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Lula e a dívida pública (PARTE 9)

outubro 24, 2009

Nos dois posts anteriores desta série, mostramos as diferentes versões das dívidas interna e externa. Se vc é novo no nosso blog, sugerimos que leia antes os referidos posts para melhor entender esta nona parte.

Divergências sobre os percentuais da Dívida Pública

jornal_nacional_dividapublica

Em novembro de 2008 o Governo Lula noticiou mais um grande feito: a menor relação dívida / PIB desde 1998. A imagem da apresentadora Fátima Bernardes no Jornal Nacional dando a notícia com o percentual de 36,7% em destaque foi publicada por vários blogueiros entusiastas do Governo Lula como uma prova cabal da competência do Governo do PT, o qual teria conseguido baixar tal percentual que, às vésperas das eleições de 2002, tinha atingido o recorde de 56,9%!

O outro lado da história

Da mesma forma que aconteceu no “pagamento” da dívida com o FMI e com o suposto “pagamento” da dívida externa (veja posts anteriores da série), uma olhada mais atenta sobre os números da dívida pública mostram que a notícia foi vendida muito além do que valia.

O fato é que o cálculo percentual que resultou nos “36,7%” anunciados foi feito com base na dívida externa líquida, detalhe que faz toda diferença, já que, neste caso, capitais externos que entram no país são usados para abater a dívida externa (falaremos sobre isso mais adiante).

Se o cálculo fosse feito com base nos valores brutos das dívidas, o percentual seria idêntico ao recorde histórico deixado por FHC. Ou seja, um número “contaminado” pela chamada “Crise Lula”, provocada pelo receio do mercado de que o candidato favorito das pesquisas, o então candidato Lula, mexesse na política econômica implementada pelo PSDB. Só para lembrar, o dólar chegou a casa dos R$ 4, valor que puxou ainda mais dívida para cima (e consequentemente seu percentual em relação ao PIB).

A “boa notícia” da redução da relação dívida /PIB, no entanto, durou pouco. O agravamento da crise financeira a partir do final de 2008 elevou novamente o percentual de endividamento brasileiro, que chegou, em agosto de 2009, bem próximo dos 44%. Ou seja, bastou uma crise internacional (a única enfrentada pelo Governo Lula até então) para que o percentual subisse 8 pontos percentuais. E olha que a coisa poderia ser bem pior caso ocorresse uma fuga maciça de capitais e uma disparada do dólar como em todas as outras crises anteriores, obrigando o Governo a queimar bilhões em reservas. Isto não ocorreu por dois motivos principais: o primeiro é que o dólar está fraco em todo mundo; o segundo é que, como a crise teve seu epicentro no primeiro mundo, os investidores ficaram sem ter para onde fugir.

Esta pequena digressão serviu apenas para mostrar o impacto que as crises têm na dívida pública e assim relativizarmos o percentual de endividamento na “Crise Lula” no final do Governo FHC, que o PT ironicamente utiliza sempre como parâmetro. Digo ironicamente, porque o beneficiado da comparação (Lula) foi também o motivo da crise.

Mesmo considerando estas variáveis, comparar as dívidas brutas de hoje e do final da era FHC ainda seria injusto, pois com o dólar próximo dos R$ 4 (hoje esta a R$ 1,72) o valor da dívida externa fica muito maior na era FHC quando seus valores são convertidos para Reais, conversão esta essencial já que o cálculo final da dívida pública é feito em moeda local.

Para fazer uma comparação justa, portanto, vamos fazer alguns cálculos usando uma mesma cotação do dólar. Observe o gráfico abaixo:

Divida_Publica_Bruta_comparacao_FHC_Lula

Em outras palavras, o gráfico revela que, quando consideradas as dívidas brutas e quando utilizamos uma mesma cotação do dólar para conversão da dívida externa, o Governo FHC, mesmo enfrentando um período turbulento, teria reduzido o percentual de endividamento, enquanto que o Governo Lula, mesmo com um cenário positivo, teria mantido o mesmo percentual de endividamento deixado por FHC. Numa expressão popular, diríamos que o Governo Lula “empurrou o problema da dívida com a barriga”, dívida esta que consome 30% de tudo o que o Governo arrecada com o pagamento de juros e amortizações, além de exigir o equivalente a mais 20% do orçamento em média na emissão de novos títulos para cobrir os títulos antigos que vencem a cada ano. É o que os economistas chamam de rolagem da dívida. Resumindo, a situação do Brasil é semelhante a de um assalariado que tem metade de seu salário comprometido com o cartão de crédito.

