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Lula e a dívida pública (PARTE 6)


Um mar de dívidas

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No último post desta série, levantei alguns questionamentos sobre os números divulgados pelo Governo sobre a dívida pública. Neste e no próximo post, vamos nos aprofundar um pouco nesta questão, pois constatamos divergências até mesmo entre os dados divulgados entre os órgãos federais.

No caso da dívida interna, por exemplo, os dados divulgados pelo Tesouro Nacional e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divergem em alguns bilhões a cada ano, chegando a apresentar em 2007 uma diferença de R$ 161 bilhões!

Diante da impossibilidade, portanto, de chegar a uma conclusão final sobre quais são os dados corretos das dívidas atuais, criamos então o gráfico abaixo com base nos dados fornecidos pelo Tesouro Nacional (gráfico azul), pelo IPEA (verde) e pela Auditoria Cidadã da Dívida (vermelho). E olha que deixamos de lado outras versões da dívida, como a do economista Ricardo Bergamini, citado no post anterior.

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Vale salientar que os dados do Tesouro Nacional só iniciam a partir do ano 2000, conforme pode ser verificado aqui. Em relação aos dados da Auditoria Cidadã da Dívida, incluímos apenas os três últimos anos, pois nos gráficos divulgados pela ONG não aparece a série histórica ano a ano em forma de tabela. Isto significa que para buscar os dados de cada ano, teríamos que deduzir de forma aproximada pela escala do gráfico, o que, convenhamos, não seria um procedimento muito recomendável, uma vez que daria margem a questionamentos. Os três dados divulgados, portanto, fazem parte das investigações da CPI da dívida pública, divulgados principalmente pelo deputado Ivan Valente, conforme pode ser constatado aqui.

Observe no gráfico que as maiores divergências surgem justamente a partir de 2007, quando o relatório das dívidas interna e externa foram unificados.

Acelerando o endividamento

Apesar do Governo minimizar o problema da dívida, alegando que esta está sob controle, o que o gráfico revela é que o crescimento da dívida é cada ano mais acelerado.  E olha que as perspectivas para os próximos meses são ainda piores, pois o Governo entra no ano eleitoral aumentando consideravelmente os gastos em todos os setores.

Oficialmente, o rombo no orçamento de 2010 está estimado em R$ 8,4 bilhões, isto contando que o Governo terá uma arrecadação recorde para 2010 e que nenhum imprevisto venha a acontecer nos próximos meses. Estudo produzido pela Consultoria de Orçamento da Câmara, no entanto, já revela que o rombo inicial já é de R$ 35 bilhões! (ver matéria e relatório publicados no Globo).

Como sempre, o Governo fica com o bônus dos anúncios dos megaprojetos e joga a bomba para os outros. Para tentar diminuir o défict, uma vez que Lula não abre mão de diminuir o orçamento triplicado do PAC no ano eleitoral, os congressistas (e até mesmo governadores) estão sendo pressionados a cortar gastos. Na prática é tudo um jogo de cena, pois a “solução” já é apontada pelo próprio Governo: a recriação do novo imposto do cheque, o agora rebatizado CSS.

Mas mesmo com a aprovação do novo imposto e com a taxação da poupança, as contas estão longe de fechar, pois o Governo deixou de incluir no orçamento despesas das quais tem “empurrado com a barriga” até aqui, mas que dificilmente conseguirá escapar em 2010.  Uma das principais é o repasse aos governos estaduais dos recursos previstos na Lei Kandir, reduzidos de 50% no Governo FHC para 17% no Governo Lula. Como retaliação, alguns governadores, como Aércio Neves, por exemplo, já ameaçam suspender a desoneração do ICMS sobre exportações, o que teria efeitos negativos sobre o setor exportador brasileiro, um dos principais pilares de sustentação do crescimento da economia brasileira nos últimos anos e que poderia diminuir a arrecadação recorde esperada pelo Governo para 2010. (ver matéria publicada no Estadão)

Outras despesas certas que não foram previstas são os reajustes dos aposentados que ganham acima do mínimo e o reajuste do teto do Judiciário (que certamente vai provocar o famigerado efeito cascata), além das famosas emendas dos parlamentares que o Governo incrivelmente ignorou em pleno ano eleitoral.  Mais um jogo de cena: como sempre, o Governo vai usar tais emendas como moeda de troca nos momentos finais da aprovação do orçamento, jogando a bomba para a carta coringa do Governo: os títulos da dívida interna. Resultado, mais alguns pontinhos no gráfico acima.

