi muito nestes últimos meses, inclusive com alguns internautas. Um deles nos passou algumas informações importantes sobre o processo de endividamento da era FHC, até hoje uma das marcas mais negativas do Governo do PSDB, aliás um fator decisivo para a perda do meu apoio como eleitor, já no final do primeiro mandato.

Depois de estudar a evolução da dívida na era Lula, vamos então retornar um pouco a era FHC para concluirmos esta série com um comparativo entre os processos de endividamento nos dois Governos, assunto este que deveria ser, se não a maior, pelo menos uma das maiores preocupações dos governantes brasileiros, uma vez a dívida pública recebe, desde a era FHC, o maior “orçamento” da união.

Como sempre, ao pesquisar sobre o assunto, encontramos muitas informações desencontradas, a maioria recheada de discursos ideológicos, onde sobram bravatas e faltam argumentos realmente consistentes.

Trabalhos sérios sobre o processo de endividamento da era FHC são poucos, mas um em especial me chamou a atenção. Primeiro pelo seu conteúdo objetivo, segundo por contar com a credibilidade da Universidade de Brasília, e, claro, do autor da pesquisa, o PhD em economia Flávio Rabelo Versiani. Para quem tiver alguma curiosidade sobre o “pequeno” currículo do autor da pesquisa, clique aqui. Para ver a pesquisa, clique aqui.

A cultura inflacionária

Para quem não viveu a época de hiperinflação, certamente não tem dimensão do desafio que foi ao Brasil derrotar o seu principal entrave ao crescimento desde o final da década de 70. Só para dar uma idéia aos mais jovens do tamanho do problema, no final do Governo Sarney, a inflação chegou a incríveis 84,32% ao mês. Vários planos econômicos tentaram conter o processo inflacionário sem sucesso até que, no Governo Itamar Franco, finalmente o problema parecia ter sido resolvido.

Digo “parecia” porque, ao contrário do que muitos pensam, o controle da inflação não foi nenhuma mágica que resolveu o problema da noite para o dia. Na verdade, o processo se estendeu por toda a era FHC e até o início do Governo Lula. Aliás, ainda hoje não se pode dizer que o processo foi completamente concluído, pois existem ainda mecanismos de indexação da economia resultantes da cultura inflacionária que, por falta de coragem do Governo atual, ainda não foram completamente eliminados.

Naturalmente uma mudança tão brusca na economia trouxe, além dos resultados positivos óbvios, também alguns problemas. Entre os positivos, o mais visível foi, sem dúvida, a melhoria da distribuição de renda com o fim do chamado “imposto inflacionário”. Entre os negativos, o mais visível foi o processo de endividamento, principalmente a explosão da dívida interna. Sobre este assunto, vamos listar as principais conclusões da pesquisa do economista Flávio Rabelo Versiani.

A explosão da dívida pública na era FHC

Primeiramente, o pesquisador faz uma distinção entre o processo de endividamento decorrente dos ajustes do cambio (diferença entre o valor do Real em relação ao Dólar) e fatores “não repetitivos” resultantes de reformas na economia. Entre os fatores não repetitivos, o pesquisador destaca três:

1) Refinanciamento de estados e municípios – Desde a constituição de 1988 que deu mais “liberdade” para os estados e municípios, houve um crescente endividamento nestas esferas do poder público. Entre 1989 e 1998, a dívida líquida dos estados e municípios passara de 5,8% para 14,4% do PIB. Os governadores gastavam mais do que arrecadavam, sendo que o restante era financiado por bancos estaduais, os quais disfarçavam os prejuízos nos tempos de inflação alta pois, assim como o Governo Federal, tiravam da inflação alta parte de suas receitas. Quando a inflação acabou, a situação dos bancos estaduais (e consequentemente os estados) tiveram suas situações de endividamento pioradas. Para desativar a “bomba” que explodiria mais cedo ou mais tarde, em 1997 o Governo iniciou as discussões para a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal e, para aprová-la, teve que se comprometer com os governadores a assumir as dívidas dos estados e municípios.

“Outra forma de apoio aos estados foi o Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária – PROES, estabelecido pela Medida Provisória 1.514, de 1996, e legislação posterior. Sob esse programa, o governo federal estendeu empréstimos a estados para o propósito de privatização ou liquidação de seus bancos, ou sua transformação em instituição não-financeira. O programa teve a adesão de 21 estados e alcançou 36 instituições financeiras”

Como resultado deste processo, foram repassados para da dívida interna federal R$ 275 bilhões.

Vale salientar que esta mesma Lei de Responsabilidade Fiscal, a qual prevê punição aos governadores e prefeitos que gastarem mais do que suas receitas, está sendo alvo de uma grande campanha de prefeitos e governadores para que seja “flexibilizada”. Ou seja, estão querendo acabar com um dos grandes avanços da administração FHC implantada a duras penas e com alto custo ao cofres públicos. Vale lembrar também que nesta mesma época o PT foi um dos grande entraves do governo, por fazer oposição sistemática a cada ação do governo, até mesmo nas mais óbvias e necessárias como as reformas estruturais das quais hoje colhe os frutos no governo.

Passivos contingentes“O governo federal realizou diversas operações, na última década, com o objetivo de assumir dívidas latentes, ou seja, compromissos assumidos no passado, de diversas formas, pela União, mas que não tinham sido contabilizados como dívidas efetivas”.

Um desses casos foi a resolução do grande problema criado pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) que na época da inflação alta criou grandes distorções para os mutuários. Para quem não lembra dessa época, existiam milhões de brasileiros que financiaram imóveis pela Caixa Econômica Federal e que mesmo depois de terem pago metade da prestações, o valor total da venda do imóvel não era suficiente nem mesmo para quitar a dívida.

“Outros passivos contingentes derivaram da assunção, pelo governo federal, de débitos e obrigações de entidades extintas ou privatizadas, como o Lloyd Brasileiro, a Rede Ferroviária Federal, a SUNAMAM, o Instituto do Açúcar e do Álcool, etc. (STN, 2002-b). O valor da Dívida Mobiliária Federal referente a assunção desses “esqueletos” montava, em abril de 2002, a R$ 143,4 bilhões”.