Voltando a comparação, o resultado é no mínimo surpreendente, pois a era FHC ficou estigmatizada como a era do endividamento recorde, período em que a dívida interna foi multiplicada por seis. Aliás, este ponto é sempre citado pelos petistas para minimizar a multiplicação de “apenas” 2,5 vezes da dívida interna (até agosto de 2009). Os valores absolutos, no entanto, são sempre evitados.

Se levarmos ainda em consideração que 85% do endividamento da era FHC foi decorrente da resolução de problemas anteriores que vieram à tona com a queda da inflação (falaremos sobre isto num post específico), os números do Governo do PT ficam ainda mais incompreensíveis. Isto para não falar dos contextos enfrentados por cada Governo, onde FHC teve que assumir o ônus de implementar a maioria das reformas das quais o Governo do PT agora colhe os bônus. Só para ilustrar o que estamos dizendo, observe o gráfico a seguir:

evolucao_PIB_governos_FHC-Lula

Observe que na era FHC, em pleno processo de estabilização da economia (ou seja, quando a economia estava ainda bastante vulnerável e incerta), ocorreram sete crises internacionais e duas crises nacionais, enquanto que na era Lula até 2009 houve apenas uma crise internacional e uma crise nacional (esta provocada pelo próprio PT).

Claro que é preciso relativizar o tamanho de cada crise, da mesma forma que é preciso relativizar os impactos que cada uma tiveram na nossa economia já que os contextos são completamente diferentes. De qualquer forma, o gráfico por si só já nos indica que os anos de 1998 e 1999 foram sem dúvida os mais difíceis das últimas décadas, quando a economia ficou praticamente estagnada por dois anos consecutivos, com risco real de quebra do país, como ocorreu com diversos países emergentes.

Os anos seguintes poderiam ter sido os anos do início do processo de crescimento da nossa economia, o qual só veio a se consolidar de fato na era Lula. Tal processo foi adiado mais uma vez devido à nova sequencia de crises do início do século que, mais uma vez, retardou esta fase cujos fundamentos foram sendo construídos ao logo dos anos, desde a abertura da economia brasileira no desastroso Governo Collor.

Observe que a demanda da economia por crescimento era latente. A cada intervalo entre as crises, a economia brasileira dava plenos sinais de vitalidade. Observe também que o impacto da segunda onda de crises no PIB brasileiro foi bem menor devido ao fortalecimento gradativo da nossa economia.

Como explicar então os “36,7%”?

Simples. O Governo Lula inclui no cálculo da Dívida Pública a dívida externa como se ela estivesse negativa em US$ 273 bilhões, o que puxa o valor da dívida final para baixo em mais de US$ 500 bilhões de dólares. Para quem está surpreso com esta afirmação, sugerimos que leia o post 8 desta série,  quando mostramos as diferentes versões da dívida externa, inclusive esta na qual aparece negativa.

A mágica é a seguinte: devido ao enorme fluxo de capitais que entrou no país a partir de 2006, o Governo abate do total da Dívida Externa Bruta os dólares aqui investidos, valores que compensam o total da dívida bruta no valor de US$ 277 bilhões em agosto de 2009 e a tornam negativa em US$ 273 bilhões! Note que a diferença entre o valor positivo e negativo da dívida externa é de US$ 550 bilhões de dólares, um valor cinco vezes superior a dívida externa do período militar. Ou seja, é preciso ser muito ignorante para acreditar que o Governo Lula “pagou” US$ 550 bilhões em apenas três anos, como, aliás, o presidente teve a audácia de afirmar com todas as letras em pronunciamento oficial (ver post 3).

E como todos estes dólares chegaram ao Brasil?

Estes dólares não chegaram apenas ao Brasil. O que ocorre no mundo globalizado atual é uma busca por novos mercados, especialmente os chamados emergentes, uma vez que as economias do primeiro mundo crescem a taxas a cada ano menos significativas. Isto ocorre basicamente por dois motivos: 1) a saturação de tais mercados, onde a maioria da população já dispõe dos produtos as quais as empresas querem vender; 2) o descompasso entre a velocidade dos meios de produção (cada vez mais acelerados) e o crescimento das populações (cada vez menores, em alguns casos negativos). Neste contexto, os países do terceiro mundo com grande mercado consumidor potencial como o Brasil e Índia, por exemplo, se transformaram nos novos “eldorados” dos investidores do setor produtivo e, claro, do “setor” especulativo (ver post 4 desta série).

Tal abundância de dólares chegou a níveis tão altos que já estão provocando uma nova preocupação no Governo: a excessiva desvalorização do dólar. Por isso a taxação dos capitais especulativos estrangeiros anunciados nesta semana pelo Governo, revogando uma ação do próprio Governo Lula que em 2006 isentou tais “investidores” de IOF.

