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Lula e a “Mídia Golpista” (PARTE 1)

agosto 8, 2009

imprensa

Nos últimos meses a Internet tem se transformado em um grande campo de batalha ideológica entre os defensores incondicionais do Presidente Lula e seus os críticos. Na verdade, este é um processo que vem ocorrendo em menor grau desde o escândalo do Mensalão, mas que arrefeceu após as eleições de 2006. Recentemente a batalha recomeçou devido principalmente a cinco graves erros políticos do Governo Lula.

Erro nº 1: o eterno palanque

O presidente, desde que assumiu o governo, nunca desceu do palanque. Em todas as oportunidades que teve de falar em público, procurou sempre se apoderar de todos os méritos pelo bom momento econômico que vive o país, fazendo comparações descontextualizadas em relação ao governo anterior, apesar de não mudar uma vírgula das políticas “neoliberais” herdadas e, paradoxalmente, tão criticadas quando oposição.

Os discursos embalados pelo famoso “nunca na história deste país” surtiram efeito e a popularidade do presidente foi ainda mais acentuada com a unificação e ampliação dos programas sociais implantados pelo governo anterior, rebatizado agora de Bolsa Família.

Claro que uma parcela menor da população percebeu tais manobras políticas do presidente, principalmente entre os jornalistas. Surgia então o embrião do que os partidários do presidente viriam a chamar mais adiante de “Mídia Golpista”.

Erro nº 2: o desejo expresso de presidente de controlar a imprensa

Já nas primeiras críticas ao seu governo, o presidente Lula fez questão de expressar seu desejo de criar “algum mecanismo de controle externo da mídia”. O presidente já mostrava, ainda no seu primeiro mandato, sua simpatia pelo autoritarismo que começava a ser implantado na Venezuela de Hugo Chaves.

O assunto, claro, repercutiu muito mal na imprensa traumatizada com as duas décadas de regime militar. O embrião da “Mídia Golpista” se desenvolveu mais um pouco.

Erro nº 3: a antecipação da campanha

Os primeiros indícios da antecipação da campanha eleitoral foram as sucessivas manobras em direção ao terceiro mandato. Derrotada a proposta, o Governo partiu para o plano B: o lançamento da ministra Dilma Roussef como candidata à sucessão. O palanque foi ainda mais ampliando, tanto com a presença da candidata, quanto pelo badalado Plano de Aceleração do Crescimento. Surgia então a “mãe do PAC”.

Se o Bolsa Família encantou as massas, o PAC encantou os prefeitos e governadores, que viram nos bilhões anunciados pelo Governo a oportunidade de reforçarem suas “realizações” e, de quebra, seus votos nas eleições municipais.  Todo mundo queria pousar na foto ao lado do presidente. No encontro de prefeitos em Brasília, por exemplo, foi disponibilizado até um estúdio de fotografias para criar montagens de candidatos ao lado de Lula. Mais uma vez a tática funcionou e o presidente atingiu os seus comemorados 80% de aprovação.

Claro que uma parcela da população continuou a perceber tais manobras. As seções de comentários dos grandes colunistas políticos começaram a receber cada vez mais comentários de cidadãos cada vez mais críticos, endossando os artigos cada vez mais contundentes sobre os excessos do presidente.

Erro nº 4: a relação promíscua com o PMDB

O fortalecimento do PMDB nas eleições municipais de 2008 levou também o partido “amigo do poder” a aumentar seu número de ministérios, além de cargos importantes nas estatais e no Congresso. O presidente, no auge dos seus “80%”, cedeu tudo que o ressurgido das cinzas Renan Calheiros pediu. Em troca, claro, o partidão dava-lhe o apoio incondicional ao projeto de perpetuação no poder do Governo Lula.

Claro que uma parcela da população percebia tais manobras e já não conseguia calar diante de tantas aberrações políticas. E aí veio a gota d’água: a interferência do presidente Lula na eleição do candidato José Sarney à presidência do Senado, preterindo, inclusive, o candidato do seu próprio partido.