E olha que o Governo Lula vai terminar empurrando para o próximo Governo um bomba que está há anos prestes a explodir: a extinção do fator previdenciário.  Criado em 1999 pelo Governo FHC, o famoso fator previdenciário ajudou a controlar o astronômico e crescente défict da previdência que já contabilizava R$ 24 bilhões nos primeiros seis meses de 2009 (Ver matéria no Estadão). Quando oposição, o PT fez de tudo para barrar a aprovação do projeto. No Governo, Lula fez de tudo para barrar o projeto de extinção do fator previdenciário de autoria do senador Paulo Pain (ironicamente do PT).

Mais endividamento a longo prazo

No cenário descrito acima não foi ainda incluído nenhum centavo para a construção e reforma dos estádios da Copa de 2014, os quais já estão atrasados. Ao contrário do projeto inicial de 2007, que previa as reformas e construções bancadas pela iniciativa privada, ao que tudo indica, os recursos vão mesmo sair do nosso bolso, já que nenhum projeto privado entrou sequer em discussão (ver matéria publicada na Band).

Naturalmente, os US$ 20 bilhões necessários para a modernização da Marinha e da Aeronáutica também não constam no orçamento de 2010. Só para variar um pouco, desta vez o Governo vai buscar os recursos através de empréstimos a bancos europeus, o que significa um considerável aumento na dívida externa que o Governo diz ter pago.  E o pior é que tal “esforço” do Governo para modernizar a Marinha e a Aeronáutica deixou de fora o Exército, provocando uma ciumeira entre os militares e, claro, mais uma pressão para mais gastos nesta área, os quais terão que ser atendidos no próximo governo (ver matéria publicada no Globo)

O famoso Pré-sal é mais um projeto de dividendos políticos rápidos (principalmente em ano eleitoral), porém de difícil execução, altos custos e lucros incertos (vamos falar mais sobre isto brevemente). A estimativa é que a Petrobrás invista US$ 28,9 bilhões nos próximos cinco anos (incrível o nível de precisão dessas previsões). O problema é que a estatal, a oitava maior empresa do mundo, ao invés de trazer divisas para o Governo, só retira. Por incrível que pareça, a estatal tem um dos maiores orçamentos do Governo. Se o orçamento de 2008 de R$ 65 bilhões já foi imenso, o de 2010 é ainda maior: R$ 80 bilhões, bem maior que o orçamento da saúde, que o Governo diz não ter dinheiro para bancar e faz chantagem com o Congresso para a aprovação da CSS. Isto sem falar nos empréstimos do Governo via Caixa Econômica, Banco do Brasil e BNDES para a estatal. Só do BNDES, a estatal recebeu R$ 25 bilhões em agosto. Detalhe: os recursos do BNDES foram retirados da venda de títulos da dívida interna, aumentando mais um pontinho no gráfico mostrado acima. (ver matéria no G1)

As olimpíadas de 2016… Bom, é melhor parar por aqui, pois já começamos com um orçamento cinco vezes maior que o de Tóquio. Levando em consideração o custo multiplicado da obra entre o projeto e a execução, certamente teremos aí mais uma fonte de endividamento. Claro que a Olimpíada trará dividendos para o Rio e para o Brasil (e principalmente para Lula). Mas, precisava ser agora? Logo depois de uma copa do mundo que já está se mostrando problemática?

Mais pressões sobre o novo governo

Felizmente até aqui tivemos muita sorte. A situação poderá ainda se sustentar por mais alguns anos, caso não tenhamos nenhum sobressalto no cenário econômico. Apesar de nos sairmos bem desta crise, o endividamento percentual em relação ao PIB aumentou de 36% para 44%, segundo os dados do Tesouro (há controvérsias também sobre este percentual, assunto que abordaremos em um post específico). Ainda é pouco em relação ao histórico pico de 56% na chamada “Crises Lula”, nas eleições de 2002, mas ainda assim é um sinal amarelo para um país que tem abusado da sorte nos últimos anos. Já imaginou se ocorre uma nova crise em 2009? Para quem não sabe, já se fala no meio econômico que já está se criando uma nova bolha nas bolsas de valores (ver matéria no Terra).

Claro que não dá para prever, mas que dá para ser mais cauteloso isso dá. Quem tem 30% da suas receitas comprometidas com o pagamento de juros não se pode dar ao “luxo” de continuar vivendo no limite, principalmente depois de um cenário tão favorável como o dos últimos anos.

