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As infelizes declarações do Presidente Lula

julho 25, 2009

lula_defendendo_sarney

Neste post eu havia programado para iniciar uma série de comparações entre os governos do PT e os anteriores. Mas, diante das infelizes declarações do presidente Lula nesta semana, resolvi mudar um pouco o roteiro e repercutir um pouco mais estes novos eventos.

Embora as emissoras de TV tenham focado nas gravações que comprovam as ligações de Sarney com o Agaciel Maia (desmentindo-o, já que ele jurou no plenário que não sabia o que eram os “atos secretos” assinados pelo seu apadrinhado Agaciel), as declarações do presidente Lula na posse do novo procurador, Roberto Gurgel, repercutiram muito mais entre os analistas políticos, devido a três grandes absurdos proferidos pelo presidente:

Absurdo 1:
Mesmo depois de toda repercussão negativa de suas declarações em favor de Sarney, diferenciando os cidadãos comuns dos políticos perante a lei, o presidente não só reafirmou as declarações anteriores, como “aconselhou” os procuradores a “ter cuidado com as ‘biografias’ dos investigados”.

Absurdo 2:
O presidente tentou intimidar os procuradores lembrando que existe no Senado um projeto que pode “castrar” poderes do Ministério Público. Lula se refere ao projeto do Dep. Paulo Maluf (já aprovado na Câmara) que impede o MP de investigar casos em que haja “perseguição política”. Como qualquer acusação feita aos políticos são atribuídas à perseguições políticas, na prática, o projeto praticamente impede o MP de investigar as vossas “excelências”.

Absurdo 3:
Esquecendo mais uma vez o seu passado, o presidente voltou a criticar eventuais “pirotecnias” que venham a ocorrer nas investigações do Ministério Público. A observação de Lula endossa as afirmações do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, o qual usou o mesmo termo para criticar a operação da Polícia Federal que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, libertando-o duas vezes em 48 horas, num episódio provocou grande indignação da sociedade por diferenciar ricos e pobres perante à lei.

As declarações do presidente cada vez mais enfáticas em relação ao presidente do Senado José Sarney mostram o quanto ele está inflado por sua popularidade. Certamente ele calcula que tal apoio a Sarney vai lhe custar um ou dois pontos a menos de popularidade, porém nada que atrapalhe seu projeto de eleger sua sucessora em 2010 e voltar em 2014 ainda mais poderoso. O presidente, aliás, já adquiriu “know-how” em colocar panos quentes em escândalos. Desde o episódio do Mensalão, quando demonstrou ficar bastante abatido nos primeiros momentos, o presidente reforçou seus comícios entre as classes menos informadas e nunca mais esboçou um só gesto de remorso ou tristeza diante dos descalabros da política (sobretudo do seu partido e familiares).
Em outras palavras, o presidente está se lixando para a opinião pública, pois sabe que conta com o apoio incondicional dos milhões de assistidos pelo Bolsa Família, dos movimentos sociais que recebem recursos do governo, como o MST e o MSLT, além de setores corporativos do serviço público (que ganharam expressivos aumentos nos últimos meses) e até entre uma parcela dos estudantes representados pela UNE, que também recebem recursos do Governo Federal.

Outra aposta do presidente é jogar uma cortina de fumaça sobre os escândalos, polarizando cada vez mais a disputa eleitoral, a exemplo de seu amigo Hugo Chaves, que quase levou a Venezuela a uma guerra civil. Atribuindo às denúncias a uma “campanha midiática”contra as chamadas “forças populares”do seu governo, o presidente inflama os ânimos dos seus eleitores que passam a defendê-lo incondicionalmente, mesmo quando pesam contra ele desvios éticos, como os apontados acima.

Alguns tentam justificar as infelizes declarações do presidente com a importância do apoio do PMDB para manter a “governabilidade” e para garantir a eleição de sua sucessora nas próximas eleições. Partindo para o contra-ataque, o bloco governista tenta mostrar casos semelhantes de corrupção no governo FHC, aumentando ainda mais a sensação de corrupção generalizada entre os eleitores um pouco mais informados.

Tal sensação, no entanto, ao invés de provocar uma indignação generalizada, tem provocado também inércia cada vez maior na sociedade, pois a conclusão mais comum disso tudo é a de que “políticos são todos corruptos” e/ou “os partidos são farinha do mesmo saco”. Daí a mais infeliz das conclusões: “corrupto por corrupto, fico com o que rouba mas faz”. A ironia da frase é que ela ficou famosa nas eleições do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, conhecido por suas mil picaretagens. Ou seja, Lula está a cada dia mais parecido com Maluf , deixando o pior legado que poderia deixar para uma nação: a desilusão política, pois a esperança que se tinha de que o PT era um partido ético se desfez.

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Para ver as primeiras declarações do Presidente sobre Sarney, clique aqui.

Para ver a matéria do Estadão sobre o assunto, clique aqui.

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  1. Luiz de Souza Nascimento
    março 18, 2010 às 1:57 pm

    Essa é pra voce kara

  2. Cesar
    março 20, 2010 às 10:33 pm

    Excelente texto, amigo, parabéns! Temos de analisar os dois Governos, FHC e Lula, sob óticas diferentes, imparcias, e não como animados torcedores fanáticos. Mas, sendo justo, não conheço nenhum fanático por FHC, já pelo “Padre Cícero do Planalto”… Eu considero FHC, em si falando do que se fez na Economia, o que Thomas Edson fez ao criar uma certa lâmpada; daí veio um tal de Daniel McFarlan Moore, o inventor da lâmpada de neon… Qual foi o mais importante?

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