Se por um lado o dólar baixo reduz o endividamento (e o Governo Lula foi muito beneficiado por isso), por outro lado o excesso de dólares no mercado pressiona ainda mais seu valor para baixo, o que prejudica a competitividade da nossa economia e pode provocar a quebra de empresas nacionais, com graves reflexos nos índices de desemprego.

Criando uma bolha

Tal abundância de dólares tem um outro efeito preocupante a longo prazo. Como podemos ver acima, os dólares abundantes mascaram o problema da dívida pública, o que dá uma falsa sensação de que o problema da dívida está sob controle. Ainda ontem, por exemplo, a baixa do dólar no mês de setembro e o adiamento de emissões de novos títulos da dívida pública reduziram, pelo menos momentaneamente, o total da dívida pública (ver matéria publicada na Folha). A “boa notícia”, no entanto, já embute um novo problema: os “investidores” querem juros mais altos. Por isso o Governo adiou a emissão de títulos programada para setembro. Talvez por isso mesmo o Governo acenou com a possibilidade de reter a restituição do imposto de renda dias antes,  pois não contava com esta “exigência” dos “investidores”. Em outras palavras, o Governo está cada vez mais aumentando gastos confiando que a abundância de dólares vai continuar. Mas, e se os dólares fugirem? Como ficará a dívida externa? Deixará de ser “negativa”?

Enfim, ainda que esta metodologia de cálculo da Dívida Pública introduzida pelo Governo Lula em 2006 (ver post 7) seja uma prática justificável, do ponto de vista econômico, na prática ela embute uma farsa, pois induz o cidadão comum a acreditar que a dívida pública está decrescendo, o que não é verdade.

Neste contexto, mais uma vez a imprensa, que poderia exercer um papel importante, fica cada dia mais omissa, pois qualquer veículo de comunicação que se disponha a explicar fatos como estes tratados nesta série vai comprar uma briga feia com o Governo, o qual conta como trunfo a ignorância do público e os “bons indicadores econômicos” para desqualificar os possíveis adversários políticos. Para um veículo que vive de audiência, certamente brigar com um presidente que goza de 80% de popularidade é algo, no mínimo, arriscado. E assim caminha a humanidade até que a bolha estoure e a sociedade finalmente se dê conta de quanto foi omissa em todo este processo, infelizmente.

No próximo fim de semana, o último post desta série. Abraço!

Fontes:

  • IPEA – O site não permite links secundários. Para acessar então a planilha da série histórica da dívida externa, clique na aba “Macroeconomico”, em seguida em “Índices Analíticos” e finalmente em “Dívida líquida do setor público”.

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Para ver o primeiro artigo desta série, clique aqui.

Para ver o segundo artigo desta série, clique aqui.

Para ver o terceiro artigo desta série, clique aqui.

Para ver o quarto artigo desta série, clique aqui.

Para ver o quinto artigo desta série, clique aqui.

Para ver o sexto artigo desta série, clique aqui.

Para ver o sétimo artigo desta série, clique aqui.

Para ver o oitavo artigo desta série, clique aqui.

Para ver o décimo artigo desta série, clique aqui.

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  1. outubro 24, 2009 às 4:57 pm

    Prezado Amilton, como sempre, excelente artigo que dá continuidade sobre o governo do PT (e antecessores…) e a dívida pública. Seria bom que o renomado economista Maílson da Nóbrega (teórico colunista de VEJA) desse uma olhada nestes textos, não é!? Parabéns.

  2. Penéloppe
    outubro 24, 2009 às 7:52 pm

    Amilton, sempre ouvi dizer que o percentual de endividamento deixado por FHC foi de 74% do PIB. Por que agora se fala de 56%?

    • outubro 24, 2009 às 8:02 pm

      Olá Penélope, muito pertinente sua pergunta. Com a mudança da metodologia de contabilidade da dívida a partir de 2006, a divida interna deixada por FHC diminuiu R$ 200 bilhões, assim como os números do Governo Lula (se tivesse sido alterada, hoje a dívida interna estaria na casa dos R$ 1,9 trilhão). O objetivo da alteração para mim é dar mais espaço para o Governo emitir mais títulos. Sobre este assunto falamos no post 7. Este percentual de 74% é calculado com a primeira versão do BC.

  3. Suzana Lins
    outubro 25, 2009 às 5:09 pm

    Vi seu link no blog do Fiúza. Pretendia sair, mas me envolvi tanto com a leitura que até agora estou aqui. Li todos os seus posts. Parabéns!