Infelizmente, o Governo Lula, além de uma imensa dívida e inúmeros compromissos, deixa uma máquina pesada, com gastos fixos 80% maiores (apesar do PIB ter crescido apenas 27% nos seis últimos anos). Ou seja, a conta não fecha.

Sobra ao próximo presidente a responsabilidade de viabilizar os projetos dos quais Lula já lucrou os dividendos políticos. Se conseguir, ótimo para o Brasil e para Lula. Caso contrário, pior para o Brasil e ótimo para Lula, que volta candidato em 2014 com toda “honra” e toda “glória”.

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Para ver o primeiro artigo desta série, clique aqui.

Para ver o segundo artigo desta série, clique aqui.

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Para ver o décimo artigo desta série, clique aqui.

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  1. outubro 3, 2009 às 4:45 pm

    Trabalho primoroso de pesquisa e esclarecimento; ao destrinchar esses nuances obscuros da economia oficial você nos faz um grande favor. Agradeço e parabenizo.

  2. outubro 3, 2009 às 7:37 pm

    Grande Amilton,

    É satisfatório ler matérias assim versando sobre economia e política de uma maneira simples e objetiva, coisa que a própria mídia, governantes e economistas não tem intenção nenhuma de esclarecer à população em geral. Todos os dias vejo a Miriam Leitão no Bom Dia Brasil falar sobre economia mas eu não consigo entender nada! (será que sou tão burro assim!?) – Infelizmente somos reféns de um estado/sistema que gasta mais do que arrecada; e essa bolha vai entrar em colápso mais cedo ou mais tarde. Há inúmeros fatores que devem ser considerados e levados em conta, um deles, por exemplo, é o envelhecimento da população. Será que a Previdência dará conta de tantos aposentados num futuro próximo? O governo não cria riqueza, mas deve saber gerir bem esta riqueza, ou seja, os impostos de contribuintes pessoas físicas e jurídicas.

  3. Mauro Bianco
    outubro 5, 2009 às 9:11 am

    Amilton, cabe lembrá-lo de que FHC nos fez um grande favor de saltar de uma dívida pública de 38%do PIB (demoramos quinhentos anos para chegar e este número) para 78% em 8 anos!!!!
    carga tributária FHC puxou de 27% para 35% do PIB.
    acho que vc deveria por estes números em evidência…
    abs MB

    • foralula
      outubro 5, 2009 às 3:05 pm

      Entre julho de 1994 e abril de 2002 a dívida interna do governo federal (ou seja, o montante global dos títulos emitidos pelo governo) passou de R$ 60,7 bilhões para R$ 633,3 bilhões. Um aumento de R$ 572,6 bilhões, portanto. É muita grana, de fato; os juros respectivos oneram pesadamente o orçamento do governo federal, diminuindo, é claro, sua capacidade de gastar em outros itens. Para onde foi essa montanha de dinheiro? Quais os fatores de aumento da dívida?

      1. Primeiro. O governo federal empreendeu, a partir de 1997, um programa de refinanciamento da dívida de estados (praticamente todos) e municípios (especialmente São Paulo). Vários destes, pagando juros de mercado para rolar suas dívidas, estavam perigosamente próximos da insolvência; em muitos casos, lançavam mão de empréstimos obtidos nos bancos estaduais oficiais (apesar disso ser proibido: um banco não pode emprestar para seu dono) e, em decorrência, muitos dos bancos estaduais estavam também em péssima situação.
      No passado, vários programas de “saneamento” das finanças estaduais haviam sido tentados, a partir de um socorro do governo federal, e o enredo subseqüente era sempre o mesmo: vários estados não conseguiam cumprir os acordos, aumentavam suas dívidas, seus bancos se encalacravam mais. Mas -como o peso político dos governadores e prefeitos endividados, seus deputados e senadores, é grande- o governo federal acabava cobrindo a conta, ou boa parte dela, e muitos estados e municípios continuavam gastando mais do que podiam, calçados por sua influência política (bem no estilo das províncias argentinas).
      As novidades do programa de 1997 foram duas: primeiro, o governo federal, ao refinanciar as dívidas, fixou normas de comportamento financeiro para os estados e municípios, com penalidades para o não-cumprimento; segundo, veio logo em seguida a Lei de Responsabilidade Fiscal, moralizando de várias formas os gastos públicos, inclusive com a proibição de que o governo federal empreste para os estados e municípios.
      Para cobrir o refinanciamento das dívidas dos estados e municípios, o governo federal emitiu títulos no montante de R$ 275,2 bilhões.
      2. Segundo. O governo resolveu deixar visíveis dívidas latentes, quer dizer, despesas que teriam que ser feitas necessariamente, em decorrência de compromissos assumidos no passado, mas que não eram contabilizadas como dívidas. Um bom exemplo é o Fundo do Compensação de Variações Salariais, nome rebarbativo de uma verba destinada a cobrir a diferença entre o montante pago por mutuários do Sistema Financeiro de Habitação, que têm as prestações corrigidas por seus aumentos de salário, e o valor da dívida desses mutuários, que é corrigida pela inflação integral, e portanto cresce mais. Na época da inflação alta, a diferença entre esses dois valores podia ser muito grande. No fim do contrato de financiamento, essa diferença é coberta pelo tal Fundo; e o buraco do Fundo é coberto pelo governo federal.
      Ninguém sabia direito a quanto montavam os compromissos futuros desse tipo, a serem pagos pelo governo federal. Para deixar as coisas mais claras, esses “esqueletos” foram reconhecidos e contabilizados (pelo menos a maioria deles). Como resultado disso, o governo emitiu títulos (por ex.: no caso acima, a Caixa Econômica, credora dos mutuários, receberia títulos correspondentes ao buraco do tal Fundo). Valor total desses títulos: R$ 143,4 bilhões.