A esta altura, alguns colunistas importantes já havia assumido definitivamente uma posição de oposição ao governo, como Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, por exemplo. Em contraposição, alguns colunistas financiados pelo Governo, como Paulo Henrique Amorim, Nassif e Azenha, por exemplo, escancararam de vez a campanha política pró endeusamento de Lula e, de quebra, da candidata Dilma.

rro nº 5: apoio incondicional a Sarney

A crise no Senado já se arrastava há anos, tendo inclusive dois presidentes consecutivos (Jáder Barbalho e Renan Calheiros – ambos do PMDB) renunciado em meio a uma sucessão de escândalos. A eleição da Sarney foi apenas mais um episódio da crise, agravada com as manobras do presidente Lula para elegê-lo e com a sua indisfarçável vaidade ao fingir que não queria ser candidato, repetindo a velha retórica coronelista de que foi “convocado” pela vontade da maioria para assumir o cargo.

Ferido, o PT recolheu-se a posição de coadjuvante no jogo político do Senado. E aí começaram a surgir as primeiras de uma sucessão interminável de denúncias contra o velho coronel (comenta-se nos bastidores que as primeiras denúncias teriam vindo do próprio PT descontente com a manobra para eleger Sarney).

Como na retórica coronelista a melhor defesa é o ataque, Sarney atribuiu as denúncias a uma terrível “campanha midiática”. Lula, confiante nos seus 80% de popularidade, fez coro ao presidente do STF, Gilmar Mendes, na crítica ao “denuncismo” da imprensa e fez questão de diferenciar Sarney do cidadão comum, tendo chegado a aconselhar o Procurador Geral da República a ter cuidado com as “biografias” dos investigados (falando inclusive de uma possível “castração de poder” do Ministério Público).

Rasgando o diploma de jornalista

O acirramento das disputas políticas na Internet alterou também a forma de fazer jornalismo. A responsabilidade em mostrar ambos os lados da notícia deixou de ser uma preocupação. A parcialidade de ambos os lados fica cada dia mais evidente. Entre os críticos do Governo, há uma grande preocupação com a liberdade de imprensa, cada vez mais suprimida na Venezuela de Hugo Chaves, o grande representante do “neo-socialismo” do século XXI, linha ideológica defendida por Lula. Do lado governista, as “conspirações da direita golpista” seriam as reais razões da crise do Senado e da CPI da Petrobrás.

Para fazer frente à maioria dos colunistas de oposição, os colunistas governistas acirraram os discursos a tal ponto que a os títulos das boas notícias da área econômica são sempre acompanhados agora de um inacreditável “Bye, bye Serra!”.

Os apelidos e termos pejorativos tornaram-se cada vez mais comuns. Os lulistas são chamados agora de “petralhas”, enquanto que os anti-lula são chamados de “demotucanos”, “tucanalhas”, etc.

A imaginação de conspirações também chegou às raias da loucura. Paulo Henrique Amorim, por exemplo, chegou a alardear em seu blog a seguinte “conspiração”: “TIRAR SARNEY É O GOLPE DE ESTADO DE DIREITA”. Segundo agora “blogueiro”, o PIG (Partido da Imprensa Golpista) quer derrubar Lula. Se Lula cair, assume o vice. Se o vice morrer, assume Temer. Se Temer recusar(?), assumiria Perillo (já contando que Sarney tivesse renunciado por causa da “campanha midiática” em curso – mais um “se”) e então, o mentor de tudo isso, o impopular Gilmar Mendes (que o PHA quer a todo custo jogar para a oposição, quando, na verdade, suas idéias estão em plena sintonia com as de Lula e do Sarney, no que concerne a diferenciação de indivíduos com ou sem “biografia”), assumiria por pelo menos 48 horas!!! Neste pequeno intervalo de tempo Gilmar Mendes teria então uma lista de “tarefas urgentes”, entre as quais a principal seria a privatização da Petrobrás e a venda do Pré-sal!  (Se duvidarem, está aqui o link http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=14876)

E o mais surreal disso tudo é que existem mais 100 comentários de leitores “alarmados” com a iminência de tamanho “golpe”. Tentei postar alguns comentários lá, mas todos foram censurados. Ao procurar o email do “jornalista” para lhe dirigir uma crítica direta me defrontei com sua apresentação em “Quem Somos”, onde PHA se diz um representante de um novo jornalismo “colaboralivo” e “DEMOCRÁTICO”!

Para ver a segunda parte deste artigo, clique aqui.

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  1. Debora Souza
    agosto 8, 2009 às 7:11 pm

    Faz algum tempo que acompanho estes debates. Realmente a coisa está cada vez mais acirrada. Tenho medo de onde isso vai dar. Deus nos proteja do destino da Venezuela!!!