  4. Gerson
    outubro 25, 2009 às 5:59 pm

    O Governo do LULA , do PT e seus aliados tratam o Brasil como se fosse uma empresa
    que sobrevive às custas de balanços maquiados (coisa que está em moda no mundo ocidental e que foi um dos principais fatores da crise econômica mundial), empréstimos feitos, sem a intenção de serem pagos, (calote da dívida, coisa tão apregoada por alguns partidos de esquerda que participam do governo LULA), má administração acompanhada sempre de gastos e mordomias desnecessários que são concedidas, de forma abusiva aos integrantes e membros dos três poderes (viciando-os cada vez mais), pagos com o dinheiro dos brasileiros que trabalham honesta e duramente.

    Os Brasileiros que ainda acreditam no trabalho honesto, que normalmente é um trabalho árduo, tem que se indignar com essa irresponsabilidade do PT.

    É NECESSÁRIO QUE COMECEMOS A INFORMAR PARA AS POPULAÇÕES DE BAIXA RENDA QUE SÃO BENEFICIADAS COM OS DIVERSOS PROGRAMAS SOCIAIS E DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA, COMO O BOLSA ESCOLA E ETC, QUE, SE NÃO FOSSE ESSAS MORDOMIAS E PRIVILÉGIOS PROPORCIONADAS PELO GOVERNO LULA AO SETOR PÚBLICO E SEUS ALIADOS DO SETOR PRIVADO (EMPRESÁRIOS PRIVADOS QUE APÓIAM O GOVERNO LULA, EM TROCA DE BENEFÍCIOS, VIA “BNDES” E OUTROS BANCOS DO GOVERNO, SOBRARIAM MAIS RECURSOS PARA AMPLIAR NESSES PROGRAMAS, TÃO NECESSÁRIOS EM UM PAÍS INJUSTO E DESIGUAL COMO O BRASIL.

    AS POPULAÇÕES DE BAIXA RENDA TEM QUE SER ALERTADAS QUE QUANDO ELAS PROCURAM A SAÚDA PÚBLICA, A EDUCAÇÃO PÚBLICA E OS SERVIÇOS PÚBLICOS DE UM MODO GERAL SÃO MAU ATENDIDAS E ATÉ MALTRATADAS E HUMILHADAS PELOS AGENTES PÚBLICOS PORQUE NÃO HÁ UMA POLÍTICA DO GOVERNO LULA PARA MUDAR ESSE QUADRO.
    O GOVERNO LULA TRATA AS PESSOAS DE BAIXA RENDA COMO “GADO” QUE PODE SER CONDUZIDO PARA QUALQUER LUGAR PELOS SEUS DONOS, PODEM SER CONDUZIDOS ATÉ PARA O MATADOURO.
    É TRISTE VERIFICAR A VERDADEIRA LAVAGEM CELEBRAL QUE O LULA FAZ NA MENTE DOS MAIS HUMILDES.

    CHEGA DE MENTIRAS, BASTA DE GOVERNOS SEM COMPROMISSO COM A REALIDADE DO POVO, CHEGA DE PT.

  5. Adriano Souza
    outubro 27, 2009 às 10:01 am

    Vc está mostrando na prática aquilo que temos a intuição de que está ocorrendo. Até um dia desses o Brasil tinha uma dívida impagável. Agora o presidente chea e diz que a dívida foi paga e todo mundo acredita. Este país está mesmo anestesiado. É como uma mãe que tá vendo que alguma o filho está fazendo alguma coisa de errada, mas a torcida para que ele dê certo é tão grande que temos medo de investigar e descobrir algo que não queremos ver. Muito esclarecedora a série. Todo brasileiro deveria ler.

  6. elizabetemattos
    outubro 31, 2009 às 9:22 pm

    Dá até tristeza em ver que somos totalmente enganados por esse governo de ladrões sem vergonha na cara.

  7. Getulio
    dezembro 28, 2009 às 10:13 am

    Excelente a materia do renomado Amilton.
    Um dos principais argumentos do PT é que FHC vendeu o Brasil (Vale, Embratel, etc..).O que seria do país se fosse mantido esses esqueletos. Quanto rende de recuros/tributos a Vale? Idem o serviço de telefonia? O que seria da dívida se fosse colocada em prática a Leis da Responsabilidade Fiscal?

  8. janeiro 26, 2010 às 12:17 pm

    Prezado Amilton,

    O desinteressante é o comodismo dos brasileiros , em relação ao crescimento da dívida, em aclive impressionante. E mais, nenhum brasileiro está entendendo que a responsabilidade do pagamento da dívida é dele, através de impostos e de outros encargos públicos. Em valores nominais, a dívida aumentou nos oito anos do governo FHC, em mais de R$ 500 bilhoes. Já no governo Lula e em pouco mais de 6 anos, já aumentou em mais R$ hum trilhao de reais.E ninguem quer saber para onde foram esses recursos e em que realmente foram aplicados. E a imprensa, em geral, tambem não dá o devido esclarecimento. E mais ainda, houve um astronomico aumento nas Receitas do Tesouro Nacional. Seria importante, entao, que voce mostrasse o crescimento nominal e real das receitas administradas pelo Tesouro, no Governo Lula e nos 8 anos de FHC. E mostrar tambem quanto se pagou de juros , em valores reais e nominais, ano a ano, no governo Lula e Governo Fernando henrique. São dados fundamentais para conhecimento da sociedade civil. Vamos aguardar, atualizados até 31/12/2009.