Fortalecimento de bancos federais – Hoje os bancos estatais como o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal são exemplos de boas gestões, lucrativos e financiadores do desenvolvimento nacional, emprestando dinheiro até mesmo a Petrobrás. O que pouca gente sabe (ou esqueceu), no entanto, é que para chegar ao que são hoje, tais bancos tiveram que ser saneados no Governo FHC através do Programa de Fortalecimento das Instituições Financeiras Federais (PROEF) além de serem forçados a adequarem-se aos padrões de capitalização e de provisão de riscos de crédito estabelecidos pelas normas internacionais.

“Como resultado do PROEF, a Caixa Econômica, o BASA e o BNB tiveram seu capital aumentado (o do Banco do Brasil já o fora, pela Medida Provisória nº 2.072-66, de março de 2001), e procedeu-se também a uma troca de ativos de pouca liquidez por outros líquidos, e remunerados a taxas de mercado. Houve também uma transferência do risco de créditos para o Tesouro Nacional, no caso de operações ligadas a programas de governo, e a uma empresa especialmente criada (Empresa Gestora de Ativos). A parcela da Dívida Mobiliária Federal correspondente às operações do PROEF atingia, em abril de 2002, o valor de R$ 69,5 bilhões.”

Conclusão: A soma entre os totais gastos para resolver os problemas herdados pelo Governo FHC totalizam R$ 572,6 bilhões, o que corresponde a 85% da dívida de R$ 623 bilhões deixada por FHC, segundo o Tesouro Nacional, e 67,5% em relação à dívida de R$ 848 bilhões, segundo a versão do Banco Central que inclui os títulos em poder do BC e as dívidas das estatais.

Somando-se a este montante os bilhões de dólares gastos para segurar o câmbio nas sucessivas crises da década, além de juros e algumas emissões de títulos para suprir os déficts orçamentários decorrentes da diversas fases do processo de estabilização, chegamos a famosa “herança maldita” deixada por FHC.

A explosão da dívida pública na era Lula

É importante observar que a pesquisa citada foi publicada no início do Governo Lula. Apesar do grande aumento da dívida verificado na era FHC, o autor da pesquisa conclui que a dívida teria entrado em “uma trajetória decrescente da relação dívida / PIB, nos próximos anos”.

Além da resolução dos problemas decorrentes da queda da inflação citadas acima, o autor cita também a criação do superávit primário em 1999 como o principal vetor para a redução da dívida pública.

“É importante ressaltar que a manutenção de um superávit primário significativo, da ordem de 3,5 % do PIB, é um condicionante fundamental de uma trajetória favorável da dívida. Se essa meta tivesse sido perseguida, no período 1995-1998, da forma como o foi, a partir de 1999, a relação dívida/PIB seria hoje próxima da metade do valor hoje efetivamente observado.”

Ou seja,  qualquer redução da dívida atual comemorada pelo atual governo tem mais a ver com as políticas implementadas na era FHC do que com ações do próprio Governo Lula. Aliás, a previsão da substancial redução da dívida segundo o economista com a amortização do superávit primário infelizmente não se concretizou.

As razões são obvias: o Governo Lula, apesar de cumprir as resoluções do superávit primário até 2008 (em 2009 reduziu a meta  pela metade), continuou emitindo títulos da dívida para financiar um desenvolvimento artificial da economia, através do famoso PAC. Digo artificial porque o programa não é nada mais nada menos que um paliativo, uma injeção de recursos públicos na economia com data e hora para terminar, porém com significativo endividamento público.

Além da ausência de crises, de um cenário econômico internacional favorável que permitiu seis anos e meio de crescimento sucessivos da nossa economia, sem o peso de “esqueletos” do passado, com uma economia já estabilizada e com um dólar em queda livre, ainda assim o Governo Lula conseguiu aumentar significamente a dívida ao invés de diminuí-la (ver gráficos nos posts 7 e 8).

Vale salientar ainda que a injeção de recursos públicos na economia tem um outro efeito negativo que se volta contra o próprio Governo: a pressão inflacionária decorrente do aumento da liquidez (excesso de dinheiro no mercado). Por isso mesmo, apesar de tantos anos de estabilidade, o Governo ainda reluta em baixar os juros da Selic (até hoje sua única arma contra a inflação). Com juros altos, o país continua pagando altíssimos juros (hoje o terceiro do ranking mundial, uma vez que devido à crise financeira internacional, o Governo foi forçado a baixar os juros). Infelizmente, passada a crise, novas pressões inflacionárias já acenam para a uma nova trajetória de aumento dos juros em 2010, o que implica em mais gastos com juros e amortizações das dívidas.

Conclusão Final

O Governo Lula perdeu uma grande chance de criar as condições ideais para um crescimento sustentável com a redução da dívida pública e da carga tributária, aumentada na era FHC justamente para compensar a diminuição dos recursos públicos com o aumento da dívida pública. Na direção contrária, o Governo Lula aumentou ainda mais a carga tributária em dois pontos percentuais para suprir a enorme demanda de recursos decorrente do aumento dos gastos públicos, especialmente os fixos, os quais dificilmente poderão ser diminuídos no futuro.

Tal quadro mostra também o enorme potencial do Brasil, pois consegue crescer mesmo pagando quase R$ 300 bilhões por ano de juros e amortizações da dívida pública. Imaginem como estaria então hoje este país, se o Governo Lula tivesse realmente reduzido a dívida pela metade, conforme previsto pelo pesquisador Flávio Rabelo Versiani.

Mais grave ainda é o legado que Lula deixa quanto a sua forma de administrar, pautada em resultados imediatos. Como a conta das “realizações” do Governo Lula ainda não está sendo sentida pela população, o próximo governante vai se ver no dilema de repetir a fórmula “bem sucedida” politicamente (porém perniciosa aos cofres públicos) ou enterrar-se politicamente para implantar uma política austera, preparando assim um novo berço esplêndido para o próximo presidente (no caso o próprio Lula, em 2014).

Se o cenário econômico mundial continuar favorável, é muito mais provável que tudo continue como está. Caso contrário, o país terá que passar por uma grave crise para então se dar conta dos erros cometidos no passado. Em qualquer dos cenários, certamente teremos pago mais um trilhão em juros e serviços da dívida, infelizmente.