  2. Acácio
    agosto 8, 2009 às 10:01 pm

    Gosto de acompanhar esses debates também Gosto de ver os dois lados sempre.

    Gostei da sua crítica.

    Abraços
    http://www.anetux.com.br

    • direitoesubjetividade
      agosto 10, 2009 às 11:02 pm

      Respondendo ao comentário no meu post: http://direitoesubjetividade.wordpress.com/2009/08/04/pig-a-midia-bandida/

      Prezado Amilton, acho que vc não entendeu bem a ideia. Acho PHA exagerado, tanto é que não cito o blog dele nem boa parte das notícias. No entanto, vc vai negar a pressão que a mídia está fazendo pra criar marola e desestabilizar o processo em 2010? É uma estratégia autofágica de perda de credibilidade, numa tática terrorista de “quanto pior, melhor”: as instituições são um lixo, todo mundo rouba e, portanto, a culpa é de Lula. O jogo é esse.
      Agora, me diga: quem está ganhando com essa crise do Senado – ou ganharia, se ela não fosse parte de um jogo de factoides? O PSDB, cujo maior sonho é dormir com Sarney e Renan! E, francamente, defender Gilmar Mendes é piada de mau gosto, a Satiagraha e o IDP estão aí pra mostrar.
      De td modo, obrigado por frequentar meu blog 🙂

      • agosto 11, 2009 às 12:22 am

        Concordo com vc de que existem setores da mídia descontentes com o governo, mas a pergunta que deve ser feita é: por que a mesma imprensa (a mesma que há alguns anos tinha apostado em Lula) agora o critica?

        Me identifico com a imprensa, pois também me decepcionei com o PT e especialmente com Lula. Acho que ele poderia entrar para a história como o “cara” que iniciou o processo de moralização da nossa política. Infelizmente ele colocou seu projeto de perpetuação no poder acima da ética, repetindo o grande erro de FHC no processo de reeleição.

        Também não concordo com este clima de “conspiração” que o governo tenta criar, como se um “ente conspirador” controlasse toda a imprensa, como se todos os jornalistas fossem corruptos. Existem jornalistas que se vendem sim, mas boa parte dos que entram nesta profissão o fazem com um sonho de contribuir para uma sociedade melhor. Infelizmente, muitos se vendem, como o PHA, por exemplo, que abandonou totalmente sua postura jornalística para se tornar um garoto propaganda do PT, criando e alimentando fantasias como a citada acima.

        Quanto a defender Gilmar Mendes isso é coisa de PHA. Na verdade Lula é quem tem um discurso em sintonia com o dito cujo, pois ambos fazem distinção entre cidadãos comuns e de “biografia” e ambos foram tomar cafezinho com Sarney.

        • Edgard
          maio 28, 2010 às 9:13 am

          Amilton: “por que a mesma imprensa (a mesma que há alguns anos tinha apostado em Lula) agora o critica?” sic. Você nasceu quando? Em 2009? Realmente falta muito conhecimento histórico nesta afirmação.

        • junho 3, 2010 às 12:20 pm

          Edgard,

          Sugiro que leia a segunda parte deste artigo que vc comentou, pois cito três pesquisas da época das eleições de 2002 que mostram aquilo que todos nós já sabemos intuitivamente: a mídia, os empresários, o poder, os políticos, todos pendem sempre para quem está mais perto do poder. Nasci em 1970, amigo e acompanho a política desde a adolescência quando fui militante do PCdoB e do PT. Lembro bem dos noticiários eloqüentes da época da eleição de Lula, exaltando a nossa democracia que havia eleito um torneiro mecânico para a presidência. A lua de mel durou até o Lula receber as primeiras críticas em relação ao Fome Zero que nunca funcionou. Aí Lula veio com aquela de controle externo da imprensa e aí começou o processo de desgaste que descrevi no artigo.

          E já que vc não lembra, te afirmo com o meu pouco conhecimento histórico que Lula é um produto da mídia.

          Abraço,

  3. Clécio
    agosto 13, 2009 às 8:38 am

    Bela tentativa de ser imparcial. Mesmo assim não conseguiu, meu caro. Por que vc não citou uma “aberração” jornalística também do lado do tucanalhas???? Só vale para o PHA???? É melhor ser parcial, pois assim sabemos com quem estamos falando. Não ficamos perdendo tempo em retóricas inúteis!