      3. Terceiro. Os bancos federais, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, foram muito usados, em governos anteriores, para fornecer empréstimos a quem acabava não pagando, a partir de critérios políticos. Por causa disso, esses bancos ficaram, em geral, mal das pernas, especialmente a Caixa.
      Para fortalecer os bancos federais e torná-los economicamente viáveis, o governo fez várias operações, que resultaram na emissão de títulos no montante de R$ 69,5 bilhões.
      4. Poderíamos ir adiante, mas bastam esses três itens. Se somá-los, veremos que o total (R$ 488 bilhões) corresponde a não menos que 85,3 % do aumento da dívida pública, de 1994 a 2002.
      Em suma: a expansão do endividamento público, no governo FHC, foi determinada essencialmente pelo objetivo de resolver problemas herdados do passado. O “cassino” do Frei Betto não foi, afinal, criação de um governante malévolo, mancomunado com banqueiros e especuladores… (Aliás essa é outra tolice: supor que quem compra papéis do governo, e ganha com os juros altos, são só sinistros personagens. Se o Frei Betto põe dinheiro em algum fundo de investimento – e se tinha uma conta corrigida, no tempo da inflação alta -, ele também é cúmplice dessa sórdida jogatina…).
      E cabe lembrar que o que nos diferencia hoje da Argentina, em termos de situação econômica, é, basicamente, o fato de que estamos muito melhor do que eles em dois desses pontos: não temos um conjunto de províncias deficitárias, politicamente poderosas, pressionando irresistivelmente o governo federal, e nosso sistema bancário é sólido (também por causa do PROER – alvo preferido de críticos desinformados -, um programa de bem-sucedido de saneamento de bancos privados que ficaram a perigo, depois do Plano Real).
      Cabe lembrar também que o que o PT, PSOL, partidos comunistas, base de apoio do governo, fisiologistas, imprensa chapa-branca, chupins e apaniguados do petismo e do lulismo, falam sobre o PROER, como era de se esperar dessa gente, é bem diferente da realidade, visto que o PROER é constituído com fundos das instituições financeiras.
      Agora, se viesse por aí um presidente, pregando paz e amor, e querendo ser bonzinho com os governadores do peito, à custa da caixa do Tesouro e dos bancos federais, essa nossa superioridade sobre a Argentina poderia se dissolver rapidamente.
      Por fim, é bom recordar que todas essas ações do governo FHC faziam parte do programa de governo que foi aprovado nas urnas, e que tinha a Lei de Responsabilidade Fiscal como âncora. como o governo Lula e os principais figurões do PT já declararam oficialmente que erraram ao se posicionar contra a LRF (alguns chegando mesmo a pedir desculpas), e como o governo Lula continou a se balizar pelas diretrizes da LRF (inclusive privatizando novos bancos estatais), temos que o posicionamento simplista sobre o aumento da dívida pública nos anos FHC é fruto ou da falta de informação ou de má-fé.