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  1. Ricardo Amaral
    outubro 31, 2009 às 11:47 pm

    Um ponto muito importante mas pouco tratado nas pesquisas econômicas brasileiras é o efeito adaptação que ocorre com um país que convive por longo tempo com altas taxas de juros. Seu efeito sobre a inflação é praticamente nulo (já que na verdade, o controle da inflação no médio e longo prazo é dado pela competição, nunca por juros). Isso explica porque nossa bomba cambial irá uma hora estourar e, com ela, nossa inflação (já que nosso mercado não está preparado para competir de fato com os estrangeiros e, sem essa competição, o mercado brasileiro voltará a se acomodar com seus patamar baixíssimos de produtividade).
    Por isso, discordo da visão atual que os juros altos seguram a inflação. Na verdade, é o câmbio que tem segurado, motivado pelos juros escorchantes que pagamos todos os dias.

    • novembro 1, 2009 às 7:58 am

      Concordo contigo, Ricardo. Também nunca acreditei que o aumento de um ou dois pontos da Selic tenha este efeito todo. Acho que é algo mais psicológico do que qualquer outra coisa. Mas, o que que mais me impressiona é o fato de que até hoje a equipe econômica não pensou em outra formas de combater a inflação. Que eu saiba existem muitas outras variáveis que atuam diretamente sobre a inflação além dos juros.

      • Gustavo Vasconcelos Jacobina
        maio 13, 2010 às 12:23 pm

        Tudo ótimo ricardo, meus parabéns, devo acrescentar que uma forma eficaz de combate a inflação que pareçe que o mundo inteiro vem esquecento chama-se PRODUTIVIDADE X INOVAÇÃO, o paí que consegue equacionar este dois fatôres passam longe de crises e suas estabilidades financeiras são duradouras, vide alemanha e japão.a grande´pergunta que fica no ar, é. Será que no Brasil estamos buscando invovação e produtividade ou somos apenas produtores de comodites pela abundância de recursos minerais no nosso território e verborrágicos quanto ao resto?

  2. Gerson
    novembro 1, 2009 às 5:08 pm

    A realidade é que existe, na economia mundial, muito mais moeda (ativos fianceiros) circulando do que a quantidade de bens sendo produzidos.
    Do total de moeda circulante (ativos financeiros), parte vai para consumo direto, parte vai para aplicações finaceiras, renda fíxa e renda variável (hoje o dinheiro não fica mais parado).

    Esses valores aplicados em renda fíxa e em renda variável é quem garante os recursos para os investimentos no setor privado, (comércio, industria e serviços) e também supre às necessidades de investimento e custeio do estado, visto que, no Brasil, a demanda por recursos aplicados pelo setor público supera, em muito, o poder de arrecadação do estado.
    Dentro dessa realidade, cabe à uma boa e responsável administração pública gerir essa equação considerando:

    a) Controlar, através de instrumentos de politica monetária e fiscal, os fluxos de capital na economia, mantendo a saúde do sistema financeiro e dos seus aplicadores não permitindo que sejam formadas bôlhas financeiras, como as que observamos na atual crise. Em outras palavras, como o movimento financeiro em bolsa de valores é na sua essência especulativo as autoridades financeiras tem que monitorar constantemente a formação dessas bolhas especulativas e atuar para que isso não aconteça.

    b) A concessão excessiva de crédito (além da capacidade de pagamento dos tomadores desse crédito) também é um forte fator de instabilidade em uma economia e é muito importante que a autoridade monetária se preocupe com isso. Não se deve conceder muito crédito só para forçar um crecimento artificial e não duradouro da economia.

    c) A qualidade dos gastos do governo, também é um importante fator para a saúde da economia.
    Não se deve gastar recursos do governo cedendo a pressões de grupos politicamente organizados como:
    Sindicatos, Associações empresarias, partidos politicos que estão no governo ou apoiam o governo.

    d) A criação de um ambiente jurídico e institucional favorável ao dinamismo tanto do setor privado, como do setor público, eliminando a tão famosa burocracia brasileira, orientando as decisões administrativas no sentido de acompanhar a rapidez dos negócios em uma época de constante desenvolvimento tecnológico.

    É por todos esses motivos que a idependência do Banco Central é de capital importância para se garantir um ambiente de confiança e estabilidade, que com toda certeza será de muito proveito para a nação brasileira.

    • novembro 2, 2009 às 9:17 am

      Interessante seu comentário, Gerson, especialmente a tese de que hoje existe mais moeda circulando do que a quantidade de bens sendo produzidos. Esta tese é sua? Se não, qual a fonte? Pergunto isso porque tenho a intuição que isso acontece, embora reconheça que isso levaria o mundo a um processo inflacionário, o qual ainda não ocorreu.

      • Gerson
        novembro 3, 2009 às 6:21 pm

        Caro Amilton Aquino,
        Fico muito contente em saber que você considera o meu comentário interresante.
        Sendo assim vamos a questao:

        Você me pergunta se a tese da existência de mais moeda circulando na economia mundial do que bens sendo produzidos é minha.

        Sou bacharel em Ciências Econômicas e já trabalhei como agente de investimentos em um Banco que tinha a sua corretora de títulos e valores mobiliários. Na época eu era devidamente habilitado junto ao Banco Central e desde então já ouvia essa tese ser divulgada por alguns economistas de renome.

        Veja um artigo sobre o assunto nesse link: http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&rlz=1C1CHMB_pt-BRBR329BR329&q=Existe+excesso+de+moeda+na+economia+mundial&btnG=Pesquisar&meta=&aq=f&oq=

        No momento, trabalho desenvolvendo sistemas de gestão de empresas (ERP), na área de informática, mas continuo a me interessar por assuntos de economia e também administro os meus próprios recursos aplicados no sistema financeiro.

        Em relaçao ao seu reconhecimento que esse fato (excesso de moeda) levaria o mundo a um processo inflacionário, podemos fazer as seguintes consideraçoes:

        – O total de moeda circulante (ativos financeiros) que podem gerar inflação são somente aqueles que sao destinados ao consumo direto e/ou crédito para consumo direto. Enquanto os recursos estao aplicados no mercado financeiro (renda fíxa e renda variável) eles não estimularão o consumo, portanto, não causarão inflação, mas poderão causar bolhas especulativas no mercado de ações, principalmente quando a remuneraçao real no mercado de renda fixa é muito baixa devido a taxa de inflação alta e impostos cobrados na renda fixa, que diminuem a remuneração do aplicador a ponto de ocorrer uma despoupança.