    • agosto 20, 2009 às 1:24 am

      Clécio, ter uma linha editorial é uma coisa. Fazer chacota é outra totalmente diferente. E é isto que PHA vem fazendo.

  4. Augusto
    agosto 20, 2009 às 12:41 am

    Não me parece que Paulo Henrique e outros blogueiros na mesma linha dele promovam baixarias. Sua análise está equivocada nesse ponto. Tomando Paulo Henrique como exemplo, pode-se notar claramente que todas as sua matérias são consistentes do ponto de vista jornalístico. Em geral, são sempre factuais e relevantes. Basta ver a série de denúncias que ele fez sobre a operação comercial envolvendo a Brasil Telecon. Nenhum dos grandes jornais, nem as emissoras de televisão, trataram do tema com a seriedade que Paulo Henrique o tratou. Tanto que ninguém o jamais desmentiu. Talvez você não saiba, mas essa foi a principal razão que levou o IG a expulsá-lo do portal. É verdade que Paulo Henrique em geral é irônico em suas matérias, mas ele não publica mentiras. O caso do diploma de Serra é um exemplo. É fato que Serra não tem diploma de curso superior, nem de engenharia, nem de economia, quer por universidade brasileira, quer por universidade alguma do mundo. Sem dúvida que essa é uma questão menor. Mas quem iniciou a série de publicação de matérias irrelevantes e baixarias foi justamente a imprensa dita séria. A Veja prossegue publicando informações a respeito do currículo de Dilma ou de sua suposta bolsa falsa. Algo tão irrelevante que mereceu destaque até em jornal de televisão. Esse tipo de fofoca não se vê nem na Tititi. Sinceramente, eu nunca tantos ataques direcionados a um Governo. O Jornal Nacional, por exemplo, ao se referir ao PT, sempre o fazem de forma tão enfática que chega a ser ridículo. Não se trata de ser petista ou não. O fato é que a imprensa deixou de ser imprensa para ser um partido de fato. Ela quer de todas as formas interferir no processo político do País, o que é um absurdo por si só. Frequentemente chama a si mesma de opinião pública e diz falar em nome do povo, embora ninguém saiva de onde ela tirou a procuração. A chamada grande imprensa (Globo, Record, SBT, Band, Uol) é algo nefasto para o desenvolvimento do Brasi, razão por que deve ser fatiada a qualquer custo. Nem me refiro mais a Folha ou ao Estadão porque para mim esses veículos já são coisa do passado e talvez ainda existam por mais alguns anos. Em suma, a imprensa se utiliza de espaços públicos para preservar seus próprios interesses e para manter um modelo de organização social que não interessa à massa de brasileiros. A Globo, a Folha e o Estadão, por exemplo, defendem corte de gastos públicos, uma espécie de mantra dos neoliberais. Como cortar gastos públicos com tanto por fazer na educação e na saúde, apenas para ficar em dois exemplos? Trata-se, na verdade, na luta pela apropriação dos recursos do Estado. Em troca, a Globo ofecere o programa “Amigos da Escola”. Uma forma de conter um pouco, mediante ações privadas, a degradação social atinge a maior parte da população brasileira e assim pelo menos evitar uma sublevação popular. Evidentemente, não é possível tirar tudo.