    • outubro 5, 2009 às 7:34 pm

      Além do que foi exposto pelo “Foralula” (dados que ainda vou checar, pois algumas coisas são novas para mim), permita-me corrigir os percentuais apresentados. Segundo o IPEA, o governo FCH aumentou a dívida interna de 21,3% a 37,72% do PIB entre dezembro de 1994 e dezembro de 2002 (dados estes, inclusive, publicados no artigo “Comparação: Lula x FHC”). Quando consideramos as dívidas externa e interna juntas, os percentuais são de 30% em dezembro de 1994 para 51,33% em dezembro de 2002. No entanto, cabe ressaltar que o alto percentual de endividamento nos últimos meses de FHC foram inflacionados com a chamada “Crise Lula”, que provocou grande nervosismo no mercado quando o então candidato do PT se mostrava favorito às eleições. Para quem não lembra, o dólar chegou a R$ 4, o que forçou o BC a elevar os juros progressivamente até chegar a 26%, provocando um alto impacto sobre a dívida pública. Depois que Lula assumiu e o mercado percebeu que não haveria nenhuma medida drástica na política econômica, o dólar retornou progressivamente aos patamares anteriores a crise, assim como a taxa Selic. Mesmo assim o endividamento total (dívida interna e externa) no governo Lula é hoje de 44%, valor quatro pontos percentuais abaixo da média do ano anterior ao ano eleitoral, época também conturbada, com um misto de reflexos da crise da Nasdaq, do “apagão” e 11 de setembro. E olha que os dados do Governo Lula sobre a dívida externa não são confiáveis, pois estão deduzindo as reservas na dívida externa (não perca o próximo artigo). Se compararmos apenas a dívida interna, os números de Lula são caóticos, pois pegou um percentual de 37,72% de FHC e elevou para 53,3% em agosto de 2009! Se duvidar, acesse o site http://www.ipeadata.gov.br e procure a série histórica da Dívida interna líquida do setor público.

      Quanto à carga tributária realmente foi um retrocesso (embora reconheça que FHC tinha muito menos dinheiro em caixa do que Lula). No entanto, o fato de FHC ter aumentado a carga tributária não dá o direito a Lula de fazer o mesmo, pois esta é cumulativa e pesada demais. Aliás, Lula tinha a obrigação não só de diminuir a carga tributária, como baixar a taxa Selic já a partir da metade do seu primeiro governo, pois o cenário econômico o permitia. Infelizmente não só não o fez como aumentou ainda mais. Por isso precisamos de PACs para acelerar o crescimento de forma artificial e ao custo de mais endividamento.

  4. outubro 5, 2009 às 9:52 pm

    Seu blog é de utilidade pública!

    A análise sobre a dívida é muito boa mesmo e muitos dos comentários acrescentaram ainda mais à discussão. Parabéns de novo.

  5. Mirtes
    outubro 6, 2009 às 9:22 am

    Amilton, muitas vezes precisamos ser ousados. O Brasil deu um grande passo com a copa e as olimpiadas. Acho que os ganhos vão compensar cada centavo gasto. O Brasil precisa pensar grande!!!!

    • outubro 6, 2009 às 9:59 am

      Considerando que o projeto das Olimpíadas do Rio vai custar 5 vezes mais que Tóquio e que o Brasil gastou no Pan dez vezes mais que o orçamento inicial (o pan mais caro da história), dá para imaginar o rombo que estas olimpíadas vão trazer para o Brasil. Além do mais, os ganhos com a publicidade do país já serão suficientemente explorados dois anos antes na Copa (e muito mais eficiente, pois serão 12 cidades).

      Vale salientar que o orçamento da copa já está muito fora do projeto inicial. A idéia de que o setor privado financiaria a maior parte dos estádios até agora não vingou um só projeto. A FIFA já está pressionando o Brasil que já acenou com a garantia de bancar todos os estádios e reformas. Ou seja, vai sobrar para a dívida interna mais uma vez, esta que até o final de 2009 terá sido multiplicada por três no governo Lula.

      Muitos citam Barcelona como exemplo de como a cidade melhorou anos seguintes as olimpíadas, só que esquecem de dizer que o desenvolvimento de Barcelona está muito mais ligado ao desenvolvimento da Espanha que deixou de ser um quase terceiro mundo para o primeiro mundo ao ingressar na comunidade européia. Agora vejam Montreal: o Canadá já era um país desenvolvido quando as olimpíadas chegaram lá.

      Mesmo assim, demorou 25 anos para pagar a dívida contraída para realizar a olimpíada. Agora imagina isso aqui neste país de corruptos! O povão comemora sem saber quanto o país deve hoje. Só escuta o que quer escutar. A mentira do presidente dizendo que pagou a dívida externa é o mais perfeito exemplo da histeria que tomou conta do país.