        Isso acontece devido a própria natureza do sistema capitalista, que fornece mecanismos dinâmicos, como as bolsas de valores que dão liquedez ao sistema, mas que por outro lado, devido ao seu aspecto especulativo gera valores irreais para as ações.

        Quando os rendimentos em ações começam a superar a capacidade das empresas de gerar esses rendimentos o sistema tende a se ajustar gerando as grandes crises das bolsas de valores e atingindo em cheio a economia das famílias e das pessoas jurídicas, como empresas, fundos de pensão e etc, que aplicaram seus recursos em ações. Isso gera um clima de desconfiança geral na economia e termina freando o seu rítimo de expanssão. Devido ao fato dos brasileiros ainda possuirem a maioria das suas aplicações finaceiras em renda fíxa (poupança, CDB, Tesouro direto) e menos em ações é que a economia do Brasil sofreu menos com a última crise mundial, pois, diferente do que aconteceu nos U.S.A, os brasileiros não viram as suas economias escoarem de ralo abaixo e assim mantiveram a confiança na economia e conservaram um razoável nível de consumo.

        Um instrumento que a autoridade monetária tem de evitar essas bolhas especulativas é induzir o investidor para aplicações menos especulativas, via politica monetária, e dessa forma dar estabilidade ao sistema econômico como um todo. Essa é uma das funções do Banco Central. Portanto, os instrumentos de politica monetário não são só para controlar a inflação, mas sim para controlar os fluxos de capitais que não se destinam ao consumo direto.

        • novembro 3, 2009 às 11:08 pm

          Gerson, obrigado pelas explicações. É sempre muito bom falar com um especialista. De fato, este risco de formação de bolhas parece a cada dia fica mais iminente. A crise atual deveria levar os bancos centrais do mundo a tomar decisões conjuntas para atenuar estes riscos. Mas, pelo jeito, parece que tudo vai continuar como está, pois depois que a crise arrefeceu ninguém mais se reuniu. Parece que já esqueceram.

  3. novembro 1, 2009 às 7:05 pm

    Que aula!

    Vou divulgar muito esse seu último artigo. As pessoas precisam desenvolver essa consciência que você tem!

    Adorei.

    Abs.

  4. MORAIS
    novembro 4, 2009 às 6:45 am

    Leigo que sou, minha intuição me diz que não se baixa a taxa Selic por receio de fuga dos capitais e por consequência sempre se adia o problema do individamento para o próximo governo. Infelizmente o atual chefe da camarilha está governando o país com espantoso volume de capitais que estão entrando (por não terem outro lugar para ir) e está torrando tudo com IRRESPONSABILIDADE, aumentando sobremaneira a dívida de cada um de nós, pobres brasileiros. E minha intuição também me diz que a inflação é causada principalmente por falta de lastro da moeda, ou seja, emissão de cédulas sem a devida garantia do tesouro (muitos reais e poucos dólares,euros,ouro,etc…).

    • novembro 4, 2009 às 7:51 am

      Morais, concordo contigo. Só faço uma ressalva sobre a emissão de papel moeda, pois acho que felizmente superamos esta fase. Esta prática era muito comum nos tempos de inflação alta. Hoje, o mecanismo que o Governo “financia” seus déficits é via emissão de títulos da dívida pública. De certa forma, não deixa de ser um dinheiro “fabricado”, sem lastro e que ,se circular livremente pelo mercado sem um controle do BC, gera pressões inflacionárias. Até aqui o BC está conseguindo driblar bem tais problemas. A questão que fica é até quando terá condições de administrar um fluxo de capitais tão alto retidos nas aplicações financeiras.

  5. novembro 4, 2009 às 2:58 pm

    Amilton, quando vc começou a série, confesso que imaginava que seriam uns 3 ou 4 artigos, porém vc apresentou 10 artigos cheios de informações que são no mínimo uma grande base para quem acredita fielmente no governo atual começar a duvidar das intenções deles.
    Não sou especialista no assunto e não tenho como avaliar a veracidade e não tive tempo para confirmar tudo que nos foi apresentado, mas depois de todos estes textos, comecei a achar que no final, vc não conseguiu mostrar nem a ponta toda do iceberg que é esta grande maracutaia que se armou para nos governar e iludir. Não por incapacidade sua, mas acho que seriam necessários mais uns 500 artigos só para a ponta do iceberg.

    Parabéns pela série e obrigado.

    • novembro 4, 2009 às 9:54 pm

      Também me surpreendi com o desdobramento da série (rendeu até discurso no senado, olha que xique, rsrssrs). De fato meu planejamento era escrever cinco artigos, mas à medida que pesquisava sobre o assunto mais encontrava “pano pra manga”. Aliás, tive que abreviar a série, pois tenho outras informações que renderiam ainda mais posts. Infelizmente vou ter que dar uma pausa nos posts por três meses, período em que vou me dedicar à criação de uma pequena empresa. Uma pena, mas não me resta outra opção, afinal eu também tenho algumas dívidas internas e externas para quitar. 🙂
      Abraço!

  6. MORAIS
    novembro 5, 2009 às 7:39 am

    Aquino,esta candidatura da DILMA está encomendada para fracassar. Eu acho que ela está sendo lançada como boi de piranha. A idéia da camarilha é perder esta eleição e fugir para outro país, para gastar o dinheiro roubado nos oito anos de poder. Eles estão deixando um estrago tão grande que não estão se importando em ganhar as eleições. Pergunto ? Quem teria mais chances, por exemplo, entre Patrus Ananias ou Dilma (guerrilheira, psicopata, mentirosa, antipática, autoritária, ladrona – lembrem-se do caso da Varig)? Lógico que seria o Patrus. Mas a vontade de perder e fugir do país é tão grande que lançaram a psicopata como candidata. Só falta ela ganhar e desistir, alegando que sua ?doença? impediria ela de trabalhar. Além de Patrus, existem outros nomes no PT que encaixariam melhor uma candidatura, até mesmo o casal Suplici. Esta Dilma, pelo que eu sei, nunca teve um cargo eletivo. Então por que ela é a candidata do Lula e do PT? Isto faz lembrar aquele antigo ditado : “há algo de podre no reino da Dinamarca”.