  5. Augusto
    agosto 20, 2009 às 1:25 am

    Em relação à falta de ética na política, você deveria saber, se é que não sabe, que ética e política nunca ocupam o mesmo lugar. De fato é uma espécie de lei de Newton. Ora, Maquiavel já havia separado a ética da política por volta de 1500. Na realidade, até Platão já fazia referência a essa divisão, de onde certamente Maquiavel extraiu os fundamentos. Fazer política é fazer concertos em busca de um objetivo maior, seja ele bom ou ruim, pouco importa. É por isso que os fins sempre justificam, sim, os meios. O que é mais importate, buscar redenção social ou buscar o reino dos céus? A mim é preferível uma sociedade mais justa e ir para o inferno a uma sociedade injusta e conseguir um lugar no paraíso. Aliás, essa é uma doutrina que a Igreja Católica utilizou para dominar o povo por muitos séculos. Hoje ela perde fiés para uma igreja que prega justamente o contrário. Percebeu? A verdade é que esta vida que temos é a únida certeza e dá para aguardar o paraíso para ter dignidade. Portanto, todo acordo com o diabo é válido quando o que se pretende é justiça social. A elite e a imprensa criticam constantemente os aumentos concedidos ao bolsa-família. É o tal de aumentos dos gastos públicos. Mas o que as pessoas não sabem é que a função do bolsa-família não é apenas melhorar um pouco mais a vida dos mais pobres. A imprensa, a oposição e a elite sempre dizem “ah, mas tem porta de saída”. Não precisa ter porta de saída. Isso é uma grande besteira e eles sabem disso, mas não dizem, escondem. O objetivo principal do bolsa-família não é esse. O objetivo principal é reduzir a reserva de mão-de-obra no mercado. É isso mesmo. Pode parecer absurdo mas é isso mesmo. A redução da reserva de mercado obriga os capitalistas a aumentar a massa salarial dos trabalhares porque do contrário ele não tem o trabalho. O sujeito que recebe o bolsa-família e demais benefícios do Governo hoje pode recursar determinados trabalhos que lhe pagariam salários aviltantes. a contrapartida é o aumento do salário daqueles que estão trabalhado. Isso ao lado da injeção de recursos que o próprio bolsa-família permite mais os aumentos no salário mínimo é que estão sustentanto o crescimento da economia brasileira já há um bom tempo. Mas devemos nos preocupar com o quê? Com a ética ou com desenvolvimento do País? Eu não penso duas vezes para fazer essa escolha. A ética não produz absolutamente nada. Não passa de uma mera questão moral. Sobretudo num País que tem um sistema político como o do Brasil. É impossível governar sendo ético. Veja o absurdo que estamos assistindo no Senado. Os senadores petistas, preocupados com a questão ética, praticamente estão inviabilizando o Governo. Os senadores do PMDB, por outro lado, hoje são os mais petistas de todos os senadores. Romero Jucá tem sido leal ao Governo, ainda que outros interesses estejão em jogo. Mas, sendo leal ao Governo, Jucá está colaborando para a construção de um Brasil mais justo, por incrível que pareça. E o Mercadante? A Marina Silva?

  6. Augusto
    agosto 20, 2009 às 1:46 am

    “Me identifico com a imprensa, pois também me decepcionei com o PT e especialmente com Lula. Acho que ele poderia entrar para a história como o “cara” que iniciou o processo de moralização da nossa política. Infelizmente ele colocou seu projeto de perpetuação no poder acima da ética, repetindo o grande erro de FHC no processo de reeleição.” Desculpe, mas ninguém elege um Governo para iniciar um processo de moralização da política. Se você votou em Lula por causa disso, votou errado. Eu, particularmente, não votei em Lula para uma transformação ética, votei em Lula para uma trasformação social, que, felizmente, está ocorrendo, timidamente, mas está ocorrendo. Volto a insistir, é uma grande bobagem essa história de ética. Admito que essa foi uma bandeira utilizada pelo PT para conseguir penetração social e política, o que de fato deu resultado. Mas a questão central não é essa. Tanto que a imprensa sabe perfeitamente disso. Por isso ela agora está utilizado a questão ética para atacar o PT. É uma estratégia bem montada, embora a culpa seja de fato do PT. Mas insisto que esse não é o ponto central. Hoje, em plena crise mundial, pelo menos na minha cidade, está acontecendo uma revolução social lenta e surdamente, mas firme. Há coisa de quatro anos atrás, quando eu saia aqui na minha cidade na sexta ou no sábado à noite ainda era possível parar o carro no centro. Hoje isso é impossível. Achar uma mesa disponível na pizzaria, menos ainda. Perto da minha casa existe uma lanchonete que a partir de quarta-feira até domingo a espera por um lanche é de pelo menos uma hora, apesar de quatro chapeiros. Vive lotada. Até isso está tirando audiência da tv. O brasileiro é um povo que gosta de festa, gosta de movimento, basta sobrar um dinheiro que todo mundo sai de casa. É isso o que está acontencendo no Brasil. É por isso, entre outras coisas, que as pessoas assistem cada vez menos novelas.

    • agosto 20, 2009 às 8:04 am

      Olá Augusto,

      Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo quando vi seus comentários. Triste porque vi materializado um exemplo daquilo que critico desde o primeiro post. Feliz por vc me dar subsídios para, no futuro, escrever um artigo sobre o perfil psicológico dos seguidores do Lulismo atual. Dos seus três posts, o que me chamou mais a atenção foi justamente aquilo que observamos nas ações de Lula nos últimos anos: o pouco caso com a ética. Como vc mesmo disse, “A ética não produz absolutamente nada. Não passa de uma mera questão moral (…). É impossível governar sendo ético” (!!!!!!)