  6. MORAIS
    outubro 7, 2009 às 1:58 pm

    OS SEUS COMENTÁRIOS SOBRE A DÍVIDA PÚBLICA BRASILEIRA SÃO BRILHANTES E EXPLICATIVOS. INFELIZMENTE A MÍDIA, A POPULAÇÃO, OS POLÍTICOS E FORMADORES DE OPINIÃO EM GERAL DÃO POUCA IMPORTÂNCIA A UM PROBLEMA TÃO SÉRIO, QUE ESTÁ SE AGRAVANDO. QUANDO A BOMBA ESTOURAR, ESTES LADRÕES QUE NOS GOVERNAM (E OUTROS QUE TAMBÉM PASSARAM PELA CORTE)PEGAM O AVIÃO E VÃO SE DELEITAR COM O PRODUTO DO ROUBO EM OUTRO PAÍS, DEIXANDO A POPULAÇÃO SE LASCAR. O QUE ACONTECERIA SE ESTES LADRÕES FIZESSEM ISTO NOS ESTADOS UNIDOS? FORCA, CADEIRA ELÉTRICA, CÂMARA DE GÁS. E SE FOSSE NA FRANÇA? GUILHOTINA, FOGO EM PRAÇA PÚBLICA. CHINA? TIRO NA NUCA. JAPÃO? ARAKIRI. MAS COMO É NO BRASIL, O LADRÃO MOR TEM A CORAGEM DE DIZER “QUE NUNCA NESTE PAÍS…” E FICA RINDO NA NOSSA CARA. CLARO, AQUI NÃO EXISTE PENA DE MORTE. ENQUANTO ISTO, O ESPERTÃO AINDA VEM DIZER QUE O BRASIL NÃO PODE PENSAR PEQUENO, PRECISA GASTAR (AUMENTAR A DÍVIDA E O PRODUTO DO ROUBO NOS BOLSOS DELES)

  7. elizabetemattos
    outubro 7, 2009 às 11:01 pm

    Gostei muito Amilton. O crescimento da dívida pública é apavorante. Quando essa bomba estourar, não sei o que será do Brasil.Os petralhas estão acabando com o Brasil.

  8. Alininha
    outubro 8, 2009 às 7:17 pm

    Amilton, deve haver algum erro, nestes números, pois quando FHC deixou a presidência (graças a Deus) a dívida interna era de R$ 840 bilhões!

    • outubro 8, 2009 às 7:25 pm

      Pois é, Alininha. Existe muito mais coisa encoberta nos dados divulgados pelo governo Lula. Coincidentemente, encontrei no BC uma outra versão da dívida interna muito maior que esta e que explica o número que vc citou. Confira o artigo do próximo sábado.

  9. Amilton Aquino
    outubro 9, 2009 às 5:56 pm

    Comentário de um internauta enviado por email:

    Estamos diante que um povo que age como manada, bovinamente caminhando conforme são conduzidos. Nossas escolas não mais ensinam ninguém a pensar. Então, é preciso um lider dizer: “É por aqui!”, e o povo caminha… em direção ao brejo. Vi no último Fantástico, o Brasil tem uma carência de pelo menos 100 aparelhos de radioterapia e, pelo menos 60.000 pessoas ficam por ano sem tratamento contra o cancer pela ausência de uma vaga em um hospital. Lula diz que precisa criar um novo imposto para levantar 10 bilhões para a saúde, e prefere deixá-la de lado quando a outra opção é financiar uma Festa Olímpica. E a manada grita: “Viva o Lula!”

    Marcus Meyer

  10. Bento Guimaraes
    outubro 12, 2009 às 2:06 pm

    Seus artigos são muito interessantes Amilton e muito esclarecedores.
    Estou aguardando a sua série sobre o Pré-Sal. Acho que está mais do que na hora de termos uma análise objetiva e factual do que foi e é o papel da Petrobrás nos destinos da nação. O monopólio se justificou e justifica agora a sua volta? Que preço nós pagamos ao longo dessas quase seis décadas para mantermos essa exclusividade na indústria do petróleo? A excelência da Petrobrás é um mito ou uma realidade? Roberto Campos dizia que a Petrobrás era boa do solo para cima. Paulo Francis: “O petróleo é do povo, não da Petrobrás!”. São meus heróis.

  1. outubro 4, 2009 às 9:05 am
  2. outubro 10, 2009 às 5:18 am
  3. outubro 17, 2009 às 8:40 am
  4. outubro 24, 2009 às 3:57 pm
  5. novembro 1, 2009 às 9:02 pm

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