    • novembro 5, 2009 às 10:17 pm

      Discordo, Morais. Acho que o cenário dos sonhos de Lula seria uma eleição plebiscitária que elegesse uma candidata fraca como a Dilma. Assim ela deveria tudo ao deus Lula, seguraria todos os seus pepinos calada até a volta em 2014. Por isso que ele se empenha tanto para promover a “mãe do PAC”.

  7. Mauricio
    novembro 26, 2009 às 5:54 am

    Amilton Aquino, eu acessei o site do ministerio da fazenda e numa rapida olhada nos numeros acredito que na sua analise sobre o % divida x pib, me parece que voce desconsiderou as reservas internacionais e o fato de que a divida publica federal externa e aprox. 55 bilhoes de dolares e o restante, mais de 3/4 e de origem privada. Quando falamos de divida extena, sempre nos esquecemos que esta e composta da divida publica e privada. O percentual da divida publica gradativamente foi reduzida em relacao ao pib 1. porque aculamos reservas (FHC=30 bilhoes, Lula=230 bolhoes), 2. Crescimento do Pib. Quero tambem lembrar que apesar do valor bruto da divida ter aumentado, temos que considerar o fator inflacao. O percentual de crescimento do pib anual e calculado levando em conta a inflacao. Para termos um crescimento zero teriamos que ter um imcremento do pib no mesmo percentual da inflacao. Ficarei muito feliz se pudermos trocar mais ideias sobre o assunto. At. Mauricio

  8. Mauricio
    novembro 26, 2009 às 6:23 am

    So para complementar, olhando a divida publica interna, o percentual praticamente se manteve o mesmo na era FHC e Lula, mas quando olhamos a divida extena, esta teve uma reducao significativa, uma vez que era de aprox. 55 bilhoes de dolares e as reservas ja estao na casa dos 230 bilhoes, isso explica porque aparece a divida externa no site da fazenda em percentuais negativos, dessa forma quando consideramos a divida total, o percentual da divida em relacao ao pib fica abaixo dos 40 %, comprovando que houve uma reducao. No meu ponto de vista a melhor forma de reduzir a divida publica, e a geracao de mais reservas e o continuo grescimento do pib, manter a atual politica fiscal (implantana desde o FHC). Nao considero possivel uma reducao no orcamento em detrenimento do pagamento da divida, se isso vier a ser feito nao havera absolutamente nada para se investir e cumprir as minimas responsabilidade do estado, e em consequencianao teremos qualquer crescimento do pib. Na minha visao so temos a opcao de crescer e crescer, para que a divida publica possa perder gradativamente o peso que tem hoje. Infelismente nao da para chorar o leite derramado, independente de qualquer futuro presidente, o erro foi cometido no passado e nao ha como fugir das consequencias. E muito triste saber que todos as despesas socias (educacao, saude, programas sociais) e ate mesmos investimentos sao muito inferiores ao que se destina ao pagamento de juros e amortizacoes da divida. At. Mauricio

    • novembro 26, 2009 às 11:40 pm

      Olá Maurício,
      Por favor, me passa o link desta nova versão da dívida, pois, como vc pode ver na parte 8 desta série, já temos várias outras versões da dívida externa. Segundo o BC, a dívida externa bruta em agosto de 2009 era de US$ 277 bilhões, dos quais US$ 73 bilhões de empréstimos intercompanhias. A maquiagem do Governo já começa aí, pois desconsidera esta parte “privada”, sem, no entanto, desconsiderá-la nos comícios quando compara com a dívida deixada por FHC.

      Com relação às reservas, poderíamos fazer um raciocínio análogo, pois, ao contrário do que muita gente pensa, este não é um dinheiro que o Governo poupou, e sim o resultado da combinação entre saldos positivos da balança comercial, investimentos na bolsa, investimentos em títulos da dívida pública e da compra de dólares pelo Governo. Ou seja, apenas este último item é “mérito” do Governo, uma parcela insignificante. Por isso que o Governo não usa as reservas para abater a dívida. Aliás, as reservas hoje já se tornaram um problema para o Governo, pois elas também têm um custo. Para quem não sabe, até o ano passado, as reservas custavam aos cofres públicos R$ 30 bilhões por ano. Sobre este assunto, comentei na segunda e na quarta parte desta série.

      Sobre o impacto da inflação no crescimento da dívida, este argumento vale mais para a era FHC, pois a inflação do período foi maior. Vale lembrar que quase todo o Governo FHC a luta contra a inflação foi um dos principais desafios do Governo, um problema que Lula não teve mais que se preocupar.

      Uma das poucas coisas boas que o Governo Lula fez nesta área foi a redução da emissão de títulos indexados a Selic, reduzindo ainda mais o impacto da inflação no crescimento da dívida. Hoje, apenas 30% dos títulos são indexados a Selic, o resto é prefixado. O problema é que o que era uma vantagem nos tempos de inflação mais alta agora se tornou um problema, pois, como podemos ver na nona parte da série, agora o próprio mercado é quem está exigindo títulos prefixados a juros maiores. Só para se ter uma idéia, no auge da crise do ano passado, o BC chegou a emitir títulos com juros de até 18% ao ano;

      Embora a inflação esteja controlada, na casa dos 4,5% ao ano, na prática, o Real tem se valorizado nos últimos anos frente à principal moeda de referência, o dólar. Portanto, sua observação faz mais sentido para a era FHC. Na era Lula, a inflação era para ser mais um fator positivo para reduzir o peso da dívida, pois, se o Governo diminuísse o ritmo de emissão de novos títulos, o próprio crescimento da economia, a inflação do período e o superávit primário já seriam suficientes para declinar a curva do gráfico. Infelizmente não é o que tem acontecido.

      Hoje o Governo tem também ao seu favor a queda do dólar que puxa a dívida para baixo. Nos dois últimos meses, inclusive, a dívida recuou 2,5% devido principalmente a queda do dólar e da redução do ritmo de emissão de novos títulos pelo Governo. Isto apenas mostra que se o Governo tivesse um pouquinho mais de austeridade nos gastos hoje a dívida seria muito menor e, consequentemente, teríamos hoje muito mais recursos para investir de fato, ao invés de pagarmos juros.
      Com relação ao percentual da dívida interna em relação ao PIB que vc acredita ser o mesmo da era FHC, vc está enganado. Quando FHC deixou o Governo, no auge da “Crise Lula” que elevou o dólar a US$ 4, o percentual era de 37,72%. Hoje, este percentual é de 54,04% (dados do BC). E olha que neste cálculo não estão computados os quase R$ 500 bilhões de títulos em poder do BC que o Governo exclui do cálculo da dívida interna, assim como os empréstimos das estatais.