      Amigo, não sei a sua idade. Eu estou na casa dos quarenta e nesta minha vida já tive diversos pontos de vista. Já fui comunista, religioso, ateu e até petista. Mudei muito durante todo este tempo, com exceção de uma coisa: meu senso ético. É este senso que faz o homem ser diferente dos animais e é com o aprimoramento constante deste senso que poderemos construir um mundo melhor e mais justo.

      Como disse, vou escrever um artigo refutando cada um dos principais argumentos, não apenas seus, como também da maioria dos leitores de PHA, Azenha e Cia.

      Enquanto isso, sugiro que vc leia os artigos Contextualizando o governo Lula e Comparação: FHC x Lula . Se os ler atentamente, vc vai ver que o governo Lula não foi tão fantástico quanto vc imagina.

  7. elizabetemattos
    agosto 20, 2009 às 10:19 am

    Quanto mais leio, mais detesto o PT.

  8. setembro 7, 2009 às 11:49 am

    Mais um exemplo da censura de comentários desfavoráveis no blog do PHA. Hoje, 7 de setembro, postei dois comentários sobre o pronunciamento de Lula no link http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=17689&cpage=1#comment-181169 . Para tentar escapar da censura, mudei o nome para “Luan Melo” (já que meu nome e email estão na lista negra dele). Percebi pelas estatísticas do meu blog que veio um clique de lá. No entanto, mais uma vez meus comentários foram censurados. Ou seja, eles receberam o comentário, checaram o link do site sugerido no comentário e o deletaram. Postei os mesmos comentários mais ou menos na mesma hora no blog do Azenha. Este, apesar de seguir a mesma linha do PHA, pelo menos demonstra ser democrático habilitando meus comentários. Segue o link do blog dos comentários no blog do Azenha assinados com meu nome verdadeiro (Amilton Aquino): http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/os-petroleiros-e-o-dinheiro-do-presal/

  9. Cleosson
    outubro 12, 2009 às 10:18 am

    Augusto, realmente fiquei impressionado com os seus posts. O ponto que mais me assusta eh o comentario da bolsa-famila. Meu amigo, esse seu cidadao nao tem educacao e nao eh qualificado, como que vc quer que ele receba um bom salario ?? Sobra para esses cidadoes trabalhos de baixa remuneracao. Sobre a bolsa-familia alavancar os salarios, isso eh extremamente inusitado. Fala pra mim qual empresa subiu o salario dos funcionarios acima da inflacao ?? isso sem usar greve.

  10. Cleosson
    outubro 12, 2009 às 10:25 am

    Amilton, um ponto que tem que ficar bem claro que para o povao, o governo do Lula eh otimo. Eles nao estao interressado em divida interna, corrupcao e etica. O que interessa para eles eh que o governo tem “obrigacao” de sustentar eles. Se alguem acha que eu estou exageranto, vai na fila do INSS ou em alguma escola publica da periferia. Todo mundo se esquece que eles sao maioria e que sacrificar liberdade de expressao, divida interna de 2 trilhoes e corrupcao eh perfeitamente aceitavel se o governo der um trocado no final do mes.