  9. Gustavo Vasconcelos Jacobina
    maio 13, 2010 às 6:15 pm

    IMPRIMI TODO O SEUS ARTIGOS E COMENTARIOS DE SITE E ALGUNS TEXTOS DE OUTRAS FONTES E QUANDO ALGUM AMIGO SIMPATIZANTE DO PETISMO TENTA ARGUMENTAR COMIGO A FAVOR DE LULA,EU EDUCADAMENTE DIGO AO MESMO QUE POR UMA QUESTÃO GANHO DE TEMPO ELE LEIA OS TEXTOS SELECIONADOS (EM TORNO DE 100 PAGINAS) E QUANDO ME DEVOLVER VOLTAMOS A CONVERSAR, TENHO GANHO UM TEMPO INCRÍVEL EM EVITAR CONVERSA BESTA COM PESSOAS DESINFORMADAS E AINDA PRESERVO OS AMIGOS.

  10. andre nogueira
    setembro 16, 2010 às 5:08 pm

    vou contribuir com sua historia, com a parte que faltou ,e para o que falta para entender o porque o governo fhc foi uma merda,

    vc so monstrou o lado que lhe interessava, duvido que vai postar o post,

    Jeffrey David Sachs disse :

    No final de 1995 a inflação já havia acabado, mas os
    exportadores enfrentavam dificuldades. Os custos domésticos
    dobraram, enquanto os preços recebidos pelas exportações
    continuavam inalterados, já que cada US$ 1 exportado se traduzia
    em aproximadamente R$ 1 em moeda nacional.
    Os mercados financeiros compreenderam o impacto de tudo isso
    e já previam a ocorrência de uma desvalorização. Para o Brasil
    defender sua moeda, era preciso manter taxas de juro
    punitivamente altas no país (aqui sou euTAXA PUNITIVAS, AUMENTO DA DIVIDA INTERNA), para incentivar os investidores, tanto
    estrangeiros quanto nacionais, a correr o risco de conservar seu
    dinheiro no Brasil. Para os credores estrangeiros, essas taxas
    altíssimas não importavam (ou pelo menos foi isso que pensara
    Se a defesa de uma moeda dá certo por seis meses, é só isso que
    precisam os bancos internacionais que concederam empréstimos
    de 90 dias. Eles vão conseguir se safar com seu dinheiro.
    O governo brasileiro, o FMI e os EUA não precisariam ter
    tomado esse caminho. Eles foram exortados a permitir o
    enfraquecimento gradativo e leve do real, de acordo com as
    forças do mercado, com vista a restaurar a rentabilidade das
    exportações. Em 1996, Fernando Henrique Cardoso já era
    presidente, mas havia se apaixonado pela taxa de câmbio estável,
    embora pouco realista. Quando a crise asiática explodiu, em
    1997, o FMI e os EUA acreditaram, como míopes, que a
    estabilidade cambial ajudaria o mundo e o Brasil. Encorajaram o
    presidente Cardoso a defender o real supervalorizado por meio
    de medidas rígidas.
    E foi exatamente isso o que ele fez. As taxas de juro foram
    elevadas para 50% ao ano, para incentivar os investidores ariscos
    a conservar seus ativos no Brasil. Os investidores não são cegos.
    Eles sabiam que a moeda estava sobrevalorizada. Mas, a uma
    taxa anual de retorno de 50%, apostaram nela, e chegaram até a
    esperar (com razão) que o FMI daria muito dinheiro ao Brasil
    para escorar sua moeda, se fosse preciso.
    Durante 1998, a economia brasileira lançou-se numa queda
    recessiva trágica e previsível. As altas taxas de juro fizeram o
    déficit orçamentário subir aos céus, porque o governo brasileiro
    tinha grandes dívidas de curto prazo e o custo de seu
    financiamento era altíssimo. O déficit subiu de 4% do PNB, em
    1997, para 7%, em 1998. Os investidores brasileiros e os bancos
    norte-americanos começaram a tirar seu dinheiro do país,
    forçando o Banco Central a vender seus escassos dólares para
    manter a sagrada estabilidade do real.