      A questão não é crescer a qualquer custo. E sim crescer com qualidade, de forma sustentável. O próprio Meirelles falou recentemente que o Brasil não tem estrutura para crescer ao ritmo de 7% ao ano. São vários os motivos, entre os quais o pouco investimento em energia elétrica. Com todas as dificuldades que FHC enfrentou, conseguiu aumentar a oferta de energia elétrica em 48%. Lula, na melhor das hipóteses conseguirá aumentar 43% até o final do próximo ano. Ou seja, estamos no limite, com uma máquina muito mais pesada que conta com um crescimento forte da economia para se manter.

      Um abraço e obrigado pela participação.

  9. Mauricio
    novembro 28, 2009 às 5:56 pm

    Olá Amilton Aquino,

    Muito obrigado por responder o meu comentario. Eu fiquei fascinado e intrigado com todo esse assunto relacionado a divida pública. Estou fazendo algumas pesquisas para entender melhor sobre o assunto. Eu descobri que existem varias denominacoes para a divida (Divida Bruta Geral do Governo, Divida Bruta Federal, Divida Liquida do Setor Publico, etc). Não consegui encontrar um documento completo onde estivessem relacionadas todas as denominacoes e um historico. O que achei foi um apanhado de informacoes em diversos diferntes sites pela internet. O assunto é bastante complexo e ira requerer bastante tempo para completar minha pesquisa, mas ao final eu espero conseguir compor um grafico com uma serie historica de 15 a 20 anos, alem de um texto explicativo sobre as denominacoes da divida. Agradeço pelos suas publicações e espero que entenda que fazendo uma pesquisa a parte estarei exercitando a minha capacidade de pensar e analisar. Do fundo do meu coração eu desejo um Brasil melhor, em meus 35 anos eu sofri muito com as politicas praticadas no Brasil, mas recentemente é que começo a entender o porque de tudo isso. Quero fazer um pequeno desabafo de ordem pessoal, na era FHC eu perdi emprego, tentei meu proprio negocio e fali, trabalhei como motoboy em São Paulo, encontrei outros que como eu batalharam muito para pagar do proprio bolso uma faculdade e naquele momento nos encontravamos como idiotas formados reduzidos ao nada, meu ódio ao FHC nao poderia e nao pode ser expresso em palavras. Naquela epoca ficada pensando como é possivel vender todo o país e ainda assim aumentar a divida em quase 10 vezes. O nivel de desemprego estava chegando a um patamar tao absurdo que ficava imaginando se nao seria nescessario uma guerra civil para recomeçarmos do 0, morrer numa guerra lutando pelo futuro do país seria muito mais dignificante do que morrer no silêncio da covardia e da fome. Vejo muitas pessoas que ainda defendem o FHC, nao quero compará-lo ao atual governo, mas compará-lo aos governos anteriores. Sou brasileiro trabalhador, eu preferia 1000 vezes a maldida inflacao, mas com empregos a estabilidade desempregadora e endividadora do FHC. Vi crise após crise como as politicas anti-crise adotadas no Brasil era completamente oposta ao de paises europeus e desenvolvidos. Me recordo que na epoca o Japão diminuia o seus juros, injetava mais dinheiro no sistema e incentivava o consumo. Me lembro na era do Clinton noticias de que os EUA crivam meio milhão de empregos em dois meses e o Brasil em direcao oposta perdia meio milhao de empregos, aumentava juros, recolhia dinheiro do mercado, visitava os EUA constantemente, para reportar o processo de sucateamento do Brasil, para posterior anexacao pelos paises ricos do pouco que sobrara do país. A violência explodia a niveis superiores de fazer inveja a qualquer guerra.
    Não quero defender nenhum governo, mas quero deixar bem claro minha completa indignação ao governo FHC. Quero fazer a melhor analise economica possivel sobre os últimos 20 anos de historia do Brasil. Quando comecei a tentar entender politica, me dei conta que o único caminho era olhar para a economia, palavras podem ter infinitos sentidos, as palavras mentem, mas os números são mais difíceis de serem criados. Não espero que jamais venhamos a ter um representante perfeito, mas espero que pelo menos tenhamos uma opcao que possa aos poucos consertar parte dos erros do passado, não espero que venhamos a quitar todas as dividas do Brasil e venhamos a ter um país maravilhoso do dia para noite, espero sim que por mais que seja lento possamos seguir num rumo de progresso. Nosso povo passou 8 anos para poder perceber que o milagre da estabilização não passava de uma total farsa, farsa essa que arruinou nosso país e nossa gente, e ainda sentiremos os efeitos de tudo isso por gerações. Gostaria também de que pessoas sabias como você o outros mais continuassem a produzir e divulgar mais sobre esses assuntos, independente de ideologia partidaria, porque o partido mais importante chama-se BRASIL e não é com “Z”, mas com “S”, chega de sermos colonias. Quero fazer um desfio a todos os pensadores desse país, quero ver se seria possivel além de simplesmente analisarmos as causas de nossa atual miseria, se conseguiriamos gerar um projeto de reconstrução, levando-se em conta o social (não adianta idealizarmos solucoes de curto prazo que nao geram beneficios sociais, quem tem fome nao pode esperar até o amanhã).
    Obrigado, pela sua atenção. Se for da tua vontade poderemos interagir mais, ainda nao compilei todas as informacoes que colhi, mas assim que possivel ficarei grato de compartilhar.

    Tchau, um forte abraço.

    Obs.: Desculpe o meu português, tenho uma certa preguiça de fazer a correta acentuação das palavras. As idéias jurgem e as vezes não dou importância a acentuação.

    • novembro 28, 2009 às 10:38 pm

      Olá Maurício,

      Que bom que vc também vai pesquisar sobre o assunto. Certamente vamos trocar mais algumas figurinhas. rsrsrsrrrs!