  11. novembro 26, 2009 às 8:46 pm

    Boas análises! O constante palanque eleitoral assusta, numa descarada “política dos políticos”, repleta de segundas intenções, que nada se aproxima de uma política mais ética e de uma vida mais dignas aos cidadãos. Sim, alguns são beneficiados com um vida melhor (bem melhor), mas cabe alguns pré-requisitos: o sobrenome Sarney e denominação amigável de “companheiro”, só p citar alguns exemplos.
    Sou aluna de Jornalismo e embora toda corrupção e cinismo perante mensaleiros cause-me repulsa, o que mais me preocupa é o desejo de nosso líder carismático de controlar nossa mídia. Informar ainda podemos, porém isentos de fiscalização. Somos ditos como formadores de opinião, num sentido negativo da expressão. No entanto, o próprio interlocutor desta frase orgulha-se em ser o maior formador de opinião do País. Não há dúvidas do dom de se contradizer do presidente Lula. Não sabe-se o que esperar de alguém que prega alianças com Judas.
    Dizem que sou implicante com Lula, mas como não ser! Vendo a campanha do PMDB, neste exato momento, me deparo com a figura de Sarney e está ai, mais um argumento: o que dizer de um presidente que apoia a principal figura responsável pela crise no Senado, que tanta indignação causou, mas que, como de costume acabou em pizza?
    A campanha antecipada torna transposições, descobertas de reservas de petróleo e outros eventos de importância nacional, meros coadjuvantes, enquanto a desconhecida protagonista, tenta se apossar da simpatia de seu maior cabo eleitoral.
    Hoje mesmo, recebi um recado pelo twitter dizendo que a oposição, tem que reconhecer os feitos de Lula, como por exemplo, o Bolsa Família. Sou ciente de que um presidente com 80 de aprovação com certeza tem seus méritos, e se a mim não agrada, a estes algo de bom deve ter feito, e assim espero. O Bolsa Família ajudou a tirar inúmeras famílias da linha de extrema pobreza, porém deu o peixe sem ensinar a pescar. Acaba-se o peixe, quem estrá apto à pescaria?
    Disseram-me que Lula acabou com um ciclo de corrupção. Mas é inegável que substitui-o à altura. A corrupção deste governo mascara-se num cinismo repugnante, numa ironia sarcártica, num descaso lamentável, como “nunca antes na história deste País” .

    “Resta-nos o conforto de torcer para que esse grande circo um dia perca os espectadores”(Nadir Somansi).

  12. novembro 28, 2009 às 7:35 am

    Gláucia, a sua revolta é a mesma de tantos brasileiros que percebem a desonestidade dos discursos populistas do nosso presidente. PSDB e PT no governo demonstraram muito mais afinidades do que divergências. Se nosso presidente tivesse um pouco de ética, reconheceria seus erros e teria uma convivência mais pacífica com a oposição, até porque esta é quase inexistente, pois não faz um décimo do que o PT fazia quando oposição. No entanto, o presidente da república comporta-se sempre como um eterno candidato, capitalizando todos os méritos para si e jogando todas as mazelas para os seus antecessores. E o pior: patrocinando a divisão da nossa sociedade entre os a favor e contra o “grande líder”. Sinto orgulho de pertencer a esta minoria que, como vc, enxerga as nuances desta política populista e desonesta que reina no Brasil.

    • junho 3, 2010 às 6:59 pm

      Amilton Aquino :
      Edgard,
      Sugiro que leia a segunda parte deste artigo que vc comentou, pois cito três pesquisas da época das eleições de 2002 que mostram aquilo que todos nós já sabemos intuitivamente: a mídia, os empresários, o poder, os políticos, todos pendem sempre para quem está mais perto do poder. Nasci em 1970, amigo e acompanho a política desde a adolescência quando fui militante do PCdoB e do PT. Lembro bem dos noticiários eloqüentes da época da eleição de Lula, exaltando a nossa democracia que havia eleito um torneiro mecânico para a presidência. A lua de mel durou até o Lula receber as primeiras críticas em relação ao Fome Zero que nunca funcionou. Aí Lula veio com aquela de controle externo da imprensa e aí começou o processo de desgaste que descrevi no artigo.
      E já que vc não lembra, te afirmo com o meu pouco conhecimento histórico que Lula é um produto da mídia.
      Abraço,

      Te encontrei, Amilton! Você não imagina como estou feliz, quando colocava o link do seu blog, aparecia: este endereço não existe. Concluí que fecharam seu antigo blog, vi que estava certa, infelizmente. Você lembra de mim no twitter:
      @anagrana_ ? Me desculpe, responder aqui, sobre outro assunto, mas descoheço Word, preciso aprender muito sobre informática….
      Parabéns, seu blog está maravilhoso, você não parou com as dívidas públicas!
      Vou seguir o blog no twitter.

      Abraços

      • junho 3, 2010 às 8:29 pm

        Olá Ana,

        Que boa surpresa!!! Infelizmente estou sem tempo ultimamente, pois aconteceu uma série de eventos desagradáveis com minha família, a maioria relacionados a doenças com filhos, esposa e, por último, comigo. Há meses que não posto nada no Twitter. Tenho respondido apenas os comentários do blog. A luta ainda não acabou, mas acredito que o pior já passou.

        Um abraço,

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