    Jeffrey David Sachs (Detroit, 5 de novembro de 1954) é um economista norte-americano conhecido pelo seu trabalho como conselheiro económico de diversos governos da América Latina, do Leste Europeu, da extinta União Soviética, da Ásia e de África.

    Actualmente, trabalha como professor na Universidade de Columbia. Propôs uma “terapia de choque” como solução para as crises económicas que afectavam a Bolívia, a Polónia e a Rússia como parte do seu trabalho de aconselhamento.

    É também conhecido pelo seu trabalho em agências internacionais para a redução da pobreza, o cancelamento da dívida e o controle de doenças, especialmente a SIDA, para os países subdesenvolvidos.

    • setembro 16, 2010 às 10:51 pm

      Meu caro Andre Nogueira,

      Como vc pode ver, eu publiquei seu grande trunfo! Aliás, lhe agradeço por esta contribuição, pois o artigo que vc postou de Jeffrey David Sachs mostra o quanto foram difíceis aqueles anos, justamente a tese que defendemos aqui.

      Tenho que confessar que não sabia que FHC tinha pagado juros de 50% ao ano para segurar os investidores/especuladores. Se isto for verdade, então a máquina de marketing (e desconstrução dos adversários) do PT falhou neste quesito, pois o tempo todo seus ídolos citam o recorde de juros de FHC de 26% na Crise Lula (esquecendo sempre de citar que a taxa foi decorrente do medo do mercado da chegada do PT ao poder, claro).

      Discordo apenas da afirmação “No final de 1995 a inflação já havia acabado”. Ora, antes do Plano Real, sete outros planos haviam derrotado a inflação nos primeiros meses (e até mais de um ano), mas nenhum deles sobreviveu. Ou seja, derrubar a inflação com uma engenharia econômica qualquer é a parte mais fácil. Todos os outros funcionaram nesta primeira parte. O mais difícil sempre foi resolver os problemas advindos desta brusca mudança e eliminar a memória inflacionária que permaneceu anos e anos no subconsciente coletivo, colocando em xeque o Real a cada nova notícia ruim da economia. Neste cenário, desvalorizar o Real seria o mesmo que jogar lenha na fogueira. Antes de desvalorizar o Real, o Governo precisava antes desindexar a economia o máximo possível, eliminando os chamados “gatilhos salariais”, dando tempo necessário para contratos indexados expirarem e, principalmente, provando à população desconfiada (e ao PT que jogava no time do quanto pior melhor) que este não seria mais um plano fracassado.

      Hoje é fácil dizer que seria melhor fazer isso ou aquilo, mas o fato é que o Brasil resistiu a onda de quebradeira que contaminou vários países candidatos a emergentes. Chegamos bem perto de quebrar também, mas não quebramos.
      A turma do PT adora dizer que FHC não desvalorizou o Real antes por causa das eleições, algo que acho pouco provável, pois o PT não tinha a mínima chance de chegar ao poder em 1998, com ou sem repique inflacionário. No máximo, provocaria um segundo turno. E aqui para nós, teria sido um desastre se Lula tivesse assumido em 1998. FHC teria voltado em 2003 e até hoje estaria no poder. Pode ter certeza.

      Sugiro que vc leia o último artigo desta série e vai perceber que um dos principais problemas decorrentes da queda da inflação foi a explosão da dívida interna, problema este que detonou todos os indicadores econômicos do país, aumentando ainda mais o desafio do Governo FHC. Segue o link: https://visaopanoramica.wordpress.com/2009/10/31/lula-e-a-divida-publica-final/

  11. andre nogueira
    setembro 17, 2010 às 1:11 am

    amilton

    nao e hj que e facil dizer, este senhor jefrey sachs 20 anos professor de harvard nao e nenhum sardemberg, alias se vc for pegar a anlise dos economistas com melhor PEDIGREE da epoca vera uma analise muito parecida, no geral o que FHC fez foi escolher uma politica OBVIAMENTE equivocada e que o real era sobrevalorizado e isto criou um rombo gigantesco e comprometeu investimentos e o crescimento, apenas e somente isto, simples.

    historico das taxas de juros no brasil

    http://www.bcb.gov.br/?COPOMJUROS

    • setembro 17, 2010 às 8:29 am

      André,

      A única divergência apontada pelo Sachs é quanto ao tempo em que FHC levou para desvalorizar o Real, debate este que ainda hoje divide economistas, pois, como disse no comentário anterior, havia o temor compreensível do Governo de que a desvalorização colocasse ainda mais lenha na fogueira da inflação que ainda era latente. Quando estourou a crise asiática, em 1997, aí é que ficou ainda mais complicada a desvalorização, pois naturalmente todos os indicadores foram afetados por esta crise. Desvalorizar o Real neste cenário poderia ser a pá de cal que faltava para sepultar mais uma tentativa de estabilização. Depois veio a crise da Argentina e da Rússia, até que finalmente o Governo se convenceu que não dava mais para esperar e então mudou o regime cambial para o que vigora até hoje. Lógico que se o Governo tivesse uma bola de cristal para saber que em 1997 seria iniciada uma série de crises que perduraria até 2001 teria feito a desvalorização gradativa indicada por Sachs antes deste período, mesmo correndo o risco de colocar lenha na fogueira. Mas, infelizmente, este não foi o caso e tivemos realmente que pagar juros altíssimos para segurar os investidores.