      Quanto a sua raiva de FHC, confesso que já tive também muita raiva dele principalmente pela famigerada emenda da reeleição (acho que ele se arrepende amargamente), quanto pela astronômica dívida deixada. Mas hoje percebo um monte de outras coisas que o redimem. A principal delas é a questão da dívida. Se vc leu o artigo acima sabe do que estou falando.

      O que é preciso deixar claro é que o desemprego causado tanto na era Collor quanto na era FHC foram decorrentes do processo de inserção da economia brasileira na economia global. Era algo que tinha que acontecer. É um dos princípios do capitalismo. Quem não for competitivo não sobrevive. Muitas empresas faliram, mas as que sobreviveram tornaram-se grandes e hoje o Brasil de Lula colhe os frutos dos remédios amargos da era FHC.

      Não se engane, amigo. O preço pago para derrotar a inflação valeu cada centavo. Se o Real também tivesse sucumbido, certamente hoje não estaríamos entre os BRICs e a dívida seria ainda maior. A estabilidade é a condição primária para um crescimento duradouro. Lula é o primeiro presidente desde o início dos anos 80 que começa a governar sem ter como o principal desafio o combate do “dragão da inflação”.

      Apesar da corrupção generalizada, o país evoluiu. Para melhorá-lo precisamos depurar nossos políticos pelo voto. Hoje temos esta ferramenta fantástica que é a Internet. Vamos utilizá-la da melhor forma para que possamos separar o joio do trigo.

      Eu sempre digo: quando não tivermos opções confiáveis para votar, escolha pela renovação. Além de mostrar sua insatisfação com a situação, vc vai estar dando oportunidade para que a oposição mostre que aprendeu com os erros do passado. Caso contrário, alternância novamente. Afinal este um dos princípios da democracia.

      Abraço

  10. Gustavo Vasconcelos Jacobina
    maio 14, 2010 às 2:35 pm

    CARO GERSON, VAMOS FAZER AQUIM UMA BRINCADEIRA DE COMPARAÇÃO, LULA X MADOFF , AMBOS USARAM OS NUMEROS POR MUITOS ANOS PARA MAQUIAR SEUS FEITOS E RELATÓRIOS,AMBOS TINHAM DUAS MULHERES PARA LHE DEFENDER , NO CASO DE MADOFF SUAS DUAS FILHAS, NO CASO DO LULA DILMA E IDELI,AMBOS TINHAM CARA DE HONESTO FALAVAM COMO HONESTO MAIS NÃO O ERAM, AMBOS TINHAM RIVAIS QUE DESCONFIAVAM DE SUAS TRAMÓIAS MAS NINGUEM CONSEGUIA DESMASCARA-LOS, SÓ TINHAM TRES DIFERENÇA, UM USA BARBA OUTRO NÃO, UM MORAVA NOS EUA E FOI PRESO E O OUTRO NO BRASIL E É PRESIDENTE, E A ÚLTIMA DIFERÊNÇA E QUE UM BAJULAVA OS RICOS PARA OBTER PRESTÍGIO E PODER E FICOU POBRE E O OUTRO BAJULA OS POBRES PARA OBTER PRESTÍGIO E PODER E FICOU RICO.MUUUITO INTERESSANTE NÃO ACHA?

  11. Gustavo Vasconcelos Jacobina
    maio 14, 2010 às 2:44 pm

    AaH! DESCULPE, FALTOU A ÚLTIMA DIFERÊNÇA, UM ATUOU NO SETOR PRIVADO E O OUTRO ATUA NO SETOR PUBLICO.

  12. Gustavo Vasconcelos Jacobina
    maio 14, 2010 às 3:12 pm

    BRINCADEIRAS À PARTE…AMILTON, EU FIQUEI IMPRESSIONADO COM SUA RESPOSTA AO MAURÍCIO,ALÉM DE ÓTIMA CULTURA, VC MOSTROU TER UM DESCERNIMENTO E UM BOM CORAÇÃO PARA MOSTRÁ-LO QUE NA VIDA NÓS DEVEMOS ANALISAR AS COISAS DENTRO DO SEU CONTEXTO E QUE ISTO É FUNDAMENTAL PARA NÃO COMETERMOS INJUSTIÇA COM AS PESSOAS,E AS VEZES CULPÁ-LA DOS NOSSOS PRÓPRIOS ERROS OU FRACASSOS, SÓ NÃO PODEMOS É PERDOAR ERROS INTENCIONAIS E FALTA DE ÉTICA E MORAL, VOCE MOSTROU QUE EM TUDO QUE MOSTROU NESTA PÁGINA QUE TEMOS DE APRENDER A IDENTIFICAR E VALORIZAR OS HERÓIS QUE TEM CORAGEM DE FAZER A COISA CERTA MESMO QUE PARA ISSO SEJAM MAL INTERPRETADO A CURTO E MÉDIO PRAZO,E EVITARMOS OS POPULISTA QUE SÓ PENSAM NA PROXIMA ELEIÇÃO, A HISTÓRIA DIRÁ QUEM FOI FHC E QUEM FOI LULA, ACHO QUE PESSOAS COMO VOCE JÁ ESTÃO MOSTRANDO,E QUANTO MAIS RÁPIDO FIZERMOS COMO O MAURÍCIO QUE SENTIU A NECESSIDADE DE ESTUDAR AS COISAS A SUA VOLTA E ADQUIRIR CULTURA, E TORNAR-SE RESPONSÁVEL PELO SEUS CAMINHOS, MAIS RÁPIDOS APRENDEREMOS A IDENTIFICAR RACIONALMENTE NOSSOS VERDADEIROS POLÍTICOS BRASILEIROS, SEM O VIÉS EMOCIONAL QUE TANTO NOS CARACTERIZA NO MUNDO TODO NEGATIVAMENTE.POIS “LÁ FORA” TODOS RIEM MUITO QUANDO UM LATINO MOSTRAR SEU LADO EXTROVERTIDO, MAIS RIEM MAIS AINDA QUANDO VEÊM UM BRASILEIRO SEMI ANALFABETO QUE CONSEGUIU FAZER MUITA COISA PARA O POVO DO SEU PAÍS QUE É ADMIRADO POR GRANDES INTELECTUAIS MUNDIAIS SE DEIXAR LEVAR PELAS EMOÇÕES E DEFENDER DITADURAS,TERRORISTAS E FANATICOS BELIGERANTES. (VOCES SABEM DE QUEM ESTOU FALANDO).

    • maio 15, 2010 às 8:18 am

      Obrigado Gustavo pelos comentários e elogios. Infelizmente não estou podendo interagir no momento, pois estou passando por uma fase muito difícil em na família com problemas de saúde. Abraço!

  13. Gustavo Vasconcelos Jacobina
    maio 14, 2010 às 4:41 pm

    O PT usa os mesmos truques das cartomantes e advinhos que ao ler o passado “vê” que a pessoa já sofreu muito, que tem uma personagem muito importante na vida dela, etc…,:è manjado este”SCRIPT GENERALIZADO” dos espertalhões profissionais,: O futuro então… é infinita vezes mais fácil para eles ludibriarem.
    O PT faz uma lavagem cerebral no povão, induzindo-os sempre a responderem a pergunta fatídica e generalizada:-“SUA VIDA HOJE É MELHOR QUE A DE ONTEM ?” , Ora, meu caro amigo Amilton, em qualquer tempo em qualquer lugar, se voce fizer esta pergunta a qualquer pessoa ou números de pessoas, terá com certeza no mínimo 80% das respostas positivas,é o mesmo truque dos adivinhos e espertalhões, travestidos em pesquisas e resultados eleitoral.

  14. vitor Ramirez
    setembro 9, 2010 às 4:26 pm

    Pois é… graças a Deus, por sorte ou não bem na época em que a economia mundial estava aquecendo fortemente principalmente para os países emergentes entrou o LULA, que pegou essa carona, fazendo assim seu governo ser visto como bem sucedido. Digo graças a Deus porque assim entrou alguém preocupado com os que mais necessitam… não eu ou você, mas aqueles que tem menor renda. Hoje eles podem ter uma vida um pouco mais digna. E cá pra nós o PSDB nunca foi algo muito preocupado com estes, o Serra nas propagandas acho que não convence nem ele mesmo, né ?!

    • setembro 10, 2010 às 8:17 am

      Vitor,

      Não esqueça que os programas sociais que foram unificados no Bolsa Família foram criados no governo anterior. Se hoje o programa atinge um maior número de pessoas, este aumento é proporcional ao crescimento da arrecadação do Governo que bate recorde após recorde. A diferença é que os programas lançados pelo PSDB exigiam mais contrapartidas por parte dos beneficiados. O PT retirou estas exigências, o que fez o programa atingir um maior número de pessoas, porém reduziu as melhoras significativas que estavam ocorrendo no ensino fundamental justamente por causa das exigências que o programa fazia às famílias beneficiadas.

      Pode ter certeza que se o governo atual fosse do PSDB os gastos com a máquina pública não teriam aumentando num ritmo superior ao crescimento do PIB. Provavelmente também não teríamos um oneroso PAC para acelerar o crescimento da economia, pois o PSDB certamente daria continuidade à série de reformas necessárias na política econômica para desonerar às empresas para promover um crescimento mais eficiente e sustentável. Logo, a dívida pública seria bem menor e, consequentemente, não estaríamos ainda pagando 30% da arrecadação com compromissos da dívida.

      Certamente também não teríamos instalado o populismo que tanto tem prejudicado nossa democracia. Enfim, qualquer que fosse o presidente, o Brasil estaria passando por este período de crescimento, pois este é um fenômeno comum aos países do terceiro mundo que conseguiram criar as condições de estabilidade mínimas para ingressar na globalização.

      Agora, certamente temos que agradecer a Deus por Lula não ter sido eleito em 1998, pois certamente teríamos o fracasso de mais um plano econômico.

    • Abbud
      setembro 10, 2010 às 11:33 pm

      Vitor sinto em dizer que foi contaminado pelo populismo lulista, nada foi melhor para os mais pobres ate hoje do que o fim da inflacao, que se dependesse das ideias e competencia do PT nunca teria ocorrido neste pais!

      So existem duas opcoes para alguem defender e apoiar LULA e Dilma, ou e alguem que mama e ganha alguma coisa do governo ou e ignorante, os inteligentes nunca apoiaram ou sao ex petistas!

  15. Vitor Padilha
    outubro 20, 2010 às 1:56 pm
    • outubro 20, 2010 às 10:40 pm

      Vitor,

      Primeiro, o The Economist nunca publicou esta comparação. Segundo, ela tem dados falsos. Terceiro, a comparação está completamente descontextualizada. Não vou perder tempo com isso agora, mas se falarmos de cada item vc vai ver que os méritos do governo atual são bem menores do que vc imagina.

  16. aos intelectuais de
    outubro 21, 2010 às 3:31 pm

    aos inteletuais de plantão é o seguinte…quando vc gasta 1 trilhão comprando roupa de cama é uma coisa, quando vc gasta 1 tri investindo parte em obras dele é outra coisa…isso gera empregos, que geram impostos, que geram movimentação….nem parece que estou num site discutindo economia,

    • outubro 21, 2010 às 10:58 pm

      Olá “Intelectual”,

      De que adianta se endividar para financiar um crescimento que poderia vir naturalmente?

      Veja nossa situação atual. O governo pega dinheiro emprestado do mercado a juros de 10,75%, empresta a empresas a prazo a perder de vista a 5% e quando o crescimento do PIB bate na casa dos 7%, o BC tem que aumentar a taxa de juros para frear o crescimento.

      Se o governo tivesse reduzido a dívida interna, hoje a taxa de juros poderia ser muito menor, o governo pagaria menos juros e portanto sobraria mais dinheiro para investir em infra-estrutura e inovação, um dos principais pré-requisitos para um crescimento sustentável. Sabe quanto o Brasil investe em inovação hoje? 1% do PIB.

      Além do mais, não só os economistas como também o bom senso de qualquer pai de família diz que em momentos de bonança devemos diminuir o endividamento. Lula não só não diminuiu o endividamento, como fez a festa com o “cartão de crédito” da dívida, colocando o sucessor numa camisa de força.

      Se o vento continuar em popa, este modelo atual vai continuar sobrevivendo. Se mudar, aí sim vamos lamentar profundamente a irresponsabilidade do atual governo.

  1. novembro 1, 2009 às 2:43 am
  2. novembro 1, 2009 às 1:10 pm
  3. setembro 7, 2010 às 5:50 am
Comentários encerrados.
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