      No final das contas, o endividamento final do Governo terminou até baixo, considerando agora este cenário de juros de até 45% ao ano, conforme mostra a o histórico do BC. Se vc leu o artigo que te indiquei vai ver que 85% do acréscimo da dívida na era FHC não poderia ter sido evitado. Os outros 15% certamente entram nesta conta dos juros altos pagos para segurar os investidores. Porém, o Governo não pode ser crucificado por isso, pois se não tivesse aumentando os juros o resultado seria a moratória, ou seja, a quebra de fato. E isto, nem a nossa experiência com a moratória de Sarney, nem da nossa vizinha Argentina mostraram ser a melhor saída.

      E aqui para nós, 15% de aumento da dívida num cenário destes é para ser comemorado. Lula teve seis anos e meio do seu governo com um céu de brigadeiro com o BIB mundial quase duplicado no mesmo período e ainda assim continuou aumentando a dívida interna na mesmo ritmo da era FHC, apesar do superávit primário, criado justamente para quitar a dívida em uma década.

      A mesma crítica, inclusive, pode ser feita ao Governo Lula, pois passou todo o primeiro governo com a mesma média de juros de FHC no período pré Crise Lula, de 18%. Os juros só começaram a baixar lentamente a partir de 2006 quando chegou uma enxurrada de dólares na nossa bolsa, aumentando nossas reservas e turbinando todos os demais indicadores econômicos. E, ao contrário das outras crises, na crise de 2008 o Governo Lula foi obrigado a acelerar a baixa dos juros para atenuar os efeitos da recessão. Ou seja, até na crise o cenário que Lula pegou foi benéfico para nossa economia, pois ajudou a trazer a nossa taxa Selic para um dígito.

  12. andre nogueira
    setembro 23, 2010 às 11:46 am

    Amilton , bom dia

    vc fez um malabarismo com numeros

    vamos la

    Primeiramente, ao assumir a divida dos estados e municipios e etc, vc se esquece que estas dividas ja estavam corroidas pela influencia do modelo monetario da epoca, as dividas originais de estadoe e municipios e etc so ficaram deste tamanho pela influencia da politica equivocada do governo fhc,
    segundo
    a critica principal e sobre o modelo que elevou a proporcao da divida x pib , e uma vez que a divida exista, somente um crescimento vigoroso e que fara com que exista a possibilidaade de compatilizar a diminuicao da divida e o crscimento, realmente uma puta encruzilhada.

    ai vc me dira que o goevrno aumentou gasto publico e deveria ter diminuido a divida interna,
    ai lhe respondo: li um artigo do jim o,neil outro dia, chefe do departamento de economia do goldman sachs criador do termo BRICS, e ele fala o seguinte, o brasil tem uma divida social de decadas , e o aumento do gasto publico faz parte do pagamento desta divida, e mais, o o brasilç precisa SIM de aumento de funcionarios publicos para melhoria da eficiencia , coisa obvia, somente uma midia burralda defende o contrario,

    • setembro 23, 2010 às 10:52 pm

      Boa noite André,

      Só agora pude ver seu comentário.

      Vc não explicou o “malabarismo” que vc diz que fiz com os números. Vc fez aquilo que todo sectário petista faz: jogar a culpa em FHC e pronto. Está tudo resolvido.

      Dá uma olhada neste gráfico que mostra a evolução da dívida pública brasileira dividida por setores (Figura 2): http://ecen.com/eee25/audivida.htm

      Perceba que a dívida dos estados e municípios (gráfico verde) já vinha aumentando desde o final da década de 80, começa a acelerar a partir de 1991, aumenta o ritmo a partir de 93 e continua a crescer em um ritmo um pouco menor no governo FHC até ter uma queda substancial em 1998, para então voltar a crescer e ser finalmente controlada com a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal que o PT tanto combateu, mas que finalmente foi aprovada em 2000. Ou seja, a “politica equivocada” de FHC não só controlou e disciplinou os gastos dos estados e municípios, como fez aquilo que nenhum dos outros planos econômicos tinha conseguido até então: domar a inflação. Ou seja, FHC plantou, Lula colheu.

      Sobre a redução do percentual da dívida em relação ao PIB, sugiro que leia o post 9 da série sobre a dívida: https://visaopanoramica.wordpress.com/2009/10/24/lula-e-a-divida-publica-parte-9/

      Sobre o Jim O’Neil, Lula deveria condecorar este cara, pois foi a partir da inclusão do Brasil no grupo BRIC que os investidores estrangeiros começaram a chegar em massa ao Brasil. Vale lembrá-lo que quando ele indicou o Brasil aos investidores, o Governo Lula estava terminando o seu primeiro ano com um crescimento pífio de 1,1%. Ou seja, quando ele apontou o Brasil como uma das potências das próximas décadas ele o fez não apenas no que o Governo Lula tinha feito, mas principalmente pelas reformas na economia realizadas pelo governo anterior.

      Que o Brasil deveria aumentar os gastos sociais não resta nenhuma dúvida. A questão é que o governo atual aumenta os gastos da máquina além do ritmo de crescimento do PIB, o que, convenhamos, não é sustentável. Tanto que este ano, o melhor ano do governo Lula, ainda assim o Governo ainda faz malabarismos contábeis para fechar as contas, e mesmo assim continua aumentando a dívida. Sobre este assunto sugiro que leia meu comentário à internauta Ana Paula, pois vai poupar bastante meu tempo: https://visaopanoramica.wordpress.com/2009/08/05/comparacao-fhc-x-lula/#comment-917

      Ah, só um detalhe: eu não faço parte da mídia.

      Abraço,

  13. setembro 24, 2010 às 9:43 pm

    sabe de quanto é a dívida interna do EUA? R$ 22 TRILHÕES 585 BILHÕES! bem por aí.
    esse post exala excremento tucano.

    • setembro 24, 2010 às 10:43 pm

      Meu caro “odeio_tucanalha”,

      Vc está mal informado. A dívida dos EUA é de aproximadamente US$ 14 trilhões, equivalente ao seu PIB, o que mostra também o quanto este imenso país decaiu nos últimos anos. A diferença é que eles não comprometem 30% da arrecadação com o pagamento de juros e rolagem de dívidas. Aliás, em alguns momentos os juros ficam até negativos. E sabe porque? Por que nós e todos os demais países do mundo que fazemos reservas cambiais em dólares ficamos com o prejuízo da desvalorização da moeda norte-americana nos últimos anos.

      Além do mais, o erro norte-americano não justifica o nosso. Aliás, isso deve servir de lição para nós que ensaiamos entrar no time dos ricos. Um dos motivos que fizeram os EUA chegar a tal ponto foi justamente o orgulho exacerbado, o mesmo orgulho cego que hoje ofusca a nossa percepção de problemas que poderão vir acontecer caso continuemos a aumentar os gastos fixos, como tem feito o governo atual.

  14. setembro 24, 2010 às 9:51 pm

    quem aumentou absurdamente nossa divida, mesmo depois de vender ou melhor presentear os gringos com nossas grandes empresas foi o FHC, este governo muito pelo contrario pagou nossa divida com o FMI e liquidou toda nossa divida interna dolarizada.

    • setembro 24, 2010 às 11:05 pm

      Meu caro “tucano sem-bico”,

      Vc está mal informado. Veja os gráficos da evolução da nossa dívida e veja que o Governo Lula continua aumentando a dívida pública no mesmo ritmo de FHC. A diferença é que 85% da dívida deixada por FHC não poderiam ser evitadas , enquanto que nossa enorme dívida interna atual poderia hoje estar quase quitada, caso o governo não continuasse a emitir títulos com valores superiores ao que é pago através do superávit primário. Leia o último artigo desta série e veja o porquê do endividamento da era FHC e compare com o endividamento da era Lula: https://visaopanoramica.wordpress.com/2009/10/31/lula-e-a-divida-publica-final/

      Vc está também mal informado sobre o pagamento da dívida do FMI. O outro lado da história vc vê aqui: https://visaopanoramica.wordpress.com/2009/08/29/lula-e-a-divida-publica-parte-1/

      Vc disse que o governo Lula “liquidou toda nossa divida interna dolarizada”! É justamente o contrário. Hoje parte da nossa dívida interna também está atrelada ao dólar. Veja aqui: https://visaopanoramica.wordpress.com/2009/09/05/lula-e-a-divida-publica-parte-2/

    • Abbud
      setembro 27, 2010 às 12:48 am

      Se liquidamos as dívidas por que pagamos juros bilionários todos os anos??????

  1. outubro 24, 2009 às 11:08 am
  2. outubro 31, 2009 às 8:43 